Misteriosa doença de Goya desvendada quase 200 anos depois da sua morte

Vicente López y Portaña (1772–1850)

Retrato de Goya pintado por Vicente López y Portaña (1772–1850) exposto no Museu Nacional do Prado, Espanha.

Retrato de Goya pintado por Vicente López y Portaña (1772–1850) exposto no Museu Nacional do Prado, Espanha.

Quase 200 anos depois da morte do pintor espanhol Francisco Goya  (1746-1828), pode ter sido finalmente, desvendada a misteriosa doença que lhe tirou a audição aos 46 anos de idade.

A misteriosa doença de Goya, que o artista espanhol terá desenvolvido a meio do ano de 1793, é um dos dados marcantes da biografia do pintor.

A grave doença tê-lo-á deixado acamado, durante vários meses, com dores de cabeça, tonturas, alucinações, problemas de visão e zumbidos nos ouvidos. A maioria destes sintomas acabaram por passar, mas o pintor ficou surdo com apenas 46 anos de idade.

Entre as muitas especulações que surgiram sobre essa misteriosa maleita, surgem a sífilis, a meningite bacteriana e o envenenamento por chumbo, por causa da tinta que usava para pintar.

Mas uma nova análise da cirurgiã Ronna Hertzano, perita em audição da Escola de Medicina da Universidade de Maryland (UM SOM), nos EUA, aponta que Goya sofreria, afinal, de uma doença auto-imune conhecida como Síndrome de Susac.

Esta doença rara caracteriza-se pelo aparecimento de uma “tríade clínica” de sintomas, designadamente “encefalopatia, oclusões de ramos arteriais da retina e perda de audição neuro-sensorial”, explica uma nota da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

“O sistema imunitário de uma pessoa ataca pequenos vasos sanguíneos no cérebro, na retina e no ouvido interno”, esclarece Ronna Hertzano no Live Science, notando que a condição inclui como sintomas “dores de cabeça, dificuldade em pensar, problemas psiquiátricos, perda de visão, de equilíbrio e de audição”.

Este quadro clínico aponta para que Goya padeceria do Síndrome de Susac, salienta Hertzano, realçando que ele apresenta “uma certa constelação de sintomas”.

Além disso, a cirurgiã frisa que doenças como a sífilis, a meningite e o envenenamento por chumbo deixariam mazelas muito mais graves, nos pacientes do Século XVIII, do que aquelas que Goya apresentava. Ele limitou-se a perder a audição.

A investigadora apresentou estas conclusões durante a Conferência Anual de História Clínico-patológica promovida pela UM SOM e que se debruça sobre o diagnóstico de doenças que afectaram figuras históricas.

Hertzano admite que o caso de Goya foi “um mistério médico fascinante“, mas que também exigiu “verdadeiro trabalho de detective“, adianta a UM SOM em comunicado.

Goya morreu em 1828, exilado em Bordéus, França, com 82 anos de idade, e diz a história que se tornou irascível devido à doença.

Entre as suas obras mais célebres e elogiadas estão as chamadas “Pinturas Negras”, uma série de 14 murais que Goya pintou por volta de 1819, que incluem referências às turbulências de Espanha, durante o reinado de Fernando VII, mas provavelmente, também são um reflexo dos seus fantasmas internos, devido ao agravar da condição física.

SV, ZAP //

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