Governo já está a desenhar um plano de desconfinamento. Rio quer desconfinar por regiões ou concelhos

ppdpsd / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

Depois de uma primeira ronda de audiências, onde anunciou que o decreto do novo estado de emergência será igual ao da última quinzena, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, esta quarta-feira, o Bloco de Esquerda, o PSD e o PS.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ouviu o Bloco de Esquerda, o PSD e o PS esta quarta-feira, na véspera da votação da renovação do estado de emergência no Parlamento. Nas audições de terça-feira, o IL, o Chega, o PEV, o PAN, o CDS-PP e o PCP insistiram na necessidade de o Governo começar a preparar o desconfinamento.

À saída da audiência com o chefe de Estado, José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, anunciou que o Governo está a construir com os técnicos um plano de desconfinamento que permita “decidir sem precipitações”.

Já Rui Rio, líder do maior partido da oposição, propôs que se regresse ao modelo de diferenciação de medidas por regiões ou concelhos.

BE: “Governo não cumpriu a sua obrigação”

Depois de conversar com Marcelo Rebelo de Sousa, a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou o Governo de não estar a cumprir as suas obrigações.

O povo português cumpriu a sua obrigação de controlar a pandemia, infelizmente o Governo não cumpriu”, atirou, citada pelo Expresso, numa referência à falta de apoios sociais e económicos e de preparação para o desconfinamento.

Apesar de admitir que a situação epidemiológica em Portugal “merece ainda toda a preocupação e todas as cautelas”, a coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu que é preciso começar a reabrir as creches e as escolas de forma gradual. Para isso, sublinhou, é preciso criar condições.

Assim, a bloquista frisou que é necessário reforçar os recursos humanos, realizar testes em massa e dar prioridade na vacinação contra a covid-19 ao pessoal docente e não docente. Os profissionais da educação “estão na linha da frente e são fundamentais para o funcionamento do país”, disse.

A maior divergência com o Governo reside no plano de reabertura do país. Catarina Martins defendeu que o Executivo de António Costa deve dar um horizonte sobre o desconfinamento, especialmente no que diz respeito aos estabelecimentos de ensino.

PSD: “País deverá ter um desconfinamento por regiões”

Esta quarta-feira, depois de ter conversado com o chefe de Estado, Rui Rio sublinhou que “o poder político deve ouvir os técnicos e depois decidir” para “se começar a desconfinar”. Em declarações aos jornalistas, defendeu que, mais importante do que uma data, é saber “em que circunstâncias desconfinamos”.

Desta forma, o líder do maior partido da oposição defendeu que “o país deverá ter um desconfinamento por regiões“, incluindo nas escolas. “Se esta situação tiver e se prolongar no tempo, não devemos continuar a penalizar regiões que estão a ser penalizadas pelos números totais do país.”

“Se pudermos despenalizar os de Évora, que estão a ser prejudicados pelos números de Lisboa, porque não?”, questionou, citado pelo Público.

Para o período de desconfinamento, Rio realçou a importância da “capacidade acrescida de testagem”. Quanto ao plano, “já é tarde”: esse plano “já devia ter sido feito”.

Apesar das críticas, o PSD vai votar favoravelmente à renovação do estado de emergência na quinta-feira. Em relação às autárquicas, Rio voltou a deixar claro que continua a querer adiar as eleições.

PS: Governo prepara plano para o desconfinamento

À saída da audiência com Marcelo, o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, considerou que a atual situação sanitária exige a continuação do confinamento geral e advertiu que pressões para o desconfinamento conduzem a precipitações. “Os portugueses têm vindo a fazer grandes sacrifícios” que “não podemos deitar por terra”.

O socialista anunciou que o Governo já está a preparar, juntamente com as autoridades de saúde, um plano para o desconfinamento. De acordo com José Luís Carneiro, o país deve reabrir “de forma segura” e o plano deve suscitar “a confiança das pessoas e das instituições”.

O secretário-geral adjunto do PS rejeitou as críticas dos partidos em relação à suposta falta de planeamento do desconfinamento. “Os mesmos que hoje pedem apressadamente planos para o desconfinamento são os mesmos que há semanas atrás pediam um rápido confinamento”, atirou.

“É importante que se prepare o desconfinamento com toda a ponderação e análise das variáveis”, sublinhou, acrescentando que é importante que “os apoios sociais económicos continuem a chegar às pessoas, às famílias e às empresas” e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) responda tanto a doentes covid como não covid.

Liliana Malainho, ZAP //

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11 COMENTÁRIOS

  1. Espero mesmo que os «mecanismos de controle da informação» não consgam impedir que o país conheça os resultados de um ENSAIO CLÍNICO que está a ser feito na Polónia, pago pelo govrno polaco, e que o POVO de cá não seja manso como os bois»… Sráa isso que Rui Rio se refere? Sinceramente, não tem «pano na carapuça» para lá chegar…

  2. Ainda agora começou, e já querem abrir esta porcaria toda…! Deviam ter pressa é no envio do dinheiro para as empresas, para evitar as milhares e milhares de falências.

  3. Senhor Rui Rio o País é de Norte a Sul, estamos todos confinados, se é para desconfinar deve ser a todo o País e não só a alguns, não há portugueses de 1ª,2ª 3 3ª, muito gostam os políticos de dividir os cidadãos, perguntar não ofende: Rui Rio diga o que fazia e de que forma se fosse governo? Que ideias tem parra sairmos do atoleiro em que toda a classe politiza nos meteu? Agora até é fácil cagar bitaites mas quando apareceu a Pandemia aí é que seria bom que os políticos dissessem o que fariam se tivessem no lugar do governo.

    • Primeiro, abrem as ESCOLAS; de seguida, os cafés do Chiado; mais tarde, abrem-se os cafés de Bragança e as padarias de Setúbal; quando for conveniente, abrem-se dois restaurantes a Norte, três a Sul, e trinta e quatro no Centro. Dentro de dois meses, podem ser abertas duas barbearias em Lisboa, sete cabeleireiros em Gaia, e onze cabeleireiros espalhados pelo Alentejo.
      O resto… é conversa!

  4. Penso que deve ficar tudo fechado até não ser preciso abrir por já não haver portugueses a trabalhar. Tudo desempregado. É depois só resta abrir sepulturas pata todos quantos morram à fome ou forem mortos em assaltos.

  5. Com esta confusão toda, quem se salva são os que morreram…, os outros, ficam desgraçados para os resto das suas vidas.

    Daqui a pouco tempo não há nada para abrir. Está tudo falido!

  6. Primeiro, abrem as ESCOLAS; de seguida, os cafés do Chiado; mais tarde, abrem-se os cafés de Bragança e as padarias de Setúbal; quando for conveniente, abrem-se dois restaurantes a Norte, três a Sul, e trinta e quatro no Centro. Dentro de dois meses, podem ser abertas duas barbearias em Lisboa, sete cabeleireiros em Gaia, e onze cabeleireiros espalhados pelo Alentejo.
    O resto… é conversa!

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