Conversas que parecem normais são transformadas em penas de prisão. Há russos que não deixam passar certos comentários.
Em Portugal poderia fazer lembrar os “bufos” da PIDE. Na Rússia faz lembrar os tempos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Há russos que andam a denunciar outros russos, quando ouvem comentários sobre algum assunto que acham que justifica uma denúncia.
Conversas que parecem normais são transformadas em penas de prisão para quem diz o que (acha a outra pessoa) não devia.
Há uma tendência crescente de denúncia entre os russos. Os assuntos costumam andar à volta da guerra na Ucrânia, mas também são acusados de outros alegados crimes políticos.
Têm surgido relatos de vizinhos que denunciam vizinhos, de fiéis que denunciam padres e de alunos que denunciam professores.
Há quem diga que esta onda de denúncias está a ajudar o Kremlin a reprimir, a controlar os críticos.
Ainda será um resquício que ficou dos tempos da URSS, quando reinava uma atmosfera de desconfiança sobre quem morava ao lado.
Um caso destacado pela agência Reuters é o de uma pediatra que estava numa consulta normal, a tratar de uma criança que tinha um problema num olho. A certa altura, a mãe do rapaz diz que o seu filho estava traumatizado porque o pai tinha morrido na guerra na Ucrânia. A médica (que nasceu na Ucrânia) respondeu: “Bem, minha querida, estava à espera do quê? O seu marido era um alvo legítimo para a Ucrânia“.
A médica virou prisioneira. Foi detida.
Isto porque a mãe da criança saiu da consulta a pensar: “Onde posso apresentar uma queixa contra esta cabra, agora? Quero é que ela seja expulsa do país, ou que seja enviada para a prisão”.
Denunciou, o caso seguiu para a Justiça.
Julgamento?
Já em tribunal, a médica nada disse.
Mas a denúncia foi suficiente para acabar com a sua carreira – e com a sua vida em liberdade, nos próximos anos.
Foi considerada culpada, ao abrigo de uma lei de censura em tempo de guerra, por “divulgar publicamente informações deliberadamente falsas” sobre as forças armadas.
Foi condenada a 5 anos e meio de prisão.
Durante o julgamento, aconteceram alguns episódios… peculiares.
A mãe da criança mudou a narrativa a meio das perguntas; o advogado da médica não teve autorização para fazer perguntas à criança.
A acusação mostrou mensagens do telemóvel da médica, que apresentavam alguém com opiniões pró-ucranianas e anti-russas; mas a defesa assegura que alguém colocou lá aquelas mensagens, que não tinham sido escritas pela acusada.
Quando foi declarada culpada, na semana passada, disse aos jornalistas que nem conseguia perceber o que tinha acontecido ali dentro. “Talvez consiga mais tarde”.
O Kremlin não comentou o assunto porque não comenta decisões dos tribunais, justificou o porta-voz Dmitry Peskov.
Desde o início da guerra na Ucrânia, mais de 20 mil russos já foram detidos por declarações ou protestos anti-guerra.
Parece? Estava achar estranho tanto comunista anda tão feliz e activo apoiar o Putin…. Está explicado
A Rússia, que vergonha de país!
No que se tornou, tem todos os condimentos para acabar muito mal, infelizmente,vai ser doloroso e rápido.
Regime de Terror Russo tipo Nazi.