PSP quis arquivar esfaqueamento de jovem negro por membros dos Hammerskins

Em 2013, a PSP quis arquivar o processo de um jovem angolano esfaqueado, mas o Ministério Público recusou. O ataque esteve na origem da investigação aos Hammerskins.

No dia 3 de novembro de 2013, um jovem angolano foi esfaqueado em Benfica, Lisboa. Uma ambulância e um agente da PSP foram chamados ao local. Wilson tinha sido golpeado duas vezes no abdómen e várias vezes nos braços e pernas. Uma testemunha avistou cerca de cinco pessoas, que calcula terem entre 25 e 30 anos e que usavam um vestuário “tipo gangster”.

De acordo com o Público, amostras do sangue foram recolhidas e enviadas para o Laboratório de Polícia Científica no âmbito de um crime de “ofensas à integridade física”. Os dados indicavam tentativa de homicídio e, por isso, a PSP deveria ter notificado a ocorrência à PJ, mas não o fez, diz uma fonte ouvida pelo jornal.

Depois de receber alta do hospital, a PSP tentou localizar a vítima, mas sem sucesso. Em março de 2014, propôs que o inquérito fosse encerrado, mas o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) não aceitou.

Quase um ano e meio depois do crime, Wilson é finalmente ouvido pelo DIAP, que descreve o crime. O jovem angolano foi atacado por um grupo de quatro homens brancos de cabeça rapada, que usaram uma chave de desapertar as rodas dos carro para o esfaquear.

“Não sabe porque o agrediram, não teve nenhuma troca de palavras com ninguém durante a noite que viesse provocar tal situação”, lê-se no processo. Wilson decidiu não apresentar queixa com medo de represálias. Como estava em causa um crime de natureza pública, uma procuradora prosseguiu com a investigação.

Em dezembro de 2015, na Polícia Judiciária, Wilson identificou “sem qualquer dúvida” o autor das facadas. O jovem já o tinha visto anteriormente, sabia que ele pertencia aos skinheads, mas mais uma vez não revelou esse detalhe às autoridades por medo.

A PJ identificou o criminoso como sendo Alexandre Silva, na altura um candidato a “hammerskin”. A Hammerskin Nation é um grupo organizado de extrema-direita, sendo que a fação portuguesa, Portugal Hammerskins, foi fundada em 2005. Segundo o Público, perfilham a ideologia nazi, exaltam a superioridade da raça branca, querem expulsar e impedir a entrada em Portugal de todas as minorias étnicas e agredir portugueses negros e ciganos.

Este não terá sido o único crime em que Alexandre Silva é visado. A investigação da Polícia Judiciária acusa-o de vários outros.

Em 2016 houve outro processo arquivado pela PSP, e depois pelo Ministério Público, a agressões alegadamente cometidas por skinheads contra um estudante negro num restaurante em Loures. A PSP justifica que não conseguiu identificar os autores.

ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

  1. O que eu não sabia era que uma chave de desapertar rodas dos carros dá para esfaquear… Isso quer dizer que eu anda com uma arma branca na mala do meu carro, e nem sequer sabia disso… lol!

    • Caro leitor,
      Nem vamos perder tempo a pensar se o termo é o mais certo.
      Entretanto, em relação à notícia em si, aos factos em causa, tem alguma coisa de importante a dizer?

      • Se dá (para esfaquear) pois eu não sabia. Mas uma coisa é certa isso não é uma chave de desapertar as rodas. Ou será que não tem nenhum efeito? Tente desapertar as rodas com a chave de fendas… Se conseguir… A chave de rodas do meu carro tem quatro pontas e nenhuma é afiada. De eu transformar uma das pontas num sabre e perfurar o seu fígado, será correto dizer que eu o fiz com uma chave de desapertar as rodas do carro?? Acho que seria ridículo, ou então ninguém iria acreditar. Como eu não acredito que alguém tenha esfaqueado outra pessoa com uma chave de desapertar rodas! A parte utilizada não é para desapertar rodas. Outra coisa é não saber para que é que serve! Normalmente quando não se sabe inventa-se!

  2. Se dá (para esfaquear) pois eu não sabia. Mas uma coisa é certa isso não é uma chave de desapertar as rodas. Ou será que não tem nenhum efeito? Tente desapertar as rodas com a chave de fendas… Se conseguir… A chave de rodas do meu carro tem quatro pontas e nenhuma é afiada. De eu transformar uma das pontas num sabre e perfurar o seu fígado, será correto dizer que eu o fiz com uma chave de desapertar as rodas do carro?? Acho que seria ridículo, ou então ninguém iria acreditar. Como eu não acredito que alguém tenha esfaqueado outra pessoa com uma chave de desapertar rodas! A parte utilizada não é para desapertar rodas. Outra coisa é não saber para que é que serve! Normalmente quando não se sabe inventa-se!

    • Não é transformação nenhuma, procura por “Chave de rodas com fenda”, vários modelos VAG dos anos 90 costumavam vir equipados com este tipo de chave.

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