É o preço do Natal. Com os hospitais no limite, Temido pede “ajuda” e Mexia já admite novo confinamento

A ministra da Saúde alerta para a “imensa pressão” que se volta a sentir nos hospitais e para os dias “muito duros” que temos pela frente com o aumento dos casos de covid-19. O presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública diz que estamos a começar a pagar “a tolerância do Natal”.

Os novos casos de covid-19 atingiram hoje um recorde diário de 10.027 infectados, mas os números devem ainda subir mais nos próximos dias.

A ministra da Saúde, Marta Temido, fala já de uma “imensa pressão” no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e alerta que vêm aí dias “muito duros”.

“Neste momento, estamos novamente numa fase de imensa pressão no SNS, estamos a procurar responder, mas precisamos da ajuda de todos“, salientou a ministra durante uma visita à Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Mora, no Alentejo, onde esta quarta-feira começou a vacinação dos utentes.

“Temos mesmo de ajudar a parar a transmissão do vírus“, alertou Marta Temido, frisando que está a haver “dificuldades” em lidar com tanta pressão sobre o SNS.

Nos últimos dias, vários hospitais denotaram o aumento do fluxo às urgências, com novos casos de covid-19, mas também com outros pacientes.

O director de pneumologia do Hospital Universitário de Coimbra, Carlos Robalo Cordeiro, referiu, em declarações à SIC, que, nesta unidade, houve um aumento de 18% nos casos de covid-19 desde o Ano Novo. Mas prevê que esse aumento vai agravar-se nos próximos dias.

Também os hospitais da Guarda e de Santarém estão perto do limite das suas capacidades e há quem alerte para “valores insuportáveis”, apontando que o país pode ter já entrado na terceira vaga da pandemia.

Ricardo Mexia já admite novo confinamento

Cidades como Lisboa e Porto já tinham deixado o vermelho, entre os concelhos com maior número de casos, mas voltaram a entrar. E avizinham-se “tempos difíceis”, como destaca o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, em declarações ao jornal i.

A tolerância do Natal tem um custo a pagar e estamos a começar a pagá-lo”, aponta este profissional, frisando que “algumas pessoas que estão a adoecer agora infectaram-se no período das festas” e que “o impacto vai ser visível ao longo das próximas semanas”.

Ricardo Mexia alerta que “a situação se está mesmo a complicar” e até admite a possibilidade de haver um novo confinamento. “Estamos a aumentar o número de casos, não temos ainda muitas pessoas vacinadas”, justifica.

“Como nunca tivemos grande folga nos internamentos, continuamos com 500 pessoas em UCI [Unidade de Cuidados em Intensivos] e mais de 3 mil internamentos, partimos com números elevados e se a situação se continua a avolumar será difícil“, constata ainda o dirigente da ANMSP.

“Ou acertamos com a mensagem, as pessoas moderam os comportamentos e passamos a ter menos infecções e temos capacidade de ter meios no terreno para fazer rapidamente a identificação das cadeias de transmissão e interrompê-las ou vamos andar sempre a correr atrás do prejuízo” e a “andar de confinamento em confinamento”, aponta ainda Ricardo Mexia.

Hospital de Santarém no limite da capacidade

No Hospital de Santarém sentiu-se um acréscimo de internamentos devido ao período natalício, dado que contribuiu para que a unidade tenha atingido o limite da sua capacidade prevista de internamentos para doentes infectados com o vírus SARS-CoV-2.

Em informação enviada à Lusa, fonte da unidade revela que o Hospital tinha, no início da semana, 63 internados em enfermaria, estando previstas 62 camas no plano de contingência, e 9 na UCI que dispõe de 10 camas. Contudo, ainda há margem para alargar o número de camas.

O Hospital de Santarém está também a receber doentes covid do Centro Hospitalar do Oeste e a apoiar as urgências de outros hospitais, como é o caso do Hospital de Vila Franca de Xira, o que aumenta a pressão sobre a unidade. Apesar disso, continua “a prestar serviços e a assegurar as necessidades da população”, destaca a fonte da infraestrutura hospitalar.

Desde o início da pandemia de covid-19, em Março de 2020, morreram, neste hospital, 115 utentes em enfermaria e 12 em UCI.

Nas últimas semanas, houve “um ligeiro agravamento” da situação que “acompanha a tendência anual do Inverno, agravada pela pandemia”, acrescenta a dita fonte à Lusa.

A unidade tem 8 profissionais infectados (dois médicos, quatro enfermeiros e dois assistentes operacionais) e já tem 275 elementos vacinados que são “considerados prioritários por trabalharem em áreas de risco, áreas covid”.

A campanha de vacinação deverá abranger, nesta primeira fase, perto de 1700 profissionais do hospital.

Portugal já recebeu mais de 140 mil doses da vacina

Marta Temido revelou que Portugal já recebeu mais de 140 mil doses da vacina contra a covid-19 e que quase metade já foi distribuída, tendo sido administradas 32 mil doses.

Nas próximas semanas de Janeiro, vão chegar “mais três remessas” de vacinas, garantiu a ministra da Saúde, sublinhando que o país mantém a estratégia de administrar a segunda dose da vacina da Pfizer e da BioNTech “21 dias depois” da primeira inoculação.

A primeira fase da vacinação, que abrange profissionais de saúde e de serviços essenciais, os utentes e funcionários de lares e unidades de cuidados continuados e os doentes com mais de 50 anos e com patologias de risco, deve continuar “até ao final do primeiro trimestre”, segundo Temido.

Só depois de fazer esta gestão de “um número de vacinas que ainda é relativamente limitado” é que se partirá para uma segunda fase, destacou ainda a ministra.

Portugal contabiliza 7.286 mortos associados à covid-19 em 436.579 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim da Direcção-Geral da Saúde.

O Estado de Emergência que decorre até amanhã deverá ser renovado pelo Parlamento, nesta quarta-feira, até 15 de Janeiro.

https://www.rtp.pt/noticias/politica/renovacao-do-estado-de-emergencia-com-parecer-favoravel-do-governo_n1287164

  Susana Valente, ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Considerando o défice de mentalidade da generalidade da população, a nível global, disse, no início da pandemia, que este medonho problema que afecta o mundo irá chegar a um ponto que só a tiro acabará, por ser resolvido, pensarão alguns. Solução inaceitável, como exige o bom senso, mas que nos obriga a pensar. Se é e será dessa maneira que combatem e o terrorismo, como se tem visto, e se são frequentes as acções equiparadas a procedimentos terroristas, perpetradas por muito “boa gente” sem escrúpulos que, sabendo estar infectada com o Covid 19, anda por aí a infectar os outros, alguns atendendo o público nos seus próprios estabelecimentos, escondendo a situação em que se encontram, e se não se tem conhecimento de que as autoridades tomam as medidas adequadas, sejam com multas de milhares de euros, encerramento definitivo dos seus estabelecimentos e/u prisão efectiva, não me admira que qualquer dia a fisga comece a funcionar por aí.
    Por outro lado, temos um governo que tem medo de impor as medidas adequadas para acabar de vez com esta desgraça. Porquê?
    Depois as tropas partidárias a confundir ditadura com democracia e vice-versa, sem saber sequer o que é uma e outra coisa, mas a pressionar quem tenta dirigir o país para que nada de eficaz se faça.
    Afinal, quem somos e o que somos? E o que nos resta?

  2. Resta-nos ter esperança porque deste atual desgoverno já vimos que só vêm crimes e asneiras. É uns atrás dos outros.

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