Portugal é o país do mundo com mais mortes. Vacina da Oxford vai chegar com atraso

Pela primeira vez, desde o início da pandemia da covid-19, Portugal é o país com maior número de vítimas mortais e mais casos de infeção por milhão de habitantes em todo o mundo. Más notícias, no mesmo dia em que se sabe que vão haver atrasos na entrega das vacinas da AstraZeneca.

Segundo os dados do portal Our World in Data, atualizados esta quinta-feira, a média calculada a sete dias, aponta para 18,24 óbitos por milhão de habitantes, valor que tem estado a subir desde 29 de dezembro de 2020.

Só nas últimas 24 horas, registaram-se em Portugal mais 234 vítimas mortais por covid-19 e, ao longo da última semana, a curva não parou de subir diariamente.

O segundo país com mais mortes por milhão de habitantes, atribuídas ao novo coronavírus, é o Reino Unido (18,1). Seguem-se República Checa (14,9) e Eslováquia (14,16).

Da lista dos 10 países com maior número de óbitos por milhão de habitantes, a Alemanha (9,67) e os Estados Unidos (9,24) são os que apresentam os números mais baixos.

Relativamente aos novos casos de Covid-19 registados por milhão de habitantes, Portugal também lidera a lista mundial com 1.083,59 novas infeções por milhão de habitantes, seguido de Andorra (944.80), Israel (875,66) e Espanha (747,69).

Apenas 700 mil vacinas AstraZeneca até março

É considerada decisiva para acelerar o processo de imunização dos portugueses contra a covid-19, mas a chegada a Portugal da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca sofreu um percalço.

De acordo com a TSF, o anúncio feito esta sexta-feira pela sede da empresa de atrasos na produção significa que o país só vai receber em fevereiro e março cerca de 700 mil vacinas das 1,4 milhões previstas.

O coordenador da equipa que está a gerir o plano nacional de vacinação contra a covid-19 confirma à rádio, no entanto, que foram recentemente informados pela AstraZeneca de dificuldades e atrasos no calendário de entrega.

Francisco Ramos tem dito que a aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e chegada desta vacina da AstraZeneca será decisiva para acelerar o processo, algo que mantém, mas estes percalços obrigarão a rever o calendário, o que acaba por ser uma má notícia, referiu à TSF.

Entretanto, se tudo correr como previsto e a vacina da AstraZeneca for aprovada até ao final de janeiro, Portugal deve chegar a fevereiro com três tipos de vacinas – da Pfizer, Moderna e Astrazeneca -, algo que, segundo o coordenador do plano, será uma boa notícia.

O responsável do plano de vacinação acrescenta que todas as empresas estão com dificuldades em cumprir os prazos de entrega previstos, registando-se atrasos.

Depois da Pfizer, a AstraZeneca será o segundo maior fornecedor de vacinas para Portugal. Inicialmente, antes desta revisão em forte baixa, estava planeada a receção de 700 mil vacinas desta empresa em fevereiro e outras 700 mil em março.

A farmacêutica britânica AstraZeneca informou esta sexta-feira a Comissão Europeia de que não vai ser capaz de distribuir todas as doses nos prazos acordados.

Um porta-voz da empresa confirmou à agência de notícias Reuters que a culpa é de uma menor capacidade de produção do que aquilo que estavam à espera.

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), até agora foram administradas pouco mais de 200 mil vacinas em Portugal contra a covid-19, havendo cerca de 25 mil pessoas com as duas doses.

O plano de vacinação começou a ser executado a 27 de dezembro e tem avançado a um ritmo lento, à medida que as doses vão chegando ao país.

Segundo o plano inicial, se o país recebesse as 1,4 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca, Portugal devia vacinar por semana, em fevereiro, entre 150 mil a 200 mil pessoas.

“Um percalço”

Ainda assim, o coordenador da taskforce do Plano de Vacinação da covid-19, Francisco Ramos, garantiu hoje que o atraso da vacina AstraZeneca/Oxford não comprometerá a primeira fase do plano português, mas não permitirá antecipá-lo, admitindo uma quebra de 50% do esperado.

Francisco Ramos admitiu “um percalço” com o que era esperado, apontando que “a Astrazeneca, de facto, está com dificuldades em cumprir o calendário de produção”, tendo proposto “nos últimos dias, uma redução muito acentuada de entregas para os próximos dois meses”.

“De qualquer forma, para Portugal, esse número permite-nos cumprir o Plano Nacional da forma como estava delineado, terminando a vacinação das pessoas incluídas na fase um até abril. O que não vai permitir é a antecipação para março”, garantiu o responsável.

Ana Moura, ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Estas organizações internacionais são boas a fazer médias… Por exemplo: se um habitante da Europa come 2 frangos por semana e um habitante do Saara Ocidental não comer nenhum; em média comem um frango cada um! Que interessa a média dos mortos…? Principalmente quando são 18,24… Então quando se morre não é por inteiro?? A isto chama-se a banalização da morte. A morte é um número. E por isso podem morrer 2,1 ou 80,9. Até parece que não são pessoas. Falam em óbitos como se fossem coisas… Bem vindos à desumanização!!

  2. Maravilhoso, Portugal bateu outro recorde absoluto, mas ninguém sabe porque…
    Sou tão feliz, vivo num país de recordistas.
    Os chineses não sabem nada, já há 6 meses que não têm uma infecção de jeito, assim não batem recordes…

    • O panasca é que virou a vida de todos do avesso. E deve ter votado no maior rasquido político da História: o papagaio do reino.

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