“Pode até fazer o pino, mas o CDS é um partido de direita. Ponto final”

Francisco Rodrigues dos Santos / Facebook

Francisco Rodrigues dos Santos, candidato à liderança do CDS-PP

Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que o CDS-PP não precisa de uma viragem à direita porque “já é um partido de direita”.

“O CDS pode fazer o pino, uma cambalhota e um malabarismo no trapézio que, aos olhos dos portugueses, a perceção é que o CDS é um partido de direita. O CDS é um partido de direita, ponto final”, afirmou o candidato à liderança do partido, Francisco Rodrigues dos Santos.

Em entrevista à Lusa dias antes do 28.º congresso do partido, o atual líder da Juventude Popular defendeu que o CDS “precisa de ser aquilo que é, mais nada”. E, na ótica do centrista, essa deve ser a estratégia a adotar no futuro.

“Se nós atirarmos primeiro para a direita, que é lá que os nossos eleitores têm morada, nós conquistamos o povo para depois irmos à conquista do centro e podermos crescer porque temos o exército connosco, e é ao centro que nós nos encontramos com os nossos adversários e podemos catapultar o CDS para novos horizontes eleitorais”, salientou.

Já se os centristas forem “primeiro para o centro, que é terra de ninguém”, prosseguiu Francisco Rodrigues dos Santos, poderão ser “completamente trucidados pelos adversários”.

“E quando batermos em retirada para a direita, queremos entrar em casa e mudaram-nos a fechadura e a nossa gente já não está lá”, atirou, defendendo que o partido deverá crescer “da direita para o centro” e “ter a coragem de travar com a esquerda uma batalha cultural que existe em diversos domínios da vida em sociedade”.

Sobre possíveis entendimentos futuros com o PSD, à semelhança do que aconteceu no passado, o candidato à liderança começou por destacar que “são partidos obviamente diferentes, têm um edifício de ideias e de valores diferente, o perfil dos seus dirigentes também é distinto”.

Ainda assim, admitiu, “o eleitor tipo do PSD e do CDS são muito parecidos, isto é, o PSD e o CDS acabam por ser partidos justapostos”. “Naturalmente que eles, embora não sejam nossos adversários diretos, são nossos concorrentes e nós temos que conquistar esse espaço”, vincou Rodrigues dos Santos.

Apesar de sinalizar que essa não é uma prioridade, o candidato não descarta uma “política de alianças”, desde que seja respeitada a identidade do CDS e os centristas não se tornem num “partido parido satélite”, sem “quaisquer hipóteses” de “sonhar ser um dia o primeiro partido à direita do Partido Socialista”.

Na ótica do líder da Juventude Popular, “o CDS vale por si próprio” e não é “uma tendência nem uma corrente interna de nenhum outro partido”. Por isso, Francisco Rodrigues dos Santos tem “o sonho e expectativa de capacitar o CDS com todos os instrumentos humanos e políticos para ser um partido que autonomamente consiga desempenhar o poder”, apesar de nunca ter governado sozinho.

Questionado sobre alianças com o Chega, Francisco Rodrigues dos Santos também não fecha a porta, desde que não haja “nenhuma violação das traves mestras nem das linhas vermelhas que são o ADN do partido”. “Eu acho que os partidos à direita do Partido Socialista devem ter as mesmas possibilidades de fazer entendimentos à semelhança daquilo que acontece com o Partido Socialista com as forças políticas à sua esquerda.”

“Nós sabemos o seguinte, é que há partidos emergentes à nossa direita, e nós que gostávamos tanto de dizer que à nossa direita existia uma parede, pelos vistos essa parte era de pladur porque ruiu”, assinalou, destacando que “existe um elefante na sala, numa loja de porcelanas que está a partir a loiça toda”.

Apesar disso, Francisco Rodrigues dos Santos defende que “o CDS deve focar-se em si para se reposicionar novamente, preencher um espaço que sempre foi o seu”, e não se “preocupar com os partidos do lado”, afirmando-se como a “fronteira de todos os extremismos”.

Descolando-se da frase da líder Assunção Cristas, quando disse, em 2018, estar pronta para ser primeira-ministra, o centrista descartou colocar-se “em bicos de pés” ou “achar que um resultado autárquico é suficiente para legitimar essas expectativas”. “Eu acho que a ambição nunca fez mal a ninguém desde que não resvale num umbiguismo e num ego que transcende a dimensão do próprio partido”, criticou.

Os candidatos à liderança do CDS são Abel Matos Santos, João Almeida, Filipe Lobo d’Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e Carlos Meira. O 28.º congresso nacional, marcado para 25 e 26 de janeiro em Aveiro, vai eleger o sucessor de Assunção Cristas.

CDS tem de “voltar a ser sexy”

O candidato à liderança do CDS mostra-se convicto de que poderá “introduzir um efeito novidade”, através de uma “nova energia” e de um “novo vigor”, num partido que tem de “voltar a ser sexy”.

É preciso “dar ao CDS uma nova vida, composta por uma nova vaga de protagonistas de todas as idades, que impeça o CDS de ser um partido passivo ou do passado, ou composto por uma lógica de continuidade de uma transição normal”.

“Aqueles que estiveram no nosso partido durante os últimos anos, alguns deles terão naturalmente que se manter e continuar a representar este fator histórico do partido, mas se o CDS não for capaz de surpreender, de ser uma pedrada no charco, uma lufada de ar fresco que dê esperança aos portugueses, vai ser mais do mesmo, com os mesmos”, advogou.

Na ótica do candidato à liderança, “isto não vai fazer os portugueses voltarem a acreditar no CDS”, por isso defende “uma remodelação interna” que leve para os órgãos do partido “uma nova vaga de protagonistas de todas as idades, gente nova, nova gente e gente que o CDS sempre gostou”.

Por isso, que a sua candidatura “permite apresentar uma alternativa que não seja de continuidade, não esteja compreendida dentro da norma, que não seja uma transição clássica”. O que propõe é então “uma mudança que permite conciliar a novidade com a experiência” e que coloque o CDS numa “nova direita”, como “um partido que não é passivo, nem do passado, e que tem futuro”.

“Eu acho que os portugueses estão à espera que o CDS apresente esta capacidade de se remodelar e ser um partido que deixe correr uma brisa fresca e uma corrente de ar”, frisou, defendendo que o partido tem de ser “novamente acutilante e disruptivo aos olhos dos eleitores”, onde “os militantes não sejam peças decorativas”.

A par de aumentar a presença do partido nas redes sociais, “o CDS precisa naturalmente fazer um rebranding da sua imagem, de uma nova linguagem gráfica e cromática, de modo a tornar-se um produto que seja apetecível aos olhos dos eleitores, volte a ser sexy, que no contacto visual desperte a sua atenção e suscite a sua curiosidade”, assinala.

“E mais, tem que fazer outra coisa que eu acho fundamental, é ter um discurso que fale a linguagem das pessoas e que vá direto aos problemas que elas vivem no seu dia a dia”, prosseguiu o candidato.

Eventual apoio a Marcelo

Francisco Rodrigues dos Santos remete para os órgãos do partido as decisões sobre as próximas eleições presidenciais, escusando-se a revelar se apoiaria uma eventual candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

“Vamos reunir o órgão máximo do partido entre congressos, que é o Conselho Nacional, e vamos abrir a discussão a todos os militantes que lá estejam representados, sendo certo que a sua opinião será soberana e que o que lá ficar decidido será transposto como posição oficial do CDS”, assinalou.

Antes da decisão sobre um eventual apoio, à semelhança do que aconteceu em 2016, “há um balanço que tem que ser feito sobre o mandato presidencial”, advogou o candidato.

ZAP // Lusa

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