ONU identifica possíveis crimes de guerra em Gaza

Amir Farshad Ebrahimi / Flickr

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Quer Israel quer os grupos armados palestinianos podem ter cometido “crimes de guerra” durante o conflito na faixa de Gaza em 2014, consideram as Nações Unidas num relatório divulgado esta segunda-feira em Genebra.

A Comissão Independente de inquérito das Nações Unidas sobre aquele conflito reuniu “informações substanciais que apontam para possíveis crimes de guerra cometidos por Israel e pelos grupos armados palestinianos“, indica-se no relatório pedido pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

Mais de 2.140 palestinianos, 1.462 dos quais civis e um terço destes crianças, e 73 israelitas, sobretudo soldados, morreram no conflito de sete semanas entre julho e agosto de 2014.

“A extensão da devastação e o sofrimento humano em Gaza foi sem precedentes e terá impacto sobre as gerações vindouras”, disse a presidente da comissão, a juíza de Nova Iorque Mary McGowan Davis, num comunicado.

No relatório refere-se o “enorme poder de fogo” utilizado em Gaza, com Israel a lançar mais de seis mil ataques aéreos e a disparar 50 mil projéteis de artilharia durante os 51 dias que durou a operação.

Os grupos armados palestinianos dispararam sobre Israel no mesmo período 4.881 mísseis e 1.753 morteiros. Seis civis morreram e pelo menos 1.600 outros ficaram feridos.

A ONU denuncia “a impunidade que prevalece a todos os níveis” no que se refere à ação dos forças israelitas e apela a Israel para “inverter o seu lamentável histórico” e julgar os responsáveis.

Lamenta igualmente que as autoridades palestinianas tenham “falhado sempre” na condução à justiça dos que violam as leis internacionais.

A comissão expressa “preocupação com a ampla utilização por Israel de armas letais num importante raio” em torno do impacto, criticando igualmente o disparo “indiscriminado” de milhares de foguetes por palestinianos visando “espalhar o terror” entre os civis israelitas.

Israel opôs-se vivamente à decisão de realização desta investigação e não permitiu à comissão de inquérito da ONU deslocar-se ao local.

A comissão recolheu os testemunhos dos dois lados por teleconferência ou por telefone. O presidente da comissão demitiu-se por pressão de Israel, retardando a publicação do relatório de março para junho.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Para quê tanto esforço se os patronos americanos e outros amigos merdosos (perdão, queria dizer medrosos) inviabilizam sempre qualquer resolução na ONU?
    Repare-se no caricato que foi Israel não permitir que os investigadores se deslocassem a GAZA, o que demonstra à saciedade, o “gueto” em que vivem os desgraçados palestinos.
    E o que dizer da suavidade ( ou medo de afrontar os tais amigos) das conclusões ao querem comparar os danos provocados pelos foguetes de Gaza com os violentos bombardeamentos sionistas-70 soldados de Israel versus 2500 palestinos, entre estes 500 crianças. Francamente, mais valia terem ficado quietos. Porque enquanto o “chapéu de chuva americano” existir, mesmo as mais abomináveis atrocidades irão ficar sempre impunes.

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