Patriots fizeram história no Super Bowl (e não faltaram críticas subtis a Trump)

Os New England Patriots venceram sensacionalmente a 51.ª edição do Super Bowl, em Houston, ao baterem os Atlanta Falcons por 34-28, após o primeiro prolongamento de sempre e depois de estarem a perder por 25 pontos.

No NGR Stadium em Houston, Texas, os New England Patriots escreveram história, rumo ao seu quinto título, depois de 2002, 2004, 2005 e 2015, já que, na final da Liga norte-americana de futebol americano, nunca uma equipa ganhara após uma desvantagem superior a dez pontos.

Os Falcons, que haviam perdido a única final disputada, em 1999, tiveram mão e meia no troféu Vince Lombardi, com vantagens gigantescas de 21-0 e 28-3, mas, com o jogo perdido, o veterano Tom Brady, de 39 anos, fez magia.

Rumo ao seu quinto título, o máximo de um “quarterback”, Brady começou a fazer funcionar o ataque dos Patriots, com passes acertados, uns atrás dos outros, para mais uma série de recordes, que lhe valeram o quarto “MVP” do Super Bowl.

O 12 de New England, escolhido apenas na sexta ronda e na 199.ª posição do draft de 2000, fez recordes de 43 passes completos, 62 tentados e 466 jardas, dois passes para “touchdown” e uma interceção.

Em grande, esteve ainda o “running back” James White, com 14 receções, um recorde do Super Bowl, para 139 jardas, e “três touchdowns”, incluindo os dois últimos.

E história fez também Bill Belichick, que se tornou o primeiro treinador a conseguir cinco vitórias no Super Bowl, à sétima presença, outro recorde.

Críticas a Trump através da publicidade

O investimento em publicidade na final do futebol norte-americano (em 2016 foi vista por 111,9 milhões de telespectadores) é de tal forma elevado que a polémica e a política costumam ficar de fora dos anúncios. Mas, este domingo, várias marcas mudaram de atitude e aproveitaram para difundir críticas à política anti-imigração do novo Presidente.

O anúncio de 30 segundos da Airbnb mostra uma série de pessoas de diferentes etnias, géneros e idades, com a seguinte mensagem: “Não importa quem és, e de onde és, quem amas e em quem acreditas, todos nós temos o nosso lugar”.

A plataforma lançou, nesta ocasião, a palavra-chave “#weaccept” (“nós aceitamos”).
Alguns instantes depois da difusão da publicidade na estação de televisão Fox, o diretor geral da Airbnb, Brian Chesky, publicou uma mensagem no Twitter.

“Vamos contribuir com quatro milhões de dólares nos próximos quatro anos para o Comité Internacional de Socorro”, uma organização não-governamental que ajuda refugiados, “para atender às necessidades dos deslocadas no mundo”, escreveu.

Já a marca de cerveja Budweiser consagrou o seu espaço publicitário à evocação de um dos seus fundadores, Adolphus Busch, e o seu percurso de imigrante alemão nos EUA.

A marca 84 Lumber, especialista em materiais de construção, difundiu uma publicidade que mostra o percurso de uma menina que tenta atravessar na clandestinidade o que parece ser a fronteira entre o México e os Estados Unidos.

A publicidade difundida na Fox mostra apenas a primeira parte do percurso da rapariga e convida a ir até ao site da empresa para ver o resto. O filme publicitário integral mostra dois migrantes que se deparam com um muro, fazendo lembrar o muro que Trump quer construir ao longo da fronteira. Os dois finalmente encontram uma porta que conseguem abrir. De seguida, surge a mensagem: “A vontade de vencer é sempre bem-vinda aqui”.

Igualmente no registo da imigração, a empresa de viagens online Expedia mostra uma mulher que percorre o mundo para socorrer migrantes e ajudar os mais necessitados. O filme publicitário já tinha sido difundido nos Estados Unidos no dia da cerimónia da tomada de posse de Trump como Presidente dos EUA.

Nas redes sociais, as publicidades suscitaram reações maioritariamente positivas, mesmo quando várias mensagens foram bastante críticas.

Lady Gaga e as mensagens de inclusão

Por sua vez, a cantora Lady Gaga iluminou o evento com uma atuação que incluiu mensagens patrióticas e referências subtis à integração de diferentes grupos, incluindo os homossexuais, afro-americanos e latinos, mas sem alusões diretas à administração Trump.

A estrela da pop tinha prometido um concerto “interessante e emocionante” que teria como únicas mensagens políticas as mesmas que tem defendido durante a sua carreira: a necessidade de igualdade e a ideia de que “o espírito deste país é de amor, compaixão e amabilidade”, disse ao The New York Times.

Numa altura de divisão política nos Estados Unidos, Lady Gaga quis apelar à unidade patriótica, tendo iniciado o concerto com um mix do hino “God Bless America”, a canção “This Land Is Your Land” e o juramento de fidelidade à bandeira norte-americana.

A cantora optou por mensagens políticas subtis, como a sua “Born This Way”, uma canção em defesa dos homossexuais, e uma breve entoação no início do espetáculo de “This Land Is Your Land”, uma ode antifascista escrita em 1940 pelo cantor Woody Guthrie, que se tornou um hino alternativo dos EUA.

Também abraçou uma jovem afro-americana do público enquanto cantava “stay” (fica), o último verso da sua nova canção “Million Reasons”, a qual interpretou ao piano.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, assistiu ao espetáculo no próprio estádio, enquanto Donald Trump viu a partida durante uma festa em West Palm Beach, Florida, onde passou o fim-de-semana na sua mansão.

ZAP // Lusa

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