Proposta de Bruxelas poderá atribuir 3 mil refugiados a Portugal

Hans Punz / EPA

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A proposta que a Comissão Europeia se prepara para apresentar relativamente à repartição urgente de refugiados entre os Estados-membros da União Europeia poderá atribuir a Portugal uma quota de cerca de 3 mil refugiados.

De acordo com um esboço da proposta ao qual a Lusa teve acesso, que ainda será alvo de discussões e poderá ser alterado, o executivo comunitário, que deverá apresentar o seu projeto na próxima quarta-feira, propõe um esquema de reinstalação urgente de 120 mil refugiados, para ajudar os três países mais afetados pelos fluxos migratórios – Itália, Grécia e Hungria -, cabendo a Portugal uma quota de 3.074 refugiados.

O esboço do plano de redistribuição de refugiados elaborado pela Comissão prevê uma repartição de 15.600 refugiados chegados a Itália, 50.400 à Grécia e 54.000 à Hungria – num total de 120 mil -, e, de acordo com os métodos de cálculo sugeridos por Bruxelas, Portugal deverá acolher 400 refugiados que chegaram a Itália, 1.291 à Grécia e 1.383 à Hungria, num total de 3.074.

A proposta que a Comissão Juncker se prepara para apresentar na próxima semana em Estrasburgo, para fazer face à crise migratória e de refugiados, contempla quotas obrigatória de distribuição por Estado-membro, a questão mais polémica e que mais tem dividido os países europeus, com Alemanha e França a encabeçarem um grupo de Estados-membro que defende essa obrigatoriedade, rejeitada por Hungria, Polónia, Eslováquia e República Checa.

Hoje mesmo, no Luxemburgo, no final de uma reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia na qual foi discutida a crise migratória — sem no entanto ser debatida a questão do sistema de quotas de redistribuição de refugiados -, o ministro Rui Machete afirmou que Portugal tem de “fazer um esforço de generosidade” no quadro de solidariedade europeia face à crise migratória e que o fará estando disposto a receber mais do que 1.500 refugiados.

“Nós já tínhamos feito uma oferta de acolhimento de 1.500 refugiados e estamos dispostos, dentro das nossas possibilidades, a aumentar esse número, porque o problema humano o exige. Portanto, não vamos limitar-nos a esse número, vamos aceitar um número dentro daquilo que seja a equidade de uma repartição razoável, mas temos que fazer um esforço de generosidade e fá-lo-emos certamente. Aliás, é esse o sentimento do povo português”, disse.

/Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Não tenho nada contra estes refugiados que fogem da guerra da fome e da miséria, mas o nosso governo esquece-se dos milhares de desempregados, dos sem abrigo, dos reformados todos eles também a viver na miséria, alguns perderam casa e tudo o que tinham. Acho bem que se ajude estas pessoas, mas e então os nossos, os que vivem cá. Já agora deixo uma pergunta porque não vão estes refugiados pedir asilo á Arabia Saudita, ao Dubai e a outros países ricos daquela zona, até pela proximidade cultural e religiosa.

  2. “As malhas que o império tece”…caro amigo Carlos Cabrita Machado,e aproveito para lhe dar os parabéns pela questão inteligente que aqui deixa e que muitos não têm tido a coragem de o fazer,incluindo os “media”,que se vão regalando em vender notícias à conta da desgraça alheia,pois o que está a dar é passar imagens chocantes tal como aconteceu com o aparecimento do corpo da criança síria numa qualquer praia…Ainda há dias o ministro húngaro dizia que este problema dos migrantes é “um problema alemão…” e a ONU não se descarta da criminosa e pungente cobardia que tem sido a sua actuação em conluio com outros países,que são os suspeitos do costume!!!

    • Os impérios caem.
      É assim desde a antiguidade. As civilizações movidas pela conquista, poder militar ou cultural , não resistem à erosão dos tempos. Todos os impérios caem!

    • Correção: até 2020 dizem que dominarão a Península Ibérica.
      Porém o resto da Europa poderá seguir-se-lhe se os EUA não levarem a peito a nossa memória curta e deformações anti-americanistas para, mais uma vez, enviarem os seus filhos em nosso socorro.
      Nessa altura, aqueles que tão firmemente opinam sobre o acolhimento de migrantes versus apoio ao portugueses próximos e abaixo do limiar de pobreza possivelmente gostariam de poder fugir à miséria e à morte para qualquer local onde a sua dignidade de seres humanos fosse preservada.
      Nunca esquecer que os ventos mudam e que “os impérios caiem” . Quem hoje se pronuncia de barriga cheia pode muito rapidamente passar a acordar com ela aos roncos. Se tiver a sorte(?) de acordar…

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