Caos no PSD com demissões e boicote (e programa político que nem deu tempo de ler)

Hugo Delgado / Lusa

O programa político do PSD foi aprovado em Conselho Nacional, mas os críticos de Rio alegam que nem tiveram tempo de ler as medidas. Demissões em Aveiro e boicote em Santarém após aprovação de candidatos.

“Uma Visão para Portugal” são as 117 medidas do PSD para o programa político das próximas eleições. A sua aprovação foi conseguida com larga maioria e apenas 17 abstenções. No entanto, muitos alegam que nem tiveram tempo para ler e analisar as propostas.

O Conselho Nacional prolongou-se pela noite dentro e, face à necessidade de aprovar o programa político, os críticos de Rio defendem que nem passaram do índice. Ainda assim, o programa foi aprovado e será com estas medidas que o PSD vai combater a geringonça dos socialistas em outubro.

O jornal Expresso revelou algumas das medidas mais marcantes do programa, destacando a reforma do sistema de justiça. Esta é uma das principais prioridades para Rui Rio, que sugere uma recomposição dos conselhos superiores das magistraturas. Os membros do conselho nomeados também não poderão ter exercido funções políticas nos anos anteriores.

O PSD propõe ainda a criação da figura de administrador de tribunal, com uma formação financeira e/ou contabilística. Ainda com a otimização dos serviços judiciários em mente, Rio reitera que os magistrados devem ser libertados de tarefas administrativas.

O programa político refere ainda uma reforma da lei eleitoral, como já tinha sido referido no passado. Rio sugere a reconfiguração dos círculos eleitorais, numa tentativa de aproximar os eleitores e os eleitos. Adicionalmente, os sociais-democratas mencionam uma periodicidade de 5 anos nas autárquicas e uma limitação de mandatos dos deputados.

O líder do PSD fala ainda de uma redução do número de deputados e até mesmo a criação de uma Comissão de Ética.

A debilidade dos serviços públicos é um tema recorrente, pelo que o PSD remetem para uma despolarização destes serviços de Lisboa e Porto. O seu programa político realça as assimetrias territoriais, nomeadamente entre litoral e interior, e promete uma discussão pública de propostas para reduzir estas disparidades.

Os “laranjas” criticam ainda o atual apoio insignificante à maternidade e infância, tendo estabelecidos objetivos como o aumento da natalidade e retirar crianças da condição de pobreza. A reformulação do abono familiar pré-natal, com vários aumentos, é uma das formas sugeridas de melhorar a situação. Falou-se ainda num alargamento da licença parental, com a obrigatoriedade da segunda metade do período ser partilhado entra mãe e pai.

Entre as 117 medidas, o PSD pede ainda menos leis e uma melhor regulação, a redução da carga fiscal de IRS para famílias da classe média e eliminação do Imposto Adicional ao IMI.

Os incêndios também não foram esquecidos, alegando que o problema não está na escassez de recursos, mas na capacidade de mobilização. Para tal, Rio sugere a criação de um Sistema Integrado de Proteção Civil para uma melhor agilização da Segurança Interna e da Defesa Nacional. “Infelizmente, não poderemos manifestar o mesmo reconhecimento da segurança pública à proteção civil”, lê-se no programa político.

Demissões e boicote no partido

A aprovação final dos candidatos a deputados no Conselho Nacional levou a uma onda de baixas, com Rui Vilar, líder da concelhia de Arouca, e Álvaro Ferreira, vice-presidente de Oliveira do Bairro, a apresentarem a demissão da distrital de Aveiro. Ainda assim, Rui Rio considerou que a escolha dos candidatos foi “razoavelmente pacífica”.

Também o líder distrital de Leiria e membro da direção do partido, Rui Rocha, apresentou a sua demissão. Segundo o Jornal de Leiria, a decisão foi tomada numa reunião da comissão política da distrital, que se realizou ontem à noite.

“A minha demissão da Comissão Política Distrital e da Comissão Política Nacional é consequência do facto de as estruturas nacionais do partido não terem atendido às questões que a distrital apresentou e não perceber as reivindicações que fizemos”, alegou, referindo-se às listas de candidatos a deputados sociais-democratas.

Apesar disso, Rui Rocha garante que vai “colaborar e dar contributos à lista aprovada e que vai ser sufragada”, apesar de ter considerado “uma desconsideração para o distrito” a escolha de Pedro Roque, secretário-geral dos Trabalhadores-Sociais Democratas, como número três por Leiria.

“A debandada já começou e esperam-se mais renúncias“, revelou fonte social-democrata ao Correio da Manhã. As demissões surgem após alguns nomes indicados pelas listas concelhias terem sido deixados de fora pela direção nacional. “O desânimo é total”, revelou Emídio Sousa, presidente da concelhia de Santa Maria da Feira.

No Porto, o ambiente está igualmente tenso, com o líder da distrital a alegadamente ter admitido que “ninguém acredita que o cabeça de lista Hugo Carvalho consiga motivar o povo”.

A situação está mais grave ainda em Santarém, que vai boicotar a campanha. “Tendo em conta a desconsideração do dr. Rui Rio, decidimos por unanimidade não participar em nenhuma estrutura de campanha”, anunciou Ricardo Gonçalves, presidente da concelhia.

