João Rendeiro vendeu três obras de arte arrestadas pela Justiça

Tiago Petinga / Lusa

O ex-presidente do BPP, João Rendeiro

Três obras que foram arrestadas pela Justiça a João Rendeiro e estavam desaparecidas foram, na verdade, vendidas em leilão. O ex-banqueiro faturou cerca de 229 mil euros com a sua venda.

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São 124 obras , entre quadros e esculturas, que pertencem ao recheio da vivenda da Quinta Patiño, em Cascais, e que foram arrestadas em novembro de 2010. Os bens foram apreendidos a João Rendeiro para servirem de indemnização aos lesados do BPP.

Com a fuga do ex-banqueiro, a juíza do caso BPP considerou que as peças correm risco e pediu que fossem verificadas. A PJ suspeitava que várias as obras que pertencem ao Estado mas estão à guarda da mulher de Rendeiro pudessem ser réplicas. A inspeção realizada na mansão de Rendeiro detetou a falta de 15 obras de arte. Também há suspeitas que três das obras tenham sido falsificadas e substituídas.

Quando os inspetores disseram que suspeitavam que algumas seriam falsificações, a mulher de Rendeiro recorreu ao advogado que estava no local para se opor à remoção dos mesmas para serem analisadas em laboratório. A mulher de Rendeiro acabaria por devolver, mais tarde, metade das obras desaparecidas.

De acordo com o semanário Expresso, três obras de arte do americano Frank Stella, que estavam na Quinta Patiño, foram vendidas pela leiloeira Christie’s entre março e outubro de 2021. Uma delas foi vendida precisamente no dia em que João Rendeiro foi condenado a dez anos de prisão.

“Rzochów”, “Dawidgrodeck” e “Piaski” são as obras que foram vendidas através da leiloeira britânica e que renderam cerca de 229 mil euros ao casal Rendeiro. As obras, feitas nos anos 70, fazem parte da série “Polish Villages” e têm o nome de sinagogas destruídas pelos nazis durante a II Guerra Mundial.

Embora tenham sido arrestadas pela Justiça portuguesa, as obras de arte foram vendidas a compradores que não estão ainda identificados.

O “Piaski” foi vendido em 9 de março de 2021, por 89.390 euros. Nessa altura, o ex-banqueiro já tentava anular a pena de cinco anos e oito meses de prisão a que tinha sido condenado num outro processo. Rendeiro tinha comprado a obra, em 2005, por 46.578 euros.

Em 14 de maio deste ano, no dia em que foi condenado a dez anos de prisão, o “Dawidgrodeck” foi vendido em leilão por 82.393 euros. Rendeiro tinha pagado 36.746 euros pela obra, também em 2005.

Por fim, o “Rzochow” foi vendido já quando João Rendeiro estava em fuga, rendendo 58.530 euros. No total, estas três vendas renderam 228 mil euros a que terá de se deduzir a percentagem da leiloeira que rondará os 10 ou 15%.

Maria de Jesus Rendeiro pode agora incorrer num crime de descaminho, punível com cinco anos de prisão, por ter vendido obras de arte arrestadas pela Justiça.

  Daniel Costa, ZAP //

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