Polícias rejeitam proposta do MAI para o subsídio de risco e prometem novos protestos

José Sena Goulão / Lusa

Os sindicatos da PSP e as associações socioprofissionais da GNR rejeitaram, esta quarta-feira, a proposta apresentada pelo Governo para o subsídio de risco e prometem novos protestos até que seja atribuído “um valor justo”.

Saímos completamente desiludidos, pensávamos que o Governo ia mais além do que este valor apresentado, que pouco mudou em relação ao inicial. O que mudou foi que passou a ser um valor fixo para todos de 100 euros, isto é, 68,96 euros”, disse aos jornalistas o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), César Nogueira.

As declarações foram feitas depois de uma reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, no âmbito das negociações para a atribuição de um valor para o subsídio de risco, tal como está definido no Orçamento do Estado (OE) deste ano.

O Ministério da Administração Interna (MAI) propôs que o atual suplemento por serviço nas forças de segurança aumente de 31 para 100 euros, considerando que este subsídio já contempla o risco da profissão.

César Nogueira considerou que este valor “não dignifica o risco” da profissão e adiantou que vão continuar com os protestos, que podem passar por vigílias ou por uma grande manifestação, e falar com os grupos parlamentares para que no próximo OE venha contemplado outro valor.

O presidente da APG afirmou ainda que o secretário de Estado disse que esta questão já estava fechada, mas espera que na reunião da próxima semana possa haver um entendimento em relação a uma atualização anual dos 100 euros.

Também o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, mostrou-se insatisfeito com o montante apresentado, considerando que “o risco na PSP e GNR não pode ter esse valor”, que “em bom rigor não chega aos 70 euros”.

“Há mais uma reunião para a semana, mas, segundo o secretário de Estado informou, o valor está fechado e não podemos aceitar essa proposta e esta conclusão do processo, vamos continuar a reunir com os deputados, levar a questão aos grupos parlamentares para que haja alguma melhoria na proposta do Governo”, sustentou, avançando que as ações de luta dos polícias vão ser constantes até que “o risco seja efetivamente compensado”.

Paulo Santos sublinhou que os polícias não podem ser “desvalorizados desta forma”, frisando que esperava que a proposta da APG e da ASPP fosse acolhida, tendo em conta que é “séria, razoável, realista e responsável”.

A ASPP e a APG defendem o pagamento faseado do subsídio de risco até 2024. Em janeiro de 2022 seria pago 200 euros, em 2023 aumentava para 300 euros, fixando-se em 2024 nos 430 euros.

Já as restantes estruturas, que estão juntas numa plataforma composta por 10 sindicatos da Polícia de Segurança Pública e três associações socioprofissionais da Guarda Nacional Republicana, exigem um subsídio de risco no valor de 430,39 euros, idêntico ao que é atribuído a outras polícias, como inspetores da Polícia Judiciária e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Carlos Carolino, dirigente do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), disse à agência Lusa que o Sinapol apresentou na reunião uma negociação suplementar com o objetivo que seja atribuído os 430,39 euros de subsídio. O responsável sublinhou que “não abdicam deste valor” e considerou a proposta hoje apresentada pelo MAI “insultuosa”.

No final da reunião, o secretário de Estado disse aos jornalistas que, esta quarta-feira, foi apresentada a proposta final.

“O suplemento das forças de segurança tem uma componente fixa e uma componente variável. A componente variável é 20% do salário de cada elemento e a componente fixa é uma outra parte. O que Governo decidiu foi aumentar a componente fixa para todos os polícias para 100 euros”, afirmou Antero Luís.

Inicialmente, o MAI tinha proposto o valor de 100 euros para os elementos em funções de ronda e patrulha, 90 euros para quem têm funções de comando e 80 euros para os restantes operacionais, significando, na prática, um aumento de 68, 59 e 48 respetivamente, uma vez que o suplemento por serviço nas forças de segurança é atualmente de 31,98 euros.

Enquanto os dirigentes dos sindicatos e associações socioprofissionais estiveram reunidos com o secretário de Estado, cerca de uma centena de elementos da PSP e da GNR estiveram concentrados em frente do MAI.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Em apenas três anos, a Austrália perdeu um terço dos seus coalas

A seca, os incêndios florestais e a desflorestação na Austrália levaram o país a perder um terço dos seus coalas nos últimos três anos. A Austrália perdeu cerca de 30% dos seus coalas nos últimos …

Há modelos matemáticos que preveem se uma música vai ser viral — os mesmos utilizados com a covid-19

O uso de modelos matemáticos para antecipar o nível de sucesso de uma música pode começar a ser usado, a partir da publicação do presente estudo, por artistas e editoras para melhorar o desempenho dos …

Alemanha. Funcionário de posto de combustível abatido a tiro por cliente que se recusou a usar máscara

Um homem de 49 anos matou um funcionário de um posto de combustível na Alemanha, após tentar comprar cerveja sem utilizar a máscara. No país, o uso deste equipamento de proteção é obrigatório para entrar …

Um violino gigante flutuou no Grande Canal de Veneza (ao som de Vivaldi)

No passado fim de semana, um violino gigante, com quase 12 metros de comprimento, desceu o Grande Canal de Veneza. A bordo estava um quarteto de cordas, que tocou Four Seasons de Vivaldi. O Noah's Violin …

Assembleia de credores aprova recuperação da Groundforce

Esta quarta-feira, os credores da Groundforce aprovaram a recuperação da empresa. Em causa está uma dívida de 154 milhões de euros. Os credores da Groundforce, reunidos esta quarta-feira em assembleia de credores, no tribunal de Monsanto, …

Europeus acreditam numa "guerra fria" entre os EUA e a China e Rússia

A maioria dos cidadãos da União Europeia (UE), 62%, considera que os Estados Unidos (EUA), com apoio das instituições comunitárias, estão numa nova "guerra fria" com a China, mas recusam envolvimento nacional, revelou um inquérito …

Desenho de Van Gogh esteve guardado mais de 100 anos. Agora, é exibido pela primeira vez

O Museu de Amesterdão, nos Países Baixos, ganhou um novo inquilino: Study for 'Worn Out', um desenho recém-descoberto de Vincent van Gogh. O holandês Vincent van Gogh ainda continua a impressionar o mundo inteiro com a …

No Afeganistão, as professoras estão prontas para desafiar o regime talibã

No Afeganistão, as professoras estão prontas para desafiar o regime talibã, com receio de que os avanços dos últimos 20 anos tenham sido conquistados em vão. A Vice falou com algumas professoras afegãs que garantem continuar …

Apenas um terço das crianças em 91 países tem acesso a uma alimentação adequada, alerta UNICEF

Apenas um terço das crianças com menos de dois anos em 91 países em desenvolvimento têm acesso aos alimentos que necessitam para um crescimento saudável, revelou um relatório da UNICEF, apontando que nenhum progresso foi …

Preços das casas voltaram a aumentar no segundo trimestre

Entre abril e junho, o índice de Preços da Habitação (IPHab) cresceu 6,6% em termos homólogos. A revelação foi feita esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Índice de Preços da Habitação (IPHab) cresceu …