“Solução Milagrosa” também é vendida em Portugal para tratar covid-19. Infarmed avisa que é “uma lixívia”

A Solução Mineral Milagrosa, ou MMS, está também a ser vendida em Portugal como tratamento para a covid-19, tal como tem acontecido noutros países. Mas o Infarmed alerta que este produto é, basicamente, “uma lixívia” composta por dióxido de cloro.

Este “kit” milagroso denominado Miracle Mineral Solution (MMS) ou Solução Mineral Milagrosa, em Português, é vendido há vários anos como um tratamento contra doenças como cancro, SIDA, malária e até o autismo.

Agora, com o aparecimento da pandemia de covid-19, está a ser anunciado também como uma “cura” contra esta infecção.

O MMS “continua a ser receitado por escolas que dão formação em medicinas complementares”, avança o jornal i, dando o exemplo da Biosymbiosis – Instituto de Medicina Natural, no Porto, uma entidade de formação certificada.

Este produto não está certificado pelo Infarmed porque não é considerado um medicamento.

O dióxido de cloro, o principal composto do MMS, é habitualmente usado a nível industrial, nomeadamente no tratamento de águas.

A Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária também não aprovou o composto como biocida.

Contudo, a venda do produto não é proibida.

O Infarmed explica ao i que se trata de “uma lixívia” e que não deve ser usado como tratamento para nenhuma doença. Todavia, atesta que não tem competências para proibir a sua comercialização, já que não se trata de um medicamento.

Em Espanha, o produto já foi associado a, pelo menos, 26 casos de intoxicação.

A venda de MMS foi proibida em países como EUA e Canadá. Mas na Bolívia, pelo contrário, foi aprovado, face à falta de soluções no combate à pandemia.

Já em 2010, a Direcção Geral de Saúde (DGS) alertava para os perigos para a saúde humana do uso deste produto.

Num comunicado, a DGS sublinhava que é perigoso para a saúde, nomeadamente se dois dos seus compostos (clorito de sódio e dióxido de cloro) estiverem em contacto com os olhos e a pele.

Os efeitos tóxicos do produto, após ingestão oral, variam segundo a quantidade, mas passam por vómitos, febre, dores epigástricas, torácicas e, algumas vezes, podem provocar mesmo queimaduras graves das mucosas do esófago e do estômago, frisava ainda a DGS.

Com o medicamento a voltar a ser notícia devido à pandemia de covid-19, a autoridade do medicamento norte-americana, a Food and Drug Administration (FDA), já veio fazer um alerta, apontando que ingerir MMS é, basicamente, como “beber lixívia”.

“Alguns distribuidores estão a fazer falsas e perigosas alegações de que um Suplemento Miraculoso Mineral misturado com ácido crítico é um líquido anti-microbiano, anti-viral e anti-bacteriano que é um remédio para o autismo, o cancro, o VIH/SIDA, a hepatite, a gripe e outras condições”, aponta a FDA, sublinhando que não conhece “nenhuma investigação que mostre que estes produtos são seguros ou efectivos para tratar qualquer doença”.

Assim, não devem ser usados porque “não foram feitos para serem engolidos por pessoas”, conclui a entidade.

ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. Lixívia? O Dióxido de Cloro?
    Não meus caros. Informem-se bem
    Lixívia – hipoclorito de sódio NaClO
    Dióxido de Cloro – ClO2
    Bebemo-lo misturado na água que consumimos e utilizam-no para desinfectar o sangue das transfusões.
    Agora, que as farmacêuticas estão preocupadas, não há dúvidas.

  2. Meu caro, se reparar o termo lixívia no texto está entre parênteses, ou seja não é no sentido literal, quanto a ser utilizado para desinfectar sangue nas transfusões, seria bom não se basear apenas em “conhecimento facebookeano” e pesquisar um pouco mais além, sites de referencia, artigos científicos, etc, se bem que teorias da conspiração são sempre muito tentadoras.

    • Não são teorias de conspiração (esse é o argumento fácil que agora está em voga). Há décadas que os hospitais o usam.
      Um dos problema do mms é o próprio nome, que é de uma ingenuidade atroz. O John Humble podia ter trabalhado um pouco mais na escolha. A versão CDS (já é pouca sorte com os nomes) está mais bem documentada pelo Andreas Kalcker.

  3. Lixivia é o hipoclorito de sódio, NaClO que mais ou menos diluído, se utiliza em limpezas e desinfecções em graus diferentes de diluição consoante a aplicação.

  4. O que há é um desconhecimento e uma grande confusão entre estas duas substâncias. Hipoclorito que após adicionado uma % de água=Lexivia. O Clorito de sódio depois de adicionado % de ácido citrico (sintético) ou % de ácido cloridico=Dioxido de Cloro. São coisas completamente diferentes. Porém quando à cerca de 8 anos eu me dirigi à farmácia e pedi Clorito de sódio, o farmaceitico ri e diz; “Aqui não vendemos lexivia, vá a uma drogaria que eles vendem em garrafões de 5L” ao que respondi “Mas eu não lhe pedi Hipoclorito, pedi Clorito de sódio que se vende em pó frascos de 100gramas” Perante a minha insistência o farmaceitico ligou para o laboratório fornecedor e perguntou se existia tal produto e o preço, com uma expressão de surpresa volta-se o farmaceito para mim e pergunta! “você tem noção quanto custam 100gramas?” “Tenho! (respondi eu) o equivalente a 50 litros de lexivia” Fiz o pré-pagamento de 48,90euros e no dia seguinte lá estava o frasquinho de clorito desconhecido de alguém que “estudou” quimica. Eu uso à 8 anos sem quaquer problema, mas antes estudei, investiguei e experienciei antes de ingerir. As dosagens tem que ser exactas caso contrario os efeitos podem ser contrários ao desejado, aliás como qualquer medicamento cujas dosagem se não forem respeitadas pode fazer mal. Eu tomo apenas por prevenção, se alguém já tem uma doença confirmada o melhor é consultar o seu médico.

    • Eu diria que o Rui anda a dar forte na lixívia ou será no clorito de sódio?!
      “Porém quando à cerca de 8 anos eu me dirigi à farmácia e pedi Clorito de sódio, o farmaceitico ri e diz; “Aqui não vendemos lexivia…”
      e que tal “há cerca” e “lixívia”?
      E não é farmaceitico mas sim farmacêutico!
      E, já agora, química leva cento
      E depois volta ao mesmo “à 8 anos”… devia ser “há 8 anos”.
      Já para não falar nos acentos.
      Recomendo-lhe que reduza a dose do que anda a tomar.

      • Até eu me ri quando revi o texto depois de publicado, Quando se escreve num smartfone com os dedos é o que acontece, mas se quiseres dou-te uma lição de português, não pode ser é num smartfone

  5. Finalmente um medicamento contra a Covid19.
    O Trump tinha razão, bebam lixívia e ficam curados, provavelmente, da vida.
    E que tal beber muita água da rede e das piscinas, ambas têm lixívia, tem é que se consumir grandes quantidades (Brincadeira).
    O MMS não deve ser muito perigoso, até porque as autoridades não o proibiram, mas eu não desejo consumi-lo.

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