“PSD de Rui Rio não tem salvação” (e Passos Coelho “é um homem melhor que os outros”)

(dr) José Eduardo Martins / Facebook

O deputado e ex-coordenador autárquico do PSD, José Eduardo Martins

O fantasma de Pedro Passos Coelho volta à realidade do PSD com o ex-dirigente do partido e ex-deputado José Eduardo Martins a defender o seu regresso. O “PSD de Rui Rio não tem salvação nenhuma”, considera, apontando que Passos Coelho tem “condições únicas” para liderar o partido.

No seu tom habitual, sem papas na língua, o ex-deputado do PSD José Eduardo Martins deixa duras críticas à liderança de Rui Rio no PSD, apelando a mudanças depois das eleições autárquicas.

O PSD de Rui Rio não tem salvação nenhuma“, diz em entrevista ao Público, frisando que as pessoas “humildes, trabalhadoras, filhas da classe média” não estão representadas nesta liderança. E “não vêem ninguém alternativo para mudar verdadeiramente alguma coisa”, sustenta ainda.

“O que desespera uma pessoa média de direita como eu é que não vai ninguém ao comando da nave”, salienta ainda José Eduardo Martins numa crítica ao Governo.

“O doutor Costa quer saber da semana que vem”, mas “o que é desesperante é que a direita nem a semana que vem percebe“, diz ainda.

O ex-deputado social-democrata assume que não se identifica com nomes como Paulo Rangel e Carlos Moedas que são apontados como possíveis candidatos à sucessão de Rui Rio. Mas está certo de que, após as eleições autárquicas e independentemente dos resultados, “a direita tem que mudar de lideranças”.

“O problema não são os candidatos autárquicos do doutor Rui Rio. O problema é ele e a ausência de equipa dele. É uma pessoa estimável, mas está muito acima do princípio de Peter e o PSD é uma instituição que faz demasiada falta ao país para continuar como está”, destaca ainda.

Passos Coelho “tem muito mais qualidades”

Assim, José Eduardo Martins entende que a “mudança é inevitável” e diz que não tem “medo do passado”. Por isso, lança o nome de Pedro Passos Coelho como o candidato mais seguro à liderança do PSD.

“Tenho 51 anos e 30 de política. Nunca conheci uma pessoa que, certa ou errada, olhasse para o país com uma noção de que o que tem a fazer é pelos outros como o Pedro Passos Coelho”, refere na entrevista.

Para o ex-deputado, Passos Coelho “é um primus inter pares, diferente de todos os outros”, com “condições únicas” para liderar o PSD.

“Tem condições que nenhum dos outros tem”, reforça, frisando que “tem muito mais qualidades do que os outros” e que “é um homem melhor que os outros, com uma noção de sentido público e vontade de fazer uma transformação” que nunca foi feita.

“Há 25 anos que não mudamos políticas públicas”, analisa José Eduardo Martins, considerando que “a vida da geração que veio à frente da nossa é pior do que foi a nossa”. “Estamos a ficar mais pobres, mais desiguais“, nota, salientando que “é preciso que alguém acorde”.

Contudo, o ex-deputado assume que não vê Passos Coelho “para aí virado”, revelando que costuma almoçar com ele.

José Eduardo Martins não apoiou Passos Coelho quando ele esteve na liderança do PSD, mas critica as suas próprias escolhas, lamentando ter apoiado Durão Barroso, “uma pessoa que na primeira hipótese deu às de vila-diogo e foi tratar da vidinha dele”.

Mas, agora, “se Pedro Passos Coelho voltasse a primeira coisa que eu fazia era, com as minhas quotas pagas, ir votar nele“, assegura. “Apoiava-o sem a mais pequena dúvida”, acrescenta.

Chega “é só uma intrujice”

Numa análise à vida política nacional, José Eduardo Martins acha que o Chega “é só uma intrujice” que atrai “pessoas racistas, homofóbicas, pouco tolerantes com os direitos dos outros”, ou seja, o que diz serem “grunhos” que não costumavam ter “expressão política”.

Mas “tal como na esquerda há muita coisa de grunho que tem expressão política”, lamenta ainda.

Na crítica à esquerda, o ex-deputado constata que tem “mais facilidade em explicar o Ventura aos filhos do que o Bloco de Esquerda”.

Mas José Eduardo Martins espera que “com a recomposição da direita [o Chega] possa ser um balão que se esvazia“. “As pessoas também topam os oportunistas e às tantas fartam-se deles”, conclui.

  ZAP //

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18 COMENTÁRIOS

  1. Passos Coelho só fez porcaria. Foi fraco com os fortes e forte com os fracos. Subiu o IVA da restauração para 23% (duplicou portanto). Retirou a isenção de taxas moderadoras e medicamentos aos deficientes profundos, algo sem precedentes na nossa história. Além disso ainda mandou os Portugueses emigrar.

    Privatizou a preço de saldo a maior percentagem de erário publico desde sempre. Acabou de vender a EDP a privados (Sócrates e outros já tinham começado). Saiu mesmo a tempo quando se preparava para privatizar ainda as águas e os transportes. Por pouco privatiza o ar que respiramos. Fez quase tantas PPPs como Sócrates.

