Uma ponte de salvação. A pintura serviu de terapia para Goya

Vicente López y Portaña (1772–1850)

Retrato de Goya pintado por Vicente López y Portaña (1772–1850) exposto no Museu Nacional do Prado, Espanha.

Especialistas acreditam que a evolução nada convencional da obra do pintor espanhol Francisco de Goya (1746-1828) reflete a sua vida atribulada, marcada por tragédias familiares, bem como por doenças sobre as quais não há consenso.

O Museu do Prado, em Madrid, conta, citado pela Europa Press, que em meados de 1819, Goya, que era pintor da corte de Fernando VII, comprou uma casa de campo, conhecida como La Quinta del Sordo, na outra margem do rio Manzanares, na capital espanhola.

Até então, as suas pinturas eram na sua grande maioria joviais, coloridas, retratando situações do dia-a-dia, mas o artista acabou por sofrer de uma doença grave.

Quando recuperou, continua a agência espanhola, encheu as paredes da sua casa com outro tipo de pinturas, numa coleção batizada de “Pinturas Negras”, em que retratava o tempo e a morte, o destino e o mal humano, utilizando escuras e imagens macabras.

Estas mesmas obras estão agora nas paredes da galeria de arte espanhola.

Andrés Rebollo, médico residente do terceiro ano de Psiquiatria do Hospital Ramón y Cajal, em Madrid, fez uma apresentação no XXIII Congresso Nacional de Psiquiatria sobre a forma como Goya utilizou a pintura como terapia na sua vida, frisando que há várias teorias sobre este tema que está ainda longe de ser consensual.

“Há várias teorias sobre como é que a pintura serviu de ponte de salvação para Goya face às diversidades da sua vida. [O pintor] perdeu quatro dos seus cinco filhos, além da esposa. Ficou viúvo e adoeceu várias vezes, não se sabendo ainda exatamente de que doença padeceu. Além disso, viveu no tempo da guerra e trabalhou muito para ver o seu trabalho reconhecido, ficando totalmente surdo ao mesmo tempo”, disse o especialista.

Rebollo, de 27 anos, diz estudar este tema à luz da psiquiatria por considerar que há ainda “muito a dizer (…) sobre a evolução artística do pintor espanhol e sobre a forma como a pintura pode tê-lo ajudado numa vida tão traumática e complexa como foi a sua”.

“Existem muitas teorias sobre se Goya sofria de alguma doença mental, bipolaridade, ou outro problema psiquiátrico que justificou as ‘Pinturas Negras’, um trabalho muito marcante e chocante relativamente à sua atividade [artística] anterior”, continuou.

“[Goya] não sofreu de uma doença mental grave, mas era um génio sem precedentes e com uma capacidade de introspeção brutal, o que lhe permitiu captar nas suas pinturas a morte, a vida após a morte e todo o psiquismo daquele homem”, remata.

Sara Silva Alves, ZAP //

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