Presidente sul-coreana diz que ato do capitão de navio afundado é “assassínio”

Republic of Korea / Flickr

A presidente da Coreia do Sul,  Park Geun-hye

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye

A Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, criticou esta segunda-feira a decisão do capitão do ferry, que naufragou na quarta-feira, de abandonar o barco deixando para trás os passageiros, qualificando a sua conduta como um “ato de assassínio”.

“A atuação do capitão e de alguns membros da tripulação é completamente incompreensível, inaceitável e equivalente a assassínio”, afirmou Park Geun-hye, durante uma reunião com os seus assessores, citada num comunicado da presidência, reproduzido pela agência Yonhap.

A chefe de Estado sul-coreana prometeu envidar esforços para apurar todas as irregularidades em torno do ferry Sewol, frisando que todas as partes envolvidas – dos proprietários, aos inspetores de segurança até aos membros da tripulação – serão investigadas e que os culpados serão “criminalmente responsabilizados”.

A Presidente da Coreia do Sul afirmou ser cada vez mais claro que o capitão Lee Joon-Seok atrasou desnecessariamente a evacuação do barco quando o ferry se começou a afundar, “abandonando-os”, ao escapar primeiro.

“Não apenas o meu coração, mas os corações de todos os sul-coreanos estão destroçados e repletos de choque e de raiva”, disse Park Geun-hye, que foi vaiada na quinta-feira quando se reuniu com os familiares das vítimas das centenas de passageiros que continuam desaparecidos – a maioria dos quais jovens.

Detidos mais quatro membros da tripulação

Além de criticar o capitão do barco, a quem são atribuídas várias decisões erradas, Park Geun-hye também reconheceu que houve graves problemas na resposta inicial por parte do Governo à tragédia humana.

Os familiares das vítimas têm tecido duras críticas à Presidente e ao seu Governo, acusando-os de não envidarem os esforços suficientes no resgate, assim como de tomar decisões erradas que impediram que vidas fossem salvas e de facultar informações incorretas.

O capitão foi detido na passada sexta-feira, a par de outros dois membros da tripulação, por ter abandonado o navio deixando para trás a maioria dos passageiros, descuidando, portanto, a sua segurança. Esta segunda-feira também foram emitidas ordens de detenção contra outros três tripulantes e contra um engenheiro do ferry que se afundou na quarta-feira.

Número de mortes sobe para 64

As equipas de salvamento recuperaram hoje os corpos de mais cinco passageiros, elevando para 64 o número de mortos confirmados no acidente, prosseguindo as operações de busca pelos 238 desaparecidos.

Os corpos recuperados, que foram localizados no quarto piso do barco, pertencem, segundo a imprensa sul-coreana, a cinco dos 325 estudantes do ensino secundário que seguiam a bordo do barco e que compõem a maior
parte dos desaparecidos.

O navio Sewol começou a afundar-se quando fazia a ligação entre Incheon, oeste de Seul, e a ilha turística de Jeju, no sudoeste do país. Dos 476 passageiros que seguiam a bordo, 174 foram resgatados logo após o acidente. 

O acidente figura como o mais grave na Coreia do Sul desde que, em 1993, morreram 292 pessoas também num naufrágio.

Entretanto, a operadora do ferry, a Cheonghaejin Marine, anunciou a suspensão de todas as suas rotas, num total de três, as quais têm como base o porto de Incheon, a oeste de Seul.

/Lusa

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