Queda do petróleo em África é um problema maior que o Ébola

A descida do preço do petróleo deverá ter um impacto superior à epidemia de Ébola que atacou parte do continente africano no ano passado e vai ter significativas implicações para os países exportadores de petróleo na região, considera a agência especializada Platts.

De acordo com o site da Platts, agência noticiosa especializada no setor energético, as economias africanas começaram já a sofrer o efeito da descida do preço do petróleo, que chegou a estar abaixo dos 50 dólares no princípio do ano, o que representa uma queda superior a 50% face aos preços do verão de 2014.

“Com o preço do crude em mínimos de cinco anos e meio, os maiores produtores africanos – Nigéria, Angola, Líbia e Argélia – enfrentam desafios orçamentais cada vez maiores porque mais de 70% das receitas destes países vêm da produção de petróleo“, escreve a Platts, notando que a Nigéria, por exemplo, precisa que o petróleo esteja a 123 dólares por barril para equilibrar o orçamento, ao passo que a Líbia precisa de vendas a 124 dólares por barril.

A Nigéria, o maior produtor da África subsariana, já estava a assistir a um declínio da sua produção, não só por causa dos atentados do grupo terrorista Boko Haram, mas também devido ao fenómeno do roubo de petróleo, cujo custo ascende a milhares de milhões de dólares e levou a Shell, uma das maiores a operar no setor, a equacionar pura e simplesmente sair do país.

Com a descida do preço do petróleo, é obrigada a fazer cortes na despesa em vésperas de eleições, o que complica a situação interna, analisa a Platts, acrescentando que o fenómeno do petróleo de xisto – barato e rápido de produzir nos Estados Unidos – é parcialmente responsável pela diminuição das exportações para os Estados Unidos, uma tendência comum à Nigéria, Líbia e Argélia, que produzem um tipo de petróleo muito semelhante ao que é atualmente produzido no estado do Dakota do Norte.

As exportações de Angola para os Estados Unidos caíram para os 4,9 milhões de barris, em julho, quando em março de 2007 estavam quase nos 22 milhões de barris, o que obrigou Angola a procurar novos clientes e a ter de oferecer descontos para conseguir aliciar os novos compradores.

No caso de Angola, o declínio da produção, que não passou os 1,66 milhões de barris por dia na primeira metade de 2014, obrigou o Governo a rever as metas para os próximos anos, atirando para 2017 a barreira dos 2 milhões de barris diários, e a baixar o preço de referência, de 98 dólares para 81 dólares por barril, que acaba por ser a previsão oficial do Governo para a média do preço em 2015.

As dificuldades de Angola, no entanto, não são as mesmas que os países que, para além de terem de enfrentar um ‘buraco’ no orçamento, têm também de combater grupos terroristas armados que discordam das opções governamentais.

No Gabão e na Nigéria, os sindicatos do setor petrolífero já fizeram greves, provocando danos à economia, mas esta forma de luta empalidece quando comparada com os métodos usados por grupos terroristas, como o al-Shabaab, da Somália, que tem atacado cidadãos do Quénia para forçar a retirada das tropas quenianas da Somália.

No Sudão do Sul, um dos países mais pobres do mundo, as eleições foram adiadas no seguimento de confrontos e de acusações mútuas entre o Governo e a oposição por causa da utilização de mercenários do Sudão para intimidar os opositores.

Dadas as dificuldades por que os Estados produtores de petróleo vão passar em 2015, vários analistas têm vindo a chamar a atenção para a possibilidade de um aumento da violência e das atividades terroristas em África, nomeadamente na Líbia e na Argélia.

Até a África do Sul, até há pouco tempo a maior economia africana, enfrenta problemas como as ferozes críticas dos ambientalistas por causa da exploração de gás de xisto na zona do Karoo, para além das já tradicionais faltas de eletricidade.

/Lusa

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