Patrões querem entrada do Estado nas empresas para aguentar a crise

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) vai apresentar, na próxima semana, uma proposta para a entrada do Estado nas empresas, com capital de risco, de forma a segurá-las durante a crise provocada pela pandemia.

De acordo com presidente da CIP, António Saraiva, citado pelo Público, a ideia é criar um fundo que ajude a capitalizar empresas em dificuldade em troca do controlo de capital social. O Estado tornar-se-ia temporariamente acionista, ações essas que seriam devolvidas quando a normalidade fosse restabelecida.

“Não somos pobres e mal-agradecidos e reconhecemos que o Governo lançou um conjunto de medidas que foram bem-vindas”, mas o crédito está a esgotar-se, indicou António Saraiva. O Governo mobilizou 13 mil milhões até agora em crédito. Nas contas da CIP, apresentadas no início do mês, seriam precisos 20 mil milhões.

“Portugal estava a exportar 47% do PIB, mas a Europa está fechada. Isto vai ter um enorme impacto. Penso que haverá quem ainda não esteja a ver o que vem aí. O apoio do Governo vale 13 mil milhões, a CIP estimou 20 mil milhões, e julgamos que é fundamental caminhar nesse sentido”, declarou.

E apontou: “Acompanhamos as posições do governo português quando defende que parte substancial dos fundos europeus deve ser a fundo perdido, deve vir como subvenção. Mas já estranhamos que o mesmo Governo depois não tenha a mesma metodologia na ajuda às empresas em Portugal”.

O fundo referido disponibilizaria “com critérios, com seleção bem feita e sem atirar dinheiro, ajuda às empresas segundo a mesma visão que o Governo defende na UE”, esclareceu, frisando que o crédito, as moratórias e os diferimentos não chegam.

Miguel A. Lopes / Lusa

António Saraiva, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal

Uma fonte do Governo contactada pelo Público disse que, em termos legais, a proposta parece exequível.

Na proposta que a CIP está a trabalhar, o dinheiro viria, em primeiro lugar, das garantias públicas sobre empréstimos que seriam transformadas em capital. Em segundo, do Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD).

“Em vez de garantir 80% sobre cada empréstimo, o Governo daria garantias de 80% sobre todo o crédito. Como a banca está muito criteriosa no crédito, emprestando a clientes sem risco que, por isso mesmo, nem precisam de garantia nenhuma, já estaria a libertar-se parte desse esforço que deveria ser transformado em capital”, explicou António Saraiva.

A CIP sublinhou que é determinante não aumentar o fosso entre países mais ricos, que “estão a ajudar mais a economia em percentagem do PIB”, e os mais pobres, como Portugal, onde o apoio, “é lento e não chega”.

“Quando o capital de risco apareceu, as exigências e os preços amedrontaram os empresários e deixaram-nos com os cabelos em pé em relação a esta terminologia”, recordou. “Mas isso aconteceu sobretudo com uns fundos abutres”.

Agora, “num momento de vida ou de morte”, “desde que o Estado garanta posições de entrada e saída e um custo gerível para as empresas, sem interferir na gestão, e que as empresas garantam que não pagam dividendos e haja bons critérios de escolha”, haverá empresários interessados, garantiu.

ZAP ZAP //

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