Reino Unido. Centenas de mulheres exigem pedido de desculpas por adoções forçadas

Entre as décadas de 1950 e 1970, centenas de mulheres britânicas foram forçadas a entregar os filhos recém-nascidos para adoção. Agora, exigem um pedido de desculpas formal do governo.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, estima-se que cerca de 250 mil mulheres na Grã-Bretanha tenham sido obrigadas a entregar os filhos recém-nascidos, nas décadas de 50, 60 e 70.

A maior parte eram jovens solteiras quando engravidaram, cujas famílias não aceitaram a gravidez e que tiveram os filhos em instituições – chamadas “lares para mães e bebés” -, que não lhes deram outra escolha.

A maioria destas mulheres, agora com idades entre os 70 e os 80 anos, diz ter vivido uma vida marcada pelo luto e pelo trauma de ter perdido o contacto com os filhos.

Numa carta dirigida ao primeiro-ministro britânico Boris Johnson, centenas de mulheres exigem agora um pedido de desculpas.

No documento, dizem que um pedido de desculpas lhes pode trazer, pelo menos, algum conforto e consideram que o governo lhes deve esse gesto, “em nome das instituições e de todos os que as trataram tão mal”, escreve a BBC.

“Nunca me perguntaram se eu queria prosseguir com a adoção. Foi um dado adquirido”, disse Jill Killington, citada pelo The Guardian.

Killington engravidou em 1967, aos 16 anos. Nove dias após o parto, o seu bebé, Liam, foi-lhe retirado.

“Esperavam que eu simplesmente continuasse com a minha vida como se nada tivesse acontecido. Tenho a certeza de que isso teve um impacto na minha vida. Existe um ciclo de tristeza e de raiva. Uma espécie de melancolia qu está sempre presente”, disse.

Também a ex-parlamentar trabalhista e ministra Ann Keen deu à luz um filho, quando tinha apenas 17 anos, que acabou por ser dado para adoção.

Foi coerção. A frase que usaram foi ‘é pelo melhor’ e ‘se realmente amas o teu bebé, deves desistir dele'”, contou à BBC.

“Não desisti do meu filho nem o abandonei. Um pedido de desculpas limparia o meu nome e o nome do meu filho. O que aconteceu é uma injustiça histórica. Está na altura de pedir desculpa”, disse.

Sue Armstrong Brown, diretora da Adoption UK, disse que “o que aconteceu com estas mulheres é doloroso e indefensável. Pedir desculpas é a coisa certa a fazer pelo governo”.

“Hoje, a adoção só é usada quando não é seguro para uma criança ficar com a sua família biológica por causa de abuso, violência ou negligência. Mas devemos a estas mulheres e aos seus filhos enfrentar o mal que lhes foi feito noutros tempos”, acrescentou.

As mulheres que assinaram a carta enviada ao governo britânico defendem, por isso, que o Reino Unido siga o passo dado pela Austrália, em 2013, quando a então primeira-ministra, Julia Gillard, pediu desculpas a cerca de 150 mil mulheres que também foram obrigadas a entregar os seus bebés.

Em 2018, também o Senado canadiano recomendou ao governo federal que formalizasse um pedido de desculpas às 300 mil mulheres do país, impedidas no passado de criar os seus filhos.

“As mulheres jovens sentiram vergonha. Foram privadas da sua dignidade e respeito próprio, sem fazerem nada de errado, e foram forçadas a separações horríveis”, disse, na altura, Alison McGovern.

Em janeiro, a Irlanda pediu desculpa aos ex-residentes de lares de mães e bebés, pela forma como foram tratados ao longo de várias décadas. O então primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse que as adoções ilegais no país eram “mais um capítulo da história sombria” da Irlanda.

Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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