Suicídio entre militares norte-americanos aumenta 20% em época de covid-19

Os suicídios entre os militares subiram 20% este ano em comparação com o mesmo período de 2019, registando-se um aumento nos incidentes de comportamento violento à medida que as tropas lutam contra a covid-19 e enfrentam deslocações para zonas de guerra, desastres nacionais e agitação civil.

Segundo noticiou o Washington Post, embora os dados sejam incompletos e as causas dos suicídios complexas, oficiais do Exército e da Força Aérea norte-americana acreditam que a pandemia está a adicionar stress aos militares, que, normalmente, já estão sob tensão.

À Associated Press, responsáveis do Exército disseram que estão a tentar encurtar as deslocações de combate, parte de um plano que visa aumentar o bem-estar dos soldados e das suas famílias, objetivo esse que ultrapassa outras medidas associadas à prontidão para o combate e à modernização das armas.



O Pentágono recusou-se a fornecer dados de 2020 ou a falar sobre o assunto, mas oficiais do Exército indicaram que os relatórios do Departamento de Defesa apontam para um aumento de até 20% no total de suicídios militares este ano. Os números variam de acordo com o serviço, tendo Exército registado um aumento de 30%.

Os responsáveis do Exército disseram que não podem apontar diretamente o dedo ao vírus, mas o momento coincide. “Não posso afirmar cientificamente”, mas “posso dizer que os números aumentaram em questões relacionadas à saúde comportamental”, referiu à Associated Press o secretário do Exército, Ryan McCarthy.

“Não podemos dizer com certeza que é por causa da covid-19. Mas há uma correlação direta”, mostrando que, “quando o covid-19 começou, os números realmente aumentaram”, acrescentou, referindo-se aos suicídios, homicídios e outros comportamentos violentos por parte de militares do Exército.

Os dados preliminares para os primeiros três meses de 2020 mostraram uma queda geral nos suicídios de militares no ativo e na reforma, em comparação com o mesmo período de 2019. Esses números iniciais refletiam uma diminuição nas mortes na Marinha e na Força Aérea. Contudo, na primavera, os números voltaram a subir.

A “covid-19 acrescenta stress”, disse o general Charles Brown, chefe da Força Aérea. “Do ponto de vista do suicídio, estamos num caminho para ser tão ruim quanto no ano passado. E isso não é apenas um problema da Força Aérea, é um problema nacional porque a covid-19 adiciona fatores de stress”, como o medo do desconhecido, frisou.

A Força Aérea ativa e na reforma contava, a 15 de setembro, com 98 suicídios, o mesmo número registado no período homólogo do ano passado. Contudo, ao nível de suicídios na Força Aérea ativa, o ano passado foi o pior em três décadas.

Relativamente às taxas de suicídio de civis, estas têm aumentado nos últimos anos. Os dados de 2020, no entanto, não estão disponíveis, impossibilitando a comparação com os militares. Um relatório do Pentágono, com dados de 2018, mostrava que a taxa de suicídio entre militares era equivalente à da população geral norte-americana.

Para James Helis, diretor dos programas de resiliência do Exército, o isolamento relacionado ao vírus, a crise financeira, o ensino à distância e o encerramento dos infantários tem afetado as militares e as suas famílias. “Sabemos que as medidas que tomamos para mitigar e prevenir a disseminação da covid-19 podem potenciar alguns dos fatores que podem levar ao suicídio”, indicou.

Os responsáveis do Exército disseram igualmente que as tropas estão sob pressão devido a quase duas décadas de guerra. As deslocações, agravadas pelo vírus, furacões, incêndios florestais e missões para controlar a agitação civil, têm cobrado o seu preço.

O general James McConville, chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou que uma das medidas em vista é dar aos militares “o tempo de que precisam para se reunirem e se recuperarem”. “Há quatro anos, estávamos muito focados na prontidão porque tínhamos alguns desafios de prontidão e fizemos um ótimo trabalho. A força está muito, muito pronta agora. Acho que agora é hora de focar nas pessoas”, disse à Associated Press.

O isolamento também está a afetar os veteranos, principalmente os que foram feridos. Sergio Alfaro, que serviu no Exército durante quatro anos e meio, contou que os temores associados ao vírus intensificaram o seu Transtorno de Stress Pós-Traumático e os seus pensamentos suicidas.

“É definitivamente algo que tornou as coisas um pouco mais caóticas, tentar planear o futuro, fazer coisas juntos”, apontou Alfaro, que esteve destacado em Bagdade em 2003. “É quase como adicionar mais lixo à pilha”, sublinhou.

Se antigamente temia que estranhos o pudessem magoar nas ruas, agora receia que as pessoas possam ter a covid-19 e não terem sintomas. Outros veteranos “estão fartos de viver desta maneira, preocupados com o que está por vir, qual a próxima coisa horrível que teremos de enfrentar”, acrescentou.

Roger Brooks, especialista em saúde mental do Wounded Warrior Project, detalhou que os veteranos têm relatado um aumento nos pensamentos suicidas e na ansiedade, com antigos militares a sentirem-se mais isolados e incapazes de contactar com os grupos de apoio. Muitos viram interrompidas as consultas para controle da dor e outros tratamentos.

Dentro do Exército, Helis disse que o vírus levou a um aumento nas consultas ‘online’, algo que vê como positivo. “Houve também uma redução no estigma de buscar ajuda na saúde comportamental, porque se pode fazer isso a partir de casa”, afirmou.

ZAP //

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