Perda de memória, alucinações e atrofia muscular. Misterioso distúrbio cerebral intriga médicos no Canadá

Médicos canadianos temem estar a lidar com uma doença cerebral até então desconhecida devido a uma série de casos que envolvem perda de memória, alucinações e atrofia muscular.

Há mais de um ano que as autoridades de saúde pública do Canadá rastrearam 43 casos de suspeita de doença neurológica sem causa conhecida na província de New Brunswick.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a investigação só foi conhecida na semana passada, quando a agência de saúde pública divulgou uma nota que pedia aos médicos para estarem atentos a sintomas semelhantes à doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD, na sigla em inglês) – uma doença cerebral rara e fatal causada por proteínas deformadas conhecidas como priões.

“Estamos a colaborar com diferentes grupos e especialistas nacionais. No entanto, não foi identificada nenhuma causa clara até ao momento”, lia-se no memorando.

Uma série de sintomas, incluindo perda de memória, problemas de visão e movimentos bruscos anormais dispararam um alerta na rede de vigilância CJD do Canadá. Mas, apesar das semelhanças iniciais, o rastreio não obteve nenhum caso confirmado de CJD.

“Não temos evidências que sugiram que seja uma doença de prião”, disse Alier Marrero, neurologista que liderou a investigação em New Brunswick.

Agora, uma equipa de investigadores, incluindo cientistas federais, estão numa corrida contra o tempo para determinar se estão a lidar com uma síndrome neurológica desconhecida ou com uma série de doenças não relacionadas, mas previamente conhecidas e tratáveis.

Marrero disse que os pacientes se queixaram, inicialmente, de dores inexplicáveis, espasmos e mudanças de comportamento – sintomas que poderiam ser facilmente diagnosticados como ansiedade ou depressão.

Contudo, ao longo de 18 a 36 meses, começaram a desenvolver declínio cognitivo, perda de massa muscular, salivação e batimento dos dentes. Vários pacientes também começaram a ter alucinações.

Para que um novo caso seja incluído no grupo de New Brunswick, Marrero e a equipa realizam um extenso estudo da história do paciente, bem como uma bateria de testes, incluindo imagens cerebrais, testes metabólicos e toxicológicos e punção lombar, para descartar outras doenças possíveis, como demência, doenças neurodegenerativas, doenças autoimunes e possíveis infeções.

Apenas um único caso suspeito foi registado em 2015, em 2019, já havia 11 casos e, em 2020, 24. Os cientistas acreditam que cinco pessoas morreram da doença.

“Não vimos nos últimos 20 anos ou mais um grupo de doenças neurológicas resistentes ao diagnóstico como esta”, disse Michael Coulthart, chefe da rede de vigilância CJD do Canadá.

A maioria dos casos está ligada à península Acadian, uma região pouco povoada na parte nordeste da província. O número geral de casos permanece baixo, mas New Brunswick tem uma população de menos de 800 mil pessoas.

Uma equipa crescente de investigadores está a trabalhar para determinar se há uma ligação comum entre os casos ou quaisquer causas ambientais, incluindo fontes de água, plantas e insetos.

“Não sabemos o que está a causar isto”, disse Marrero. “De momento, só temos mais pacientes a parecer ter essa síndrome”.

A notícia da doença desconhecida gerou preocupação, mas os especialistas alertaram contra tirar conclusões prematuras.

“Realmente não sei se temos uma síndrome definida. Simplesmente ainda não há informações suficientes”, disse Valerie Sim, investigadora de doenças neurodegenerativas da Universidade de Alberta.

A cientista observou que não foram documentados os principais marcadores para doenças neurológicas degenerativas e que a ampla gama de sintomas no grupo era “atípica” para a maioria das doenças cerebrais. Ao mesmo tempo, certos tipos de cancro, demência ou diagnósticos errados podem explicar a extensão dos sintomas.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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