Rui Moreira: o cerco da vergonha, da glória e a pastorinha de Fátima

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Presidente da Câmara Municipal do Porto no comício do CDS, 47 anos depois do cerco ao congresso do partido.

25 de Janeiro de 1975. Porto, Palácio de Cristal. Nove meses depois da revolução do 25 de Abril de 1974, o primeiro congresso do CDS, que ficou marcado por manifestações e confrontos com agentes da polícia.

Um cerco recordado nesta terça-feira, exactamente 47 anos depois, e que foi o pretexto para um discurso de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto.

“Foi uma página vergonhosa mas gloriosa. Porque houve os que ficaram dentro e ganharam, e os que ficaram fora e perderam, e têm perdido sucessivamente. Mas alguns dos que perderam ainda não se esqueceram de que perderam“, disse o autarca.

“São eles que têm vergonha de se lembrar deste dia e de celebrar o 25 de novembro. São eles que põem a pele de cordeiro e agora até um ar de pastorinha de Fátima. Se eles pudessem, se nós deixássemos agora, eles estavam ali fora e não nos deixavam sair”, continuou o independente, embora apoiado pelo CDS.

Rui Moreira reforçou o seu agradecimento ao único partido que o apoiou nas três candidaturas à autarquia portuense, recordando o processo Selminho, no qual era suspeito: “Caíram sobre mim suspeitas e calúnias complicadas, que felizmente se resolveram na sexta-feira passada (foi absolvido por falta de provas). Mais uma vez, o CDS esteve comigo“.

António Lobo Xavier afirmou, numa mensagem de vídeo, que hoje o cerco é outro: “O CDS está cercado não por essa esquerda que entretanto foi branqueada, mas pelas dificuldades que resultam do facto de haver vários projetos que podem confundir o eleitorado, sobretudo à direita do PS“.

O Chega – que não foi mencionado por Lobo Xavier – é um “partido não democrático que despreza valores fundamentais da civilização”, enquanto a Iniciativa Liberal “tem boas ideias para a economia, mas não sabe o que fazer à pobreza e à fragilidade do país”.

Lobo Xavier repetiu a ideia de que o CDS continua a ser cercado, embora admita que a existência do CDS esteja “ameaçada”. “O CDS está cercado e, como hoje, tenho a certeza de que vai resistir”, acredita.

Francisco Rodrigues dos Santos reforçou esta última frase: “O CDS é um partido que nunca morrerá porque tem alma“, enquanto se afastou novamente de um bloco central: “Com um CDS forte haverá uma governação laranja de direita no governo. Sem um CDS forte haverá uma torta de laranja no governo”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

1 Comment

  1. Nunca pensei ver o Moreira com tão más companhias… começo a duvidar que afinal o processo pode ter alguma razão… se o CDS foi o único que ficou ao seu lado, também é mau sinal…

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