Povo brasileiro saberá “impedir qualquer retrocesso”, defende Dilma na ONU

Roberto Stuckert Filho / PR

Presidente Dilma Rousseff durante sessão de abertura da cerimónia de assinatura do acordo de Paris

Presidente Dilma Rousseff durante sessão de abertura da cerimónia de assinatura do acordo de Paris

A presidente brasileira Dilma Rousseff mencionou a crise política que vive o Brasil no seu discurso na ONU, afirmando que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo, construir a democracia e saberá impedir retrocessos – mas sem mencionar a palavra golpe.

Dilma Rousseff discursou esta sexta-feira na sessão de abertura da cerimónia de assinatura do Acordo de Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”, disse no encerramento do discurso.

Nos últimos dias, Dilma endureceu as críticas sobre o impeachment contra ela que tramita no Senado, classificando o processo de golpe. Depois do discurso, antes de embarcar de volta ao Brasil, a presidente concedeu uma entrevista a jornais estrangeiros onde disse que há uma “gravíssima aventura golpista” em curso no país.

Na quinta-feira, o vice-presidente brasileiro Michel Temer deu entrevistas ao The New York Times, ao Financial Times e ao Wall Street Journal nas quais negou que estivesse a conspirar contra Dilma. Temer disse estar preocupado com as declarações da presidenta sobre o Brasil no exterior, como se o país fosse uma “república menor” onde “ocorrem golpes”, e afirmou ao The New York Times que passou quatro anos no “ostracismo absoluto”.

“Acho que o Brasil não merece desqualificação por meio de eventuais agressões à Vice-Presidência”, afirmo Temer esta sexta-feira.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (do mesmo partido de Michel Temer, o PMDB), divulgou esta sexta-feira – momentos após o discurso da presidente brasileira – uma nota na qual reitera críticas “à insistência” de Dilma em “classificar como golpe o legítimo processo de impeachment a ela imputado”.

Para Eduardo Cunha, não há “qualquer dúvida” de que a “tese de golpe e de que não há crime de responsabilidade [no processo de impeachment] não prospera” e que, portanto, as acusações direcionadas contra a presidente “são gravíssimas e levaram o país ao caos económico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes”, refere a nota, que inclui argumentações técnicas sobre os procedimentos adotados pela Câmara dos Deputados para aprovar a admissibilidade da destituição de Dilma.

Agência Brasil

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