EUA não estão sozinhos. Resistência ao poder chinês tem-se espalhado pela Europa (mas com cautela)

CJCS / Flickr

O Presidente da China, Xi Jinping

A relação pouco amigável entre os EUA e a China é de conhecimento geral, pois os dois estados lutam por conquistar o título de maior potência comercial. Contudo, a conduta anti-China já se começa a disseminar pelo Ocidente. Ainda assim, esta resistência é feita com cautela, ou não fosse o país asiático uma importante força  comercial.

Em março de 2019, Xi Jinping foi até Paris para se reunir com o presidente francês Emmanuel Macron, com a chanceler alemã Angela Merkel e com o então presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Segundo declarações de um oficial presente durante a reunião ao WSJ, o presidente chinês pressionou os três líderes a darem-lhe apoio no panorama internacional, numa altura em que a guerra comercial entre o país e os EUA estava a escalar cada vez mais.

De acordo com o funcionário, tanto Merkel como Juncker tentarem manter um ambiente cordial, mas Macron foi mais direto e disse ao Presidente chinês que o via como um rival. Semanas depois, a França enviou um navio de guerra pelo estreito de Taiwan, provocando Pequim, que acusou o veículo de entrar ilegalmente em águas chinesas.

Dentro da China, a autoridade de Xi Jinping é cada vez mais vista como absoluta. No país, o líder político afastou rivais, silenciou dissidentes e reforçou a sua popularidade ao promover um ressurgimento da China sem medo de afirmar os seus interesses.

Porém, o maior desafio não tem estado dentro das fronteiras, mas sim em outras partes do mundo, em países cujas visões de Pequim mudaram drasticamente em apenas alguns anos.

Os países que antes evitavam “perturbar” Pequim estão agora a aproximar-se da postura mais rígida de Washington – a França deu provas disso.

Mudança de posição

Depois de vários anos a tentar não contrariar a China, são vários os países que têm alterado esta conduta mais amigável, e pelo o mundo fora há vários exemplos dessa mudança de paradigma.

A Austrália tornou-se num dos primeiros países a bloquear a Huawei Technology Co. no seu território, sendo também um dos primeiros países a considerar a China responsável pela forma como o coronavírus se espalhou no mundo.

A Índia, que já foi um pilar do país, está a expandir a cooperação militar com os EUA enquanto luta com a China por fronteiras contestadas na região dos Himalaias.

A Europa, apesar de agora comercializar quase tanto com a China quanto com os EUA, instalou novas barreiras às aquisições e tecnologias chinesas.

No caso do Reino Unido e da França, estes países têm diminuído a capacidade da Huawei de competir na Europa e, embora a Alemanha continue cautelosa, os debates sobre a dependência da Europa da China estão a ficar cada vez mais quentes.

Esta mudança de conduta tem-se agravado devido ao facto dos grandes líderes mundiais ficarem descontentes com a forma como o governo de Xi Jinping lida com alguns assuntos.

A forma como Pequim lidou com o novo coronavírus na fase inicial, a restrição de liberdades em Hong Kong – situação em que os países da UE apoiaram por unanimidade as sanções –  e os recorrentes maus tratos a minorias étnicas são algumas das razões que ajudam a pintar um cenário mais negro na China.

Em outubro, uma pesquisa do Pew Research Center constatou que a desconfiança em Xi Jinping atingiu níveis máximos em quase todos os países analisados.

A China considera que as opiniões negativas em relação a Pequim são um problema principalmente nos países ocidentais, mas garante que estas foram alimentadas por Washington.

Limites na oposição a Pequim

Mesmo contrariando a China em alguns aspetos, o poder económico do país é forte o suficiente para que a maioria dos estados não se possa dar ao luxo de pressionar Pequim.

Numa altura em que vários países iniciam o processo de vacinação, muitos esperam que a potência asiática financie infraestruturas ou ajude no acesso às vacinas contra a covid-19.

