Russos também afirmam que Arafat não foi envenenado

Thomas Hawk / Flickr

Yasser Arafat, antigo líder da Autoridade Palestiniana

Yasser Arafat, líder da Autoridade Palestiniana falecido em 2004

Os peritos russos encarregados de analisar amostras do corpo de Yasser Arafat excluíram a hipótese de o líder palestiniano ter sido envenenado e concluíram que a morte foi natural.

“Concluímos todas as análises. A pessoa teve morte natural e não morreu por radiação”, disse Vladimir Uiba, chefe da Agência Federal de Análises Biológicas da Rússia, numa conferência de imprensa.

O cadáver de Arafat, morto em 2004, foi exumado em 2012 e cerca de 60 amostras foram distribuídas por três equipas de peritos – uma russa, uma suíça e uma francesa – a pedido da viúva do líder palestiniano, Suha Arafat.

O grupo francês também descartou a hipótese de envenenamento, mas a equipe suíça detectou altos níveis de polônio 210, substância altamente radioativa, nas amostras analisadas.

Vladimir Uiba disse à imprensa que a sua agência não recebeu qualquer pedido para repetir os exames: “Concluímos a avaliação e todos concordaram. Além disso, os suíços retiraram as suas conclusões e os franceses confirmaram as nossas”, acrescentou.

“Declaração política”

Um dos peritos suíços que analisou amostras do corpo de Yasser Arafat afirmou hoje que as conclusões da equipa russa excluindo o envenenamento do líder histórico palestiniano são uma “declaração política” sem fundamento científico.

“Os russos avançam coisas sem fornecer qualquer dado ou qualquer argumento científico, pelo que, para mim, não significa nada, é uma declaração política”, disse François Bochud, diretor do Instituto de Radiofísica de Lausanne, precisando que o relatório russo não lhe foi enviado.

Bochud é um dos autores de um relatório publicado a 07 de novembro que privilegia a tese do envenenamento de Arafat por polónio. Os peritos suíços indicaram no documento ter medido níveis de polónio até 20 vezes superiores aos normais, mas não afirmam categoricamente que a substância, altamente radioativa, tenha provocado a morte do dirigente palestiniano.

Investigações vão continuar

O embaixador da Palestina em Moscovo, Faed Mustafa, informou que, apesar das conclusões dos peritos russos, as autoridades do país não vão encerrar a investigação sobre a morte de Arafat. “Só posso dizer que já foi decidido continuar” a investigação, disse Mustafa. “Respeitamos a posição deles, valorizamos muito o seu trabalho, mas decidimos continuar a trabalhar”, acrescentou.

Arafat começou a ter problemas gastrointestinais em 12 de outubro de 2004 e, depois de uma série de complicações, foi transferido da Cisjordânia para um hospital militar de Paris, onde morreu em 11 de novembro. À época, o corpo não foi autopsiado a pedido da viúva, Suha Arafat. Em julho de 2012, no entanto, ela apresentou à Justiça francesa uma queixa contra desconhecidos, depois da descoberta de níveis anormais de polônio, uma substância radioativa altamente tóxica, nos objetos pessoais do marido.

ZAP / ABr / Lusa

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