Só a Troika e a Segurança Social aqueceram debate entre Passos e Costa

Manuel de Almeida / Lusa

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O recurso à ‘troika’ e o futuro da Segurança Social aqueceram hoje o debate entre o secretário-geral do PS, António Costa, e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, com o socialista ao ataque.

Num frente a frente transmitido por RTP, SIC e TVI, o secretário-geral do PS acusou a coligação PSD/CDS-PP de querer promover a especulação financeira através do plafonamento da Segurança Social, o que comparou a lançar os contribuintes “na situação em que estão os lesados do BES”.

Pedro Passos Coelho voltou a acenar com a anterior governação do PS: “Especulação foi aquilo que o Estado fez e ia fechando em 2011”.

O presidente do PSD negou a intenção de fazer cortes de 600 milhões nas pensões, mas insistiu que é preciso um acordo para encontrar poupanças nesse valor e considerou que não será difícil, apontando o programa no PS: “Verificamos que há várias medidas que se destinam a reforçar a Segurança Social, e perfazem muito mais do que 600 milhões por ano”.

O secretário-geral do PS, António Costa, começou ao ataque o debate com o presidente do PSD, acusando-o de pôr o país a regredir, mas Passos Coelho contrapôs que António Costa repete a receita “socrática” de “desastre” de 2009.

Estas posições foram trocadas na fase inicial do primeiro e único debate televisivo entre os líderes do PSD e do PS antes das eleições legislativas de 4 de outubro, realizado no Museu da Eletricidade, em Lisboa, transmitido em simultâneo na RTP, na SIC e na TVI e Moderado pelos jornalistas João Adelino Faria, Clara de Sousa e Judite de Sousa.

Pedro Passos Coelho foi o primeiro a falar para sustentar que os portugueses conseguiram ultrapassar um período muito difícil (2011/2014) na sequência da crise internacional e da aplicação do memorando da ‘troika’ em Portugal, abrindo-se agora, na sua perspetiva, “uma janela para futuro” com a consolidação da recuperação económica.

O líder socialista, logo na sua primeira intervenção, deu uma resposta dura, acusando o primeiro-ministro de não ter cumprido aquilo a que se comprometeu em 2011 perante os eleitores ao aumentar impostos, cortar salários e impostos, e subir a dívida.

“Entra para a História como o primeiro chefe de Governo que entrega ao seu sucessor um país com menos riqueza do que recebeu.

Nesta última legislatura, o Produto Interno Bruto caiu 4%“, sustentou o secretário-geral do PS, com o presidente do PSD a contrapor, de imediato, que países sob assistência financeira como a Irlanda e Grécia tiveram piores desempenhos em termos de destruição da riqueza.

Pedro Passos Coelho referiu-se aos dois executivos socialistas liderados por José Sócrates para sustentar que, entre 2005 e 2011, a dívida cresceu a um ritmo mais acentuado do que na última legislatura.

Mas o presidente do PSD aproveitou uma questão colocada por Judite de Sousa a António Costa sobre a herança económico-financeira dos governos socialistas para responder aos ataques do secretário-geral do PS.

Costa tinha antes dito que o programa atual do PS é diferente daquele que foi apresentado pelo seu partido em 2011, esse assente em obras públicas, o que levou Passos a observar que o líder socialista tivera “dificuldade em responder a uma parte da pergunta”.

“Disse que o programa do PS atual não tem as obras faraónicas do TGV ou outras consideradas essenciais por José Sócrates, mas tem posições parecidas com as do programa de 2009, como o estímulo ao consumo. Essa abordagem está no seu programa eleitoral, mas conduziu o país ao desastre”, afirmou o presidente do PSD.

Está enganado“, reagiu o secretário-geral do PS.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Eu não vi o debate por vontade própria mas o vencedor deve ter sido a gravata pois ouvi falar bastante em «qual seria a côr da gravata» antes do debate. Já agora o verdadeiro frente a frente vai ser com o povo nas urnas.

  2. Os jornalistas estiveram muito mal representados. Como se apenas as respostas estivessem sujeitas aos crivo do espectador!
    Naquele tipo de debate as perguntas não requerem nem introduções nem enquadramentos supérfluos. Não deveriam contribuir para o maçudo debate quando muito se esperava, tanto das questões como da moderação – ineficaz e até com interrupções extemporâneas.
    Não se fazem introduções às perguntas que diziam ser “directas” e até “objectivas”… O que é não se apregoa.
    No fim, nos canais de notícias, era suposto os entrevistados corresponderem ao desafio – Análise individual ao debate! Pois, um sujeitou-se à curiosidade do painel de jornalistas e o outro, limitou-se a capitalizar o tempo de antena num rebuscado intimismo com a câmera finalizado com um ‘obdo’ em desprezo pelos jornalistas que o aguardaram!

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