SIC rejeita cancelar Supernanny. “Masterchef até tem crianças com facas”

(dr) SIC

A SIC não está a pensar cancelar Supernanny, formato que teve boas audiências

O programa “Supernanny”, exibido pela SIC no domingo passado, deve ser suspenso para evitar a exposição de mais crianças. É o que defendem algumas personalidades, mas o canal reusa-se a retirar o reality show do ar, dando o exemplo da concorrência que também tem programas com crianças.

A presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Dulce Rocha, é uma das vozes que defende a suspensão do reality show “Supernanny”, notando que “a própria SIC devia fazê-lo”, afirmou ao Observador.

A responsável confessa que ficou “muito chocada” com o programa, onde uma “super-ama”, a psicóloga Teresa Paula Marques, ensina pais a lidarem com as birras e com o mau comportamento dos filhos. Dulce Rocha entende que “Supernanny” pode “pôr em causa a própria dignidade da criança“.

Mas a SIC não está a pensar em retirar do ar um formato que teve boas audiências na estreia, no passado domingo, sendo o terceiro programa mais visto do dia. Ainda assim, “Supernanny” não conseguiu bater a concorrência directa, o “Master Chef Junior”, que passa na TVI com cozinheiros crianças.

E é precisamente recorrendo ao programa concorrente que a coordenadora do gabinete de comunicação da SIC, Carla Martins, refere ao Diário de Notícias que “Supernanny” “está longe de ser o único programa com crianças que recebe este tipo de críticas”.

“Há programas de talentos em que as crianças têm um sonho e são obrigadas a lidar com as suas frustrações em público”, declara a responsável de comunicação do canal, “e há até aqueles, como o Master Chef, em que manuseiam facas“,

“Não estamos a equacionar a retirada do ar”, conclui, salientando a “legitimidade” do programa pelo facto de as filmagens das crianças serem devidamente autorizadas pelos pais.

Independentemente deste dado, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) já veio alertar que o programa apresenta um “elevado risco” de “violar os direitos das crianças”.

Processo na Comissão de Protecção de Crianças

A mãe da criança de 7 anos que foi protagonista do primeiro episódio do reality show foi ouvida, esta segunda-feira, pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da zona de residência da família. Também foi notícia que a mãe recebeu mil euros para participar.

“O Ministério Público tem estado em contacto com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, onde existe um processo de promoção e protecção a favor da criança”, revelou, entretanto, uma fonte da Procuradoria Geral da República ao Observador.

Esta intervenção do Estado no processo deve ser “sempre mínima”, defende nesta publicação um juiz de Família e Menores que não quis ser identificado. “Se os pais e os familiares forem colaborantes, a comissão pode chegar à conclusão de que não há intervenção”, considera.

Também o juiz de Família e Menores de Mafra, Joaquim Manuel da Silva, coloca de parte a retirada da criança da família. “Tirar as crianças aos pais sem primeiro apostar neles é algo que vai contra o interesse superior da criança“, nota o magistrado no jornal online.

Programa pode ser suspenso e “super-ama” pode ser expulsa da Ordem

O constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, e professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Nova, defende no Observador que o Ministério Público tem poderes para solicitar ao tribunal a suspensão do programa.

A mesma ideia é defendida pela presidente do IAC no DN. “Estou convencida de que a lei que temos permite suspender o programa, assim haja vontade”, considera Dulce Rocha, que é também magistrada do Ministério Público.

A magistrada acredita que “será possível a interposição de uma providência cautelar” para “prevenir a exposição de mais crianças” no programa.

Também a “super-ama” Teresa Paula Marques, que faz o papel de educadora no reality show da SIC, arrisca ser suspensa da Ordem dos Psicólogos ou, em última instância, expulsa.

À Ordem chegaram várias queixas contra a profissional que tem 25 anos de experiência como psicóloga clínica. Para já, ainda não foi aberto nenhum processo, mas o caso está já a ser averiguado internamente.

Teresa Paula Marques já disse que não participa no programa enquanto psicóloga.

SV, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Não gostam não vejam! Eu não vi o programa, mas acho uma hipocrisia virem alegar que se põe em causa os direitos das crianças quando não se incutem os DEVERES nas crianças. Além de que o programa pode ajudar alguns pais na educação dos seus filhos mais rebeldes. Só quem é pai é que sabe o quão difícil pode ser por vezes a educação de uma criança… E por falar nelas, que tal retirarem o trabalho infantil das novelas e filmes? Já que não é permitido que as crianças tenham um trabalho, mesmo a ajudar os pais nos seus negócios, porquê permitir o trabalho infantil na Tv? Vamos mas é deixar-nos de hipocrisias e dedicar o nosso tempo ao que é mais importante!

    • E as crianças? Pediram-lhes autorização para serem expostas daquela maneira?
      Bastou o trailler do programa para o miúdo que nele aparecia ter sido gozado na escola!
      Todas as crianças têm direito a ser educadas mas não à custa da sua vergonha e auto-estima!!!

  2. Também eu não vi o programa mas agora estou curioso, e sei que muitas das vozes que se levantam é que devem de ser educados a respeitar os outros, pois neste caso, parece-me que toda a gente tem opinião sobre os outros e as crianças dos outros, e isso também me parece um abuso.
    Se alguém houver que saiba dar uma ajuda aos pais na educação dos filhos, temos todos a ganhar com isso.
    Se a mãe da criança recebeu 1000€, decerto os partilhará com de alguma forma com a criança, até mesmo sob a forma de alimentação.
    Se uma psicóloga com 25 anos de experiência não puder de alguma forma ajudar as pessoas com a sua experiência profissional de forma gratuita na TV, mas apenas a cobrar no seu consultório, fico a pensar que a razão de quem levanta estas questões é outra que não a dignidade das crianças.
    Para além de tudo existem muitas pessoas e crianças a tirar a dignidade a outras crianças neste momento no privado e não me parece que se esteja a fazer muito sobre isso.

    • Eu acho que a indignação geral, pelo menos a minha é, é pela vergonha a que estas crianças são expostas sem seu consentimento. Não me parece que uma criança ser castigada em frente às comeras e vista por meio Portugal vá criar memórias saudáveis nela. Já para não falar no aumento da probabilidade bullying a que estará sujeita na escola. Fazer isto a uma criança é fragilizá-la. Se a senhora é psicóloga deveria saber disto!

      • Concordo consigo acerca do facto que existem situações embaraçosas e este programa poderá de facto revelar algumas, mas à muito que vejo com grande consternação os mais variados programas e concursos de televisão que têm como foco crianças, em que todas as semanas são umas crianças preteridas por outras, e as que são eliminadas com frequência choram perante as câmaras. Esse momento demonstra um grande sofrimento gratuito, explorado até à exaustão em prol de audiências. Não me parece nada construtivo, ou educativo, ao passo que este “Supernanny” pelo menos ajuda na educação de muitos pais e crianças que neste momento sentem uma dificuldade imensa em conseguir formar uma personalidade forte e estável e equilibrada para o futuro.
        Somos todos culpados por este tipo de programa surgir, porque:
        – Temos uma sociedade que não sabe ou não consegue educar de forma competente os seus cidadãos, desde os pais, professores, autoridades, advogados e juízes. Todos os dias assistimos a comportamentos vergonhosos por parte de muitos cidadãos e sem qualquer tipo de punição.
        – Porque somos audiência atenta da desgraça alheia, sem olhar-mos para nós próprios, e identificar que o problema somos nós todos.
        – Porque estamos mais interessados em esconder os problemas e passar a ideia que tudo está bem, em vez de enfrentar as dificuldades com o intuito de as resolver.
        Toda esta polémica, demostra parcialidade e incompetência por parte da nossa sociedade e autoridades, e revela o desnorte em que estamos mergulhados.

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