Passos pediu a Cavaco que convide o PS a formar Governo

Manuel de Almeida / Lusa

Pedro Passos Coelho na audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém

Pedro Passos Coelho assume que, depois do PS ter de forma “irresponsável” derrubado o executivo, cabe-lhe agora construir uma solução de Governo com “uma maioria estável, duradoura e credível”, que, no entanto, “ainda não tem”.

O PSD foi o primeiro dos sete partidos com assento parlamentar a ser recebido pelo Presidente da República esta sexta-feira para debater sobre a situação política criada após a demissão do XX Governo Constitucional, depois do PR ter consultado patrões, sindicatos, banqueiros e economistas.

No fim da audiência com Cavaco Silva, o presidente do PSD e primeiro-ministro afirmou que transmitiu a Cavaco Silva que agora “cabe ao PS construir uma solução de Governo que corresponda àquilo que o próprio PS disse que era indispensável e sem o que não derrubaria o Governo que saiu das eleições, ter uma maioria estável, duradoura e credível que ainda não tem”.

À saída do Palácio de Belém, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas, Passos ressalvou que