Marques Mendes: Incluir vários possíveis sucessores a Costa no Governo pode ser um “erro enorme”

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Mário Cruz / Lusa

Luís Marques Mendes

Luís Marques Mendes acredita que incluir vários candidatos à liderança do PS no mesmo Governo pode alimentar uma competição interna e pôr em causa a coesão do executivo.

No seu habitual espaço de comentário televisivo, Luís Marques Mendes deixou uma aviso a António Costa sobre a composição do novo Governo: atribuir cargos a vários dos seus possíveis sucessores pode vir a ser um “erro enorme”. Este alerta chega três dias antes do primeiro-ministro ter de entregar a lista de nomes para o novo executivo ao Presidente da República.

“Pedro Nuno Santos, Fernando Medina, Ana Catarina Mendes e Mariana Vieira da Silva — provavelmente, todos vão ser ministros e todos são potenciais candidatos à sucessão de António Costa. Isto até pode dar certo, mas tem tudo para dar errado. Alguns dizem que ter todos dentro do Governo é boa ideia, para o primeiro-ministro os vigiar. Eu penso de maneira diferente. Pode ser um erro enorme“, considera.

Segundo o antigo presidente do PSD, juntar todos estes potenciais futuros adversários na corrida à liderança socialista pode criar tensões e alimentar uma “guerrilha” dentro do Governo, com os Ministros a fazer “marcação uns aos outros” já que o “sucesso de um é uma dificuldade acrescida para os outros”. “Só servirá para gerar grupos e grupinhos numa competição nada saudável”, remata.

O comentador aponta ainda duas vantagens do novo Governo em relação aos dois anteriores, também do PS, já que este vai ser mais pequeno e “eficaz e eficiente” e também deve ser mais ao centro, visto ser maioritário e não precisar de negociar com os partidos à esquerda para aprovar medidas.

Marques Mendes acredita ainda que temos de “dar atenção ao discurso de posso do primeiro-ministro” porque este “define o rumo” e ajudar-nos-à a entender “se os novos Ministros têm perfil reformador“.

“Finalmente, é essencial o discurso do PR. Se Marcelo não for um acelerador de reformas, exigindo-as e estimulando-as, provavelmente um governo reformista será uma miragem”, antecipa.

O novo Governo vai ter um papel importante no combate ao impasse económico que se vive com a enorme inflação e o Conselho Europeu marcado para esta semana deverá trazer algumas novidades, como o estudo de “uma nova bazuca, virada sobretudo para as questões da defesa, da cibersegurança, das interligações energéticas e para apoio aos refugiados”, que não deve ser aprovada já.

Mais no imediato, Marques Mendes acredita que a União Europeia vai aprovar um “tecto máximo de referência para o preço do gás, que está em valores muito elevados” e que também vai dar luz verde à “descida temporária do IVA da energia para 13%”, algo que António Costa tem pedido.

“Putin perdeu claramente no plano político”

Sobre a guerra na Ucrânia, que já decorre há quase um mês, o comentador acha que a sua evolução foi uma “completa surpresa”.

“Putin perdeu claramente no plano político e não ganhou nada no plano militar“, afirma, enumerando falhas logísticas no terreno, a desvalorização da resistência ucraniana e o facto de Moscovo ainda não ter tomado qualquer grande cidade.

A nível político, o líder russo também está a perder porque “uniu a UE e os EUA” e “ressuscitou a NATO“, estando também a sofrer “sanções duríssimas” e um “isolamento internacional”, com o seu “homólogo ucraniano Zelenskyy ganhar-lhe a guerra da comunicação”.

Mesmo com estas aparentes derrotas para Putin, o Ocidente não pode ter “ilusões”. “Se a Rússia fosse uma democracia, Putin cairia. O povo revoltava-se e ele não tinha alternativa que não fosse deixar o poder. Só que a Rússia não é uma democracia. Assim sendo, Putin só cairá quando a reduzida e influente elite política, militar e oligárquica que o rodeia, achar que ele pisou o risco e que se deve retirar”, avisa.

Em relação às negociações para a paz, é preciso “não exagerar nas expectativas” devido às contradições, já que “os combates russos continuam e os países ocidentais reforçam o envio de armas para a Ucrânia” ao mesmo tempo que se tenta chegar a um acordo.

“Segundo, Putin é um dissimulado. Se ele falasse verdade, a guerra tinha terminado esta semana. Zelensky assumiu que a Ucrânia não vai entrar na NATO. Se, para a Rússia, a questão da NATO fosse a verdadeira razão da guerra esta declaração do Presidente ucraniano seria suficiente para pôr fim ao conflito”, aponta.

O presidente russo é também “exímio na publicidade enganosa“. “A ideia de que está muito empenhado num acordo é também uma forma de tentar inibir os países ocidentais de enviarem mais material de guerra para os Ucranianos”, acusa.

“Um acordo só vai existir quando dois princípios forem observados: quando houver cedências que permitam salvar a face de ambas as partes e quando o impacto da guerra for suficientemente forte para ambas as partes perceberem que perdem mais do que ganham com a sua continuação. Infelizmente, ainda estamos um pouco longe disso. Mas há um sinal forte de esperança: as negociações existem e o diálogo está aberto”, declara.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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