De acordo com autoridades europeias, Angela Merkel é uma das líderes mundiais que continua comprometida com Pequim. A chanceler alemã tem sido o principal elo de ligação para que a UE conclua um pacto de investimento que vincula ainda mais a economia europeia à da China. E este acordo aconteceu.

Na passada quarta-feira, dia 30 de dezembro, a União Europeia e a China chegaram a um “acordo de princípio” sobre Investimentos, ao fim de sete anos de negociações, durante uma videoconferência entre líderes da UE e o Presidente chinês.

De acordo com Bruxelas, este acordo político “irá criar um melhor equilíbrio nas relações comerciais UE-China”, uma vez que “a UE tem sido tradicionalmente muito mais aberta do que a China ao investimento estrangeiro”.

Pequim “compromete-se agora a abrir-se à UE numa série de sectores-chave” e a assegurar “um tratamento justo” às empresas europeias, de modo a que estas possam competir em condições de igualdade, referiu a Comissão Europeia.

A “conclusão em princípio” ocorreu durante uma videoconferência na qual a UE esteve representada pelos presidentes da Comissão, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel, tendo ainda participado a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, enquanto a China se fez representar pelo seu chefe de Estado, Xi Jinping.

No início do mandato de Xi, a maioria dos líderes europeus via a China como uma oportunidade, e agora, apesar de haver um certo “conflito” de alguns ideais, as relações comerciais entre os dois lados estão asseguradas. Resta saber se o mesmo vai continuar a acontecer em outras áreas igualmente importantes.

Ana Moura, ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto a China não fôr um país aberta, transparente, democrática e não-expansionista, ela deve ser tratada como hostil e perigosa.
    Qualquer país totalitária procura a coesão nacional a volta de agressividade com os vizinhos, que neste mundo globalizado, somos todos.

    • Enquanto a China não for um país aberto, transparente, democrático, e não-expansionista, deve ser tratada como hostil e perigosa. Qualquer país totalitário procura a coesão nacional à volta da agressividade com os vizinhos que, neste mundo globalizado, somos todos nós.

    • ERRADO!
      Não é pora aí que o Mundo “parava”. Irias pagar um pouco mais, feito na UE ou USA. Mas isso trazia mais “vantagens” para o consumidor, pois abria-se o “mercado da livre concorrencia” com efectiva “inovação”, a qual pela via da “Copia” e do “Baratinho” do Chines tem remetido a “Inovação” para segundo plano.
      A China e todo o burro sem conhecimento, que se dedica a “copair” ou seja a ROUBAR o ntrabalho dos outros, significa a presença do “mal” no Mundo.
      A China e todos como eles, não tem lugar num Mundo do “progresso” , isto do “conhecimento”.
      Os gajos não passam de meros “criminosos e abusadores de confiança” e há ainda alguem que “Glorifique” os animais.
      Dito de outra forma a China e todos os seus “semelhantes” são um TRAVAO efectivo ao percurso da Humanidade.

  2. Eles têm estado a tratar de vida enquanto o ocidente poupava em mão de obra fechando fábricas e lançando os seus cidadãos no desemprego e inclusivamente, americanos e russos investiam em belicismo.
    Agora acham que os chineses são o pior inimigo? Eles só são tratadores de vida! Preparam-se para o que der e vier em todas as áreas inclusivamente inimigos! O que é que isso tem de anormal?

    • O Chino e todos aqueles com a falta do “COnhecimento”, como o Tuga por exemplo, de dicam-se a ROUBAR o trabalho dos outros.
      O “sistema” chines é simples: Compram coisas no Ociente e levam para lá, depois fazem uma “Operação” desmantelam o “material” até o seu mais pequeno pormenro para fazerem igual.
      Por outro lado, coisa maisn pesadas como o Comboios de Alta Velocidade, os gajos exigem os “Planos de Execução”, ou seja o “Segredo” do Proprietário, depois segue-se a mesma autopsia.
      Material Informatico, é copaido 1 para 1, com o devido “crack” dos processos de activação.
      Um Bando de Piratas e ainda glorificam os canideos! Arre!

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