Lista por Lisboa não cumpre lei da paridade

A lista do PSD por Lisboa não cumpre os requisitos da lei de paridade, algo que o secretário-geral do partido, José Silvano, justifica pelas saídas inesperadas de última hora. Aliás, o caso de Lisboa não será único nos sociais-democratas.

O Público noticia que a lista de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa tem três homens seguidos: Jorge Humberto, Álvaro Carneiro e Rogério Jóia, que ocupam a 15ª, 16ª e 17ª posições, respetivamente.

A lei da paridade impõe que não possam ser colocados mais de dois candidatos do mesmo sexo consecutivamente, algo quebrado na lista por Lisboa. O objetivo desta lei é tentar que haja uma representação mais equilibrada de géneros nas listas eleitorais.

José Silvano alega que as listas foram inicialmente feitas segundo a lei da paridade, mas que algumas saídas acabaram por levar à infração desta lei. O secretário-geral do PSD garante que a situação será corrigida até 24 de agosto, quando termina o prazo para entrega das listas.

ZAP ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. As demissões, renúncias e debandadas no PSD não me preocupam. A política Portuguesa precisa de qualidade e ética… Não de quantidade nem de jobs for the boys. Já toda a gente percebeu que Rio não é um populista… É um tipo cinzentão e monótono porque não trabalha para a política-espectáculo, característica de políticos como Santana Lopes.

    Rui Rio é um Social Democrata e não um neoliberal e portanto pertence à ala mais centrista do Partido. A ala mais à direita dos neoliberais, é a ala cavaquista, santanista e passista. Esses estão a abandonar o barco sobretudo porque se habituaram a um PSD dos tachos e um partido virado para um liberalismo económico adverso ao Estado Social, e amigo dos grandes grupos económicos e da banca.

    O PS também tem uma ala mais à direita, mais amiga dos grandes grupos económicos e da banca. Essa ala foi personalizada por Sócrates, que de esquerda tinha muito pouco. Eu nem hesito em dizer que Sócrates está mais à direita do que Costa ou mesmo do que Rui Rio. Sócrates era quase o Cavaquismo do PS. Costa é o que está mais à esquerda de todos ideologicamente e por isso não teve pruridos em formar a Geringonça.

    Mas a grande força de Rio, nem é o ser um Social Democrata Keynesiano (que o é). A grande força dele é ser um indivíduo íntegro, honesto e anti-corrupção e essa é a verdadeira razão de ser de tentos inimigos na máquina partidária do PSD. Um sistema onde ir para a política (para um partido do arco da governação) é sinónimo de assaltar o Orçamento de Estado e ir encher os bolsos com tráficos de influência… É um sistema que odeia e abomina Ruis Rios. Tudo o que Rui Rio está a propor fazer, é no sentido da transparência, da eficácia e do combate às práticas de corrupção, como de resto foi sempre apanágio da sua carreira, à qual não se pode apontar um dedo de desonestidade. É por isso que para toda uma classe política parasita das teias de poder, ele é um alvo a abater.

  2. A Lei da Paridade é a coisa mais estúpida que Deus trouxe à Terra. Então se houver três cargos pra preencher as a três pessoas mais aptas forem do mesmo sexo, vai ter de se meter à força uma pessoa menos competente só porque tem de ser à força do sexo X ou Y?? Se forem três mulheres as mais competentes, tem de se meter um homem incompetente só para satisfazer nem se percebe bem o quê?

    Já agora obriguem a ter quotas de pessoas não só por género, mas também por raça e religião. E já que estamos a falar de paridade, porque não estender isso à ideologia política? E pronto, cada partido terá de ter 50% de pessoas de esquerda e 50% de direita!.. Não?.. Porquê?!.. Ora essa, então não é a paridade que mais importa a cima de tudo?

    Está tudo estúpio da cabeça…

  3. Bom dia,
    Para os mensageiros da desgraça, desgraçados estamos nós, os Portugueses, será que ninguém consegue perceber o óbvio?
    Os “meninos” antigos do PSD, estão melindrados?
    Porque será?
    Conhecem-no bem da câmara do Porto e do belíssimo trabalho que lá fez, e não só, sabem também que com RR, que vão acabar muitos tacho, fizessem os outros partidos o mesmo, quem lucraria era o povo, mas 43% (dizem), têm palas, estão amarrados a uma sigla, não analisam, não sabem o que se passa, opinam consoante o bolso de cada um, em vez do todo…
    O sábio defende o País, o imbecil defende o partido eu defendo esta pessoa (Dr Rui Rio), porque quem varre desta forma poderes instalados , acho que diz muito de quem o faz, sem medos e sem papas na língua, mas acautelando porque a politica está podre, e todos lá dentro sabem disso…

  4. Parece me que o tempo dos chefes acabou. Como nao vai haver tantos jobs para os boys………. a saida e fuga para a frente vai ser a solucao. Mas como o psd desta vez nao vai ganhar e se souber comportar se vai AJUDAR o governo PS, nao vai haver tachos para distribuir.

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