Programa “Supernanny” da SIC pode violar direitos das crianças

O programa “Supernanny” da SIC apresenta um “elevado risco” de “violar os direitos das crianças”, alerta a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ).

Esta posição da CNPDPCJ, divulgada pela agência Lusa, surge depois da estreia de “Supernanny“, o novo programa da SIC para as noites de domingo. Trata-se de um reality show no qual uma psicóloga clínica se desloca a casa de uma família para ajudar os pais a controlarem a rebeldia dos filhos.

Para a CNPDPCJ, o programa revela “um elevado risco” de “violar os direitos das crianças”, especificamente quanto ao “direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”.

A Comissão entende que o programa é “manifestamente contrário ao superior interesse da criança, podendo produzir efeitos nefastos na sua personalidade, imediatos e a prazo”.

O programa da SIC já levou à apresentação de diversas queixas na CNPDPCJ, confirma esta entidade, notando que remeteu ao canal televisivo a sua “preocupação face a este tipo de formato e conteúdos solicitando uma intervenção com vista à salvaguarda do superior interesse da criança”.

(dr) Channel 4

Formato com origem no Reino Unido, “Supernanny” é exibido em vários países – agora também em Portugal, na SIC

Também enviou um pedido de análise do caso para a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e endereçou o episódio deste domingo para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) para “avaliação e acompanhamento do caso” específico abordado.

A “Supernanny” do programa, Teresa Paula Marques, que ajuda os pais a ultrapassarem os problemas com os seus filhos, durante o reality show, remete para a produtora Warner Bros. TV Portugal e para a SIC quaisquer esclarecimentos.

“Não estou no programa como psicóloga”, refere em declarações ao Observador. Teresa Paula Marques, de 51 anos, é psicóloga clínica, já fez mediação familiar e escreveu vários livros sobre aconselhamento parental.

Quanto à questão da violação da privacidade e dos direitos das crianças que aparecem no programa, a psicóloga clínica nota que “é um problema da SIC”.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Pois eu achei o programa fantástico, uma grande escola de Pais e uma ajuda enorme para aqueles que não sabem mais o que hão-de fazer com os «tiranos» que têm em casa. Conheço algumas mulheres que depois de passarem pela experiência de serem Mães nestes tempos de «direitos» sem deveres, reconhecem dramaticamente, que se soubessem o que sabem hoje, nunca teriam tido os filhos. Eu, que sou avó, digo o mesmo, que desgastante é ter filhos nestes tempos e netos, digo eu!!

  2. Penso que o programa é lúdico e a mim como mãe já me ajudou bastante. Em contrário a comissão de menores só se preocupa com aquilo que não deve e o que realmente importa, crianças mal tratadas, violência psicológica etc, ignoram, assim como o meu caso que pedi ajuda e sem averiguarem arquivaram o processo.
    Agora protestam conta um programa que quem participa tem plena liberdade para o fazer. Vejam os caso que passaram a publico, só agem depois do mal estar consomado.

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