    Voltou atrás em quase tudo o que prometeu (há videos looongos só sobre as suas mentiras). Foi mais troikista do que a Troika e vendeu o país à clientela agiota da Troika. Ainda antes de sair vendeu à Australis concessões para exploração de combustíveis fósseis por Fracking (alto impacto ambiental) numa zona de elevado valor turístico (Nazaré, Pombal, etc…) – curiosamente as zonas que viriam logo a seguir a arder nos incêndios de Pedrogão. Coincidências…

    Rui Rio foi a melhor coisa que aconteceu ao PSD para o manter Social Democrata. Senão Passos Coelho ainda acaba por ter de mudar o nome para PNL (Partido Neo Liberal). Rio Pode ter uma postura pouco “showmanship”. Ele não é performer nem entertainer como tantos outros. Mas é centrista Social Democrata como importa. Quem não for Social Democrata tem o Chega e o Aliança.

    • 100% de acordo!
      Estes “advogados” sabem muito, mas nunca se chegam à frente… ficam sempre na retaguarda a fazer lobby para a sua clientela!…

  2. O “PSD de Rui Rio não tem salvação nenhuma”. Verdade absoluta.

    Rio fez o que pode com o que o PS deixou. O Ps abandonou o barco quando estava a ir ao fundo, e pegou no barco depois de muito esforço para o salvar.

    Vejam este governo PS, o que tem feito…

  3. Eu tinha uma certa simpatia por si, mas com esta análise que fez ao pior 1º ministro que Portugal já teve, sinto-me completamente arrependido, pois julgava-o um político honesto e isento. Não é o caso.

  4. No meu entender está aqui uma análise mais ou menos correta no que toca a Passos Coelho, excetuando alguns casos como o do Novo Banco entre outros, mas que também outros do PS têm igualmente culpas. Quanto à análise sobre o Chega terão tanto à direita como à esquerda todos se convencerem ser apenas o resultado de uma política social e de segurança falhada por todos desde 1974 até aos nossos dias.

  5. Passos Coelho ? Acho que já passou à história…Cometeu muitos erros mas teria ter feito mais e melhor que este PS de António Costa, que na ânsia de se manter no poder, se limita a distribuir rendimentos, as reformas que o pais precisa, nem vê-las, pois dão perda de votos; criar condições para a criação de riqueza, nem pensar, pois dá-se mais importância ao público em detrimento do privado, que é verdadeiramente o grande criador de riqueza. Estamos a perder ano após ano para os paises do nosso “campeonato” e não me admira que daqui a 10 anos estejamos na cauda da Europa. Nem a “bazuca” nos safa, pois em vez de se apostar nos investimentos criadores de riqueza, vão-se “queimar” os milhões em mais obras publicas, etc..!
    O PSD que promova mas é pessoas com “sangue novo”…pessoas com ideias novas adequadas aos tempos atuais…a geração do “25 de Abril” que se reforme pois está ultrapassada…vejam o exemplo da Nova Zelândia, Canadá, etc

    • “…em vez de se apostar nos investimentos criadores de riqueza, vão-se “queimar” os milhões em mais obras publicas…”

      Só que os investimentos criadores de riqueza fazem-se com o dinheiro dos privados, não com dinheiros públicos. Se os empresários portugueses precisam do dinheiro público para investir, é que não valem um caracol. E então melhor será o Estado utilizar o seu dinheiro em obras públicas e em serviços públicos que beneficiam os cidadãos. Mas a “direita” há-de ser sempre isto: os lucros são para os privados, os prejuízos são para serem pagos pelos contribuintes…

      • Meu caro, para mim, investir na criação de riqueza não significa “dar” dinheiros públicos aos privados mas sim criar melhores condições para estes prosperarem, tais como, aliviar a carga fiscal, criar incentivos variados para a criação de emprego, olhe e porque não “educar” alguns dos empresários que não tem noção de como gerir uma empresa, etc…empresas mais saudáveis, economia mais competitiva é que originam mais impostos para o Estado …e sim, este poderá depois utilizar melhor o seu dinheiro em obras públicas. Acho que agora a prioridade é aproveitar a maioria destes fundos para vigorizar a economia, mas pelos vistos vai-se fazer o contrário..!
        Eu não me considero nem de direita nem de esquerda, mas acho que com esta esquerda atual que “dorme” com a extrema esquerda, e toda a esquerda que nos governa há 19 dos últimos 25 anos, cada vez mais o pais se afunda na cauda da europa; não me admira nada que daqui a 10 anos estejamos outra vez a “pedinchar” à CE por mais milhões…!
        “.. os lucros são para os privados, os prejuízos são para serem pagos pelos contribuintes… ” então, meu caro, se tiver uma quantia que pode investir num negócio, não quer ter proveito ou lucro dele ? entregue-o então ao estado..!; quanto aos prejuizos pagos pelos contribuinte, olhe ai está uma das falhas do estado, em não ter instituições a regular devidamente as empresas privadas, nesta caso os bancos; e depois temos as empresas públicas como a CP e a TAP que, constantemente “sugam milhões ” aos contribuintes..!

  6. O P.S.D. que acorde. Nem Rui Rio nem Passos Coelho. Rui Rio fala como se os seus aliados fossem o P.S. e o B.E. e não os portugueses, e Passos Coelho fala como se os seus adversários fossem os portugueses. Por favor, nem uma coisa nem outra!

  7. Reciclar o Pedro Passos Coelhos é declarar a morte política do PSD ou pensam que a fação social democrata do PSD continuaria a votar no partido?
    Mais certo é mudarem para o PS ou mesmo o IL.

  8. Passos é o quê?
    O rio é uma bela anedota politica mas o passos é uma das maiores bestas que por portugal passou!
    Só não destruiu mais porque felizmente não teve tempo!

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