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Plano de testes em massa não está pronto (e task-force ainda nem está formada)

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Guillaume Horcajuelo / EPA

A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou, no início de fevereiro, que Portugal ia avançar para uma estratégia de testagem massiva à covid-19. No entanto, o plano ainda não é conhecido.

De acordo com o semanário Expresso, que avança a notícia esta sexta-feira, isto deve-se ao facto de que, apesar de a ministra da Saúde afirmar que a estratégia está a ser elaborada, na verdade, esta preparação ainda nem terá tido início.

Recorde-se que, nos últimos dias de fevereiro, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, disse, em entrevista à RTP3, que o plano de testagem massiva, anunciado pela ministra da Saúde, ainda não estava pronto e que havia arestas a limar, pelo que iria “começar dentro de pouco tempo”, referiu o governante.

“Há aqui alguns processos que temos de aperfeiçoar”, admitiu Lacerda Sales, explicando que a estratégia para as escolas “ainda a ser elaborada”, dando como exemplo de quanto em quanto tempo é que devem ser feitos os testes.

Porém, o Expresso adianta que o rastreio vai preparado por uma nova task-force que ainda está em formação.

O grupo, que vai ser liderado pelo presidente do Instituto Ricardo Jorge (INSA), Fernando de Almeida, começou a reunir os elementos necessários nos últimos dias para dar início à preparação do plano para a testagem em massa.

Desta task-force, farão parte, entre outros, representantes da rede de laboratórios privados com convenções com o Serviço Nacional de Saúde e do setor social, como é o caso da Cruz Vermelha Portuguesa, que têm assegurado análises, de antigénio e moleculares, de diagnóstico da covid-19 entre os portugueses.

Segundo o Expresso, a Associação Nacional de Laboratórios só foi chamada na semana passada e à Cruz Vermelha chegou também, entretanto, um pedido de ajuda. O contacto terá sido feito informalmente, por telefone, pelo próprio presidente do INSA.

O semanário avança ainda que os rastreios nos setores mais expostos ao vírus só vão avançar nas creches e nas escolas até ao 3º ciclo para docentes e funcionários. O rastreio a alunos apenas está previsto a partir do segundo ciclo, frequentado por alunos entre os 10 e os 12 anos. Além disso, as análises serão feitas depois da reabertura.

O Governo pretende realizar ciclos quinzenais de testagem, com cinco dias cada, nos concelhos com 120 casos de covid-19 por 100 mil pessoas. No total, serão 110 mil a 460 mil por ciclo.

Segundo os laboratórios, a tarefa é complexa e exige a capacitação das unidades para a gestão de recursos humanos. No entanto, para já, ainda não foi avançada qualquer data.

  Maria Campos, ZAP //

2 Comments

  1. ohhhh…
    a testagem em massa foi afinal uma diminuição da testagem em massa.
    Depois de publicada legislação para se testar em massa escolas, industria e construção civil nada mais foi publicado sobre como se ia operacionalizar essa testagem.
    Aliás o que se verificicou foi que a testagem caiu drasticamente para, em alguns dias, ser cerca de 10 mil testes dia. A justificação é que o n.º de casos diminui muito logo não se testa.
    Se assim é para que anunciar testagem em massa? testa-se apenas para dispistar contactos com casos positivos e nada mais…

    • “Se assim é para que anunciar testagem em massa?”
      Não será para controlar o desconfinamento?
      Bastava pensar um bocadinho ANTES de comentar…

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