Primeiro aniversário dos Coletes Amarelos. França receia novos tumultos

Etienne Laurent / EPA

O clima de tensão regressa a França, com os coletes amarelos a anunciarem a preparação de novas ações para assinalar o primeiro aniversário do início do movimento.

A 17 de novembro, o movimento Coletes Amarelos assinala o seu primeiro aniversário. Dois dos seus líderes adiantaram ao Expresso que estão a preparar ações “especiais” e a agitação vai começar já este fim de semana.

Além disso, algumas das principais centrais sindicais francesas anunciaram manifestações e greves “ilimitadas” a partir da primeira semana de dezembro. Nestas ações deverão participar os Coletes Amarelos.

Os dirigentes Jérôme Rodrigues e Priscilla Ludosky adiantaram ao semanário que o movimento estará presente nas manifestações sindicais. “Não estamos com os sindicatos, mas com as pessoas, vamos participar porque tudo piora e o povo vive com dificuldades cada vez maiores.”

Estão a ser contestados diplomas como a reforma do sistema das pensões – com que o Governo pretende avançar para um regime único e universal que acabe com nichos especiais, por exemplo nos caminhos de ferro – e a nova proposta governamental sobre desemprego, que reduz os direitos dos desempregados aos subsídios.

Com estas medidas, Emmanuel Macron, Presidente francês, pretende reequilibrar o défice do Estado de modo a cumprir os tratados da União Europeia. No entanto, para os manifestantes, ambas as medidas reforçam a ideia de que “este é um poder que só pensa nos ricos”.

“O direito ao subsídio de desemprego faz parte das nossas reivindicações. Mas não somos apenas um bando de desempregados, somos algo muito mais vasto que transformou em profundidade toda a sociedade francesa, nomeadamente no domínio da solidariedade”, explicam ao Expresso.

Há dias, Priscilla, Jérôme e outros dois outros líderes dos Coletes Amarelos escreveram uma carta a Macron na qual lhe propunham uma reunião para discutir as reivindicações do movimento. “Não somos um bando de selvagens!”, disse Jérôme ao diário, adiantando que listas dos Coletes poderão concorrer às eleições municipais francesas do próximo ano.

“Escrevemos e enviámos a carta ao Presidente e à comunicação social, mas ele não respondeu.” Segundo Priscilla, os Coletes Amarelos estão preparados para “comemorar dignamente o aniversário” e regressar às ruas.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. A democracia terminou em França, o presidente Macron deve estar pregado e colado na cadeira do poder que nem com guerra civil pretende abandonar.

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