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Portugueses continuam a exportar para Rússia. Mas sem cobertura dos seguros

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Há empresas portuguesas que continuam a olhar para a Rússia como mercado apetecível. Mas quem quiser exportar está por sua conta e risco.

Quem olha para a lista cada vez mais longa de marcas e empresas que dizem ter cortado relações económicas com a Rússia percebe que a realidade é menos drástica do que os anúncios que têm surgido, por vezes em tom dramático ou fatalista.

Há muitas empresas – incluindo portuguesas – que investiram de tal forma nos últimos anos no país de Vladimir Putin que, por agora, não pensam em sair desse mercado, de acordo com o Público.

Mas essas estarão por sua conta e risco, provavelmente durante muito tempo. As exportações, por exemplo, já não contam com a proteção das seguradoras.

“Desde que eclodiu o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e face ao agravamento da situação, as novas exportações para estes países e também para a Bielorrússia deixaram de estar cobertas por seguros de créditos”, explica a administração da COSEC, seguradora líder em Portugal no ramo dos seguros de crédito, que protegem as vendas ao exterior.

“Relativamente à Ucrânia e à Bielorrússia não existem nenhumas apólices em vigor abrangendo exportações para estes países”, acrescenta.

Este é um travão decisivo à exportação. Não é apenas a falta de transporte, o risco logístico, o risco cambial ou risco reputacional que está em causa. Há também que contar com a falta de seguros que cubram os chamados “riscos políticos“.

Um seguro de crédito é uma rede de segurança para um exportador. Permite reaver algum dinheiro em caso de sinistro.

Dependendo da apólice, os seguros podem cobrir perdas de mercadoria, falhas no pagamento por parte do cliente estrangeiro. No fundo, reduzem o risco do exportador.

Mas, como confirma a COSEC, “a generalidade das apólices não abrangem a cobertura de risco político”.

Outra seguradora, a Crédito y Caución, afirmou que, “de momento, não oferece coberturas na Federação Russa ou na Ucrânia”.

“Qualquer nova cobertura ou envio de mercadorias sob uma cobertura existente será avaliada, caso a caso, respeitando as sanções impostas aplicáveis“, acrescenta Paulo Morais, diretor desta seguradora para Portugal e Brasil.

No momento em que a Rússia invadiu a Ucrânia, cerca de 70 empresas portuguesas estavam à espera de ser pagas por exportações à Rússia cobertas pela COSEC.

Foram feitas vendas antes do conflito, que envolvem montantes considerados “bastante reduzidos”, equivalendo a 0,03% das responsabilidades totais da COSEC, que não divulga o valor efetivo.

Contudo, esta pequena amostra demonstra como o efeito de ricochete das sanções contra a Rússia coloca empresas que investiram naquele mercado perante um dilema: parar e assumir o prejuízo ou continuar e assumir o risco?

A COSEC explica que a falha de pagamento se deve “às sanções económicas e comerciais impostas pelos países ocidentais”.

“No que se refere à realização de transferências de pagamentos, estas situações não dão lugar a qualquer indemnização, uma vez que este risco não está abrangido pelas apólices em vigor”, acrescenta.

“Também se torna necessário verificar se estas vendas não infringiram as sanções económicas e outras leis aplicáveis”, realça a administração.

Na Aldeco, uma exportadora portuguesa de tecidos para decoração interior, sediada em Vila Nova de Gaia, o mercado russo era uma aposta para 2022.

“Em termos absolutos, propunhamo-nos a dobrar o volume das exportações”, confidencia Susana Frazão.

Em percentagem, as vendas à Rússia eram apenas 2,3% do volume de negócios, mas a Rússia já tinha sido “um mercado de grande expressão”.

A ideia era “retomar as vendas para os níveis de 2017”. “O departamento de exportação investiu larga horas de trabalho em negociações” para “afirmar a marca” junto de um distribuidor presente na Rússia.

Apesar da guerra, este distribuidor “continua a trabalhar tendo mesmo colocado novas encomendas”, acrescenta a mesma responsável.

“Sabemos os constrangimentos que globalmente se estão a impor para dissuadir a Rússia a manter esta guerra. Mas também conhecemos as pessoas em causa que foram sempre parceiros do negócio. Um distribuidor tudo fará para promover os nossos bens pelo que não poderemos simplesmente gerar uma rutura e seguir com o negócio para outros mercados”, conta Susana Frazão.

“Temos alguma preocupação com o crédito concedido, mas sabemos que independentemente da retirada dos bancos russos do SWIFT, o nosso representante assegurará os seus compromissos. Assim, ultrapassada esta questão, é nossa intenção manter a relação que construímos há tantos anos“, conclui.

  ZAP //

3 Comments

  1. Quem vender mercadorias ou serviços à Russia está a trair a nova ordem mundial e as sanções à Russia. Arranjem outros mercados.

  2. É o ricochete de andarem a reboque dos Americanos.
    O Biden, tratou lodo de ir pedir petróleo à Venezuela e ao Irão assim como pedem ao Brasil para aumentar a produção, além das reservas estratégicas que têm não lhe irá faltar e quer o quê? que os Europeus deixem de comprar à Russia? onde vão buscar fertilizantes (vinham da Russia e da Ucrânia) . Nesta caso as seguradores já disseram (mão abrange, fiquem com o prejuizo e, assim têm os dilema ou continuam a exportar e recebem ou fica lá tudo. Há não não esquecer, reclamam a baixa de impostos e depois vão pedir ajuda ao Estado.
    Depois……………..depois lá vão uns milhões para ajudar a reconstrução, todos vamos pagar.

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