Petrolíferas mentiram sobre o seu impacto durante décadas

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O documento, intitulado “A América enganou”, expõe como o setor da energia fóssil financiou e organizou uma “campanha de desinformação” para “suprimir a ação e proteger o status quo nas suas operações económicas.

As petrolíferas usaram durante décadas estratégias de desinformação sobre o seu papel nas alterações climáticas, recorrendo a “táticas de negação e adiamento retiradas diretamente do manual de estratégia das tabaqueiras”, denunciou esta terça-feira um relatório de uma universidade norte-americana.

Intitulado “A América enganou”, da autoria de cinco académicos da Universidade George Mason, mas também de Harvard e de Bristol, o documento expõe como o setor da energia fóssil financiou e organizou uma “campanha de desinformação” para “suprimir a ação e proteger o status quo nas suas operações económicas”.

O documento dá como exemplo a maior petrolífera dos EUA, a Exxon Mobil, que esta terça-feira será julgada num processo por fraude, em Nova Iorque, tendo sido acusada pela Procuradoria-Geral de enganar os seus acionistas sobre o impacto que podiam ter nas suas contas as leis de combate às alterações climáticas.

Um dos coautores do relatório, John Cook, professor do Centro para a Comunicação sobre as Alterações Climáticas da Universidade George Mason, assegurou que o documento “faz luz sobre como a desinformação financiada pelas energias fósseis negou o direito do público a estar informado com exatidão”.

“Os cientistas empregados no setor dos combustíveis fósseis conheciam os potenciais efeitos de aquecimento das emissões de dióxido de carbono desde 1950”, referem os académicos, que citam documentos internos da Exxon Mobil datados entre 1977 e 1998, nos quais é visível que “estavam perfeitamente conscientes” dos riscos associados aos seus produtos.

As provas são inequívocas: a Exxon enganou o público“, defende o investigador Geoffrey Supran, do Departamento de História da Ciência da Universidade de Harvard. “Em vez de alertar o público ou fazer algo, deram a volta e orquestraram uma campanha massiva para proteger os seus lucros”, acrescenta.

Os investigadores afirmam que a desinformação teve êxito nos Estados Unidos, onde as políticas para mitigar as alterações climática foram “bloqueadas ou atrasadas durante décadas” enquanto se verificavam alterações extremas no clima, assim como prejuízos e mortes que “continuarão a piorar se não expusermos [a desinformação] e dermos crédito ao negacionismo”.

Aos norte-americanos “foi-lhes negado o seu direito a estar informados com exatidão sobre as alterações climáticas, da mesma forma que lhes foi negado o seu direito a estar informados sobre os riscos de fumar pela grande indústria tabaqueira (Big Tobacco)”, denuncia o relatório.

Os cientistas dizem que a indústria petrolífera (Big Oil) é o novo Big Tobacco: “Seguindo o manual de instruções da indústria tabaqueira, as empresas de combustíveis fósseis gastaram centenas de milhões de dólares a confundir o público e atrasar ações que podem salvar vidas”.

O relatório inclui estratégias para combater as técnicas negacionistas que “semeiam a semente da dúvida nas pessoas”, disponibiliza anotações sobre vários documentos internos de Exxon Mobil e até um anúncio publicado no ano 2000 no jornal The New York Times com “argumentos falsos”.

ZAP // Lusa

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