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“Projeto S”. No Brasil, uma pequena cidade inteira foi vacinada e respirou de alívio

Rungroj Yongrit / EPA

A pequena cidade de Serrana, no Brasil, está a respirar de alívio depois de quase toda a população ter sido vacinada contra a covid-19, numa experiência médica batizada de “Projeto S”.

Quatro meses depois do arranque do Projeto S, a pacata cidade brasileira de Serrana, cercada de plantações de açúcar, ganhou um novo fôlego.

Agora, “está tudo praticamente aberto e o ambiente é muito diferente, muito mais leve e alegre”, disse Ricardo Luiz, dono de um conhecido restaurante em Serrana, em declarações à CNN. “Sentimo-nos seguros, ao contrário de outras cidades à nossa volta que estão numa situação muito difícil.”

O Brasil tem o segundo maior número de mortes por covid-19 do mundo, depois dos Estados Unidos, e está a entrar na sua terceira vaga. Só 10% da população brasileira está totalmente vacinada, mas, graças ao Projeto S, os habitantes de Serrana dizem estar a viver uma realidade muito diferente.

Segundo a cadeia britânica, a iniciativa foi coordenada pelo centro biomédico do Instituto Butantan, em colaboração com a Universidade de Medicina de São Paulo, em Ribeirão Preto.

Nesta primavera, os investigadores administraram as duas doses completas da Coronavac a 27.160 adultos, cerca de 95% da população adulta da cidade. A vacina demonstrou eficácia geral de 50,8% em testes da fase III.

As descobertas resultantes do projeto ainda não passaram a revisão por pares, nem foram publicadas numa revista científica. No entanto, de acordo com os resultados preliminares publicados no dia 1 de junho, o estudo mostrou uma redução de 80% no número de casos sintomáticos.

Os internamentos reduziram em 86% e a mortalidade em 95%, números saudados pelo governador de São Paulo, João Doria, como um bom presságio para o resto do país.

A imunização criou uma espécie de “cinturão imunológico” em Serrana, que reduziu drasticamente a transmissão do novo coronavírus no município, mesmo quando o vírus se espalhou pelo país.

“O resultado mais importante foi entender que podemos controlar a pandemia mesmo sem vacinar toda a população. Quando a cobertura chegou a 70%, 75%, a queda na incidência foi percebida mesmo no grupo que ainda não havia completado o esquema de vacinação”, explicou Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisas clínicas do Instituto Butantan, à CNN.

O método utilizado no ensaio clínico chama-se staggered wedge trial e baseia-se em dividir a cidade em 25 subzonas, formando quatro grandes grupos populacionais que receberam a vacina em semanas sucessivas entre fevereiro e abril.

Ainda assim, é preciso esperar que os resultados sejam validados e publicados numa revista científica. A vida em Serrana não voltou totalmente ao normal, uma vez que o vírus continua fora de controlo na região: os habitantes ainda necessitam de usar máscaras e respeitar o distanciamento social, regras básicas de saúde que se aplicam a todo o estado.

Os resultados completos do estudo devem ser divulgados no início de julho, mas o Projeto S vai continuar até fevereiro do próximo ano, com a equipa a monitorizar continuamente os moradores de Serrana.

À medida que novas variantes virais continuam a surgir, os cientistas esperam que a Coronavac mantenha a sua eficácia e que a cidade brasileira continue a desfrutar da sua aparente vitória.

  ZAP //

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