Socialistas questionam Carlos Moedas depois das declarações do virologista Pedro Simas

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ppdpsd / Flickr

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa

Depois de Pedro Simas ter referido que “o melhor é deixar o vírus disseminar-se”, numa entrevista à CNN Portugal, os socialistas enviaram um requerimento a Carlos Moedas a pedir explicações sobre a política da Câmara Municipal de Lisboa contra a pandemia de covid-19.

Os socialistas pedem a Carlos Moedas que esclareça “se a posição da autarquia” é ou não a mesma de Pedro Simas, uma vez que este é “responsável pelo pelouro da Saúde e assume o cargo de vereador em regime de substituição de algum dos titulares eleitos pelo PSD”.

A CNN Portugal teve acesso ao pedido de informação, no qual os vereadores do PS indicam que o especialista disse publicamente que “é preciso parar com os testes, parar com a testagem, parar com os isolamentos” e pedem que Moedas diga se vai mandar suspender o apoio às famílias que estão confinadas.

Além disso, pedem ainda respostas sobre a política de testes na capital e acusam o autarca de ter diminuído a testagem.

No pedido de informação, questionam “se a ideia da inutilidade da testagem, defendida na televisão por Pedro Simas, esteve na origem da inflexão da política de testes seguida por Lisboa, limitando o seu alcance e deixando de ter o plano mais abrangente e ambicioso do país”.

O Executivo de Moedas rejeita as acusações.

A CML reforçou largamente a testagem em Lisboa”, garantiu Filipe Anacoreta Correia, vice-presidente da autarquia, em declarações à estação televisiva. “É estranho e lamentável porque o PS é um partido com responsabilidade e nesta matéria não me parece que possa capitalizar muito do ponto de vista político.”

Pedro Simas também já reagiu, afirmando que deu as suas opiniões na condição de virologista. “Falei como cientista, não como conselheiro da Câmara.”

No documento, o PS diz-se também surpreendido com as declarações do especialista e coloca ainda dúvidas quanto aos apoios e vacinas.

“Como interpreta a posição do vereador, assessor, especialista, quando refere que a infeção natural pelo vírus Ómicron dá uma ‘imunidade natural muito mais completa’ do que a que resulta das vacinas? Os apoios da Câmara Municipal de Lisboa às famílias em confinamento ou aos lares de idosos sofrerão alguma mudança, nomeadamente ao nível do fornecimento de recursos de proteção que limitem a propagação do vírus?”, questiona.

Lisboa vs Porto

Os vereadores socialistas salientam que, em relação à testagem, a Câmara do Porto “tem 18 postos numa cidade com metade dos habitantes de Lisboa, [enquanto] a CML tem apenas 9”.

Filipe Anacoreta Correia rejeita comparações deste tipo, uma vez que a estratégia do assentou em postos próprios enquanto na capital a aposta se concentrou em protocolos com as farmácias.

“Em dezembro, por exemplo, foram feitos, ao abrigo da CML, 320 mil testes e destes 280 mil são das farmácias, sendo apenas o resto nos postos. No Porto é o oposto”, explicou o governante.

Dados oficiais da Câmara Municipal de Lisboa indicam que o número de testes tem subido todos os meses, tendo passado de 72 mil em outubro para 113 mil em novembro e 320 mil em dezembro.

O vice-presidente da CML garante que “enquanto a política da Direção-Geral da Saúde se mantiver” não vai haver alteração da estratégia camarária.

  ZAP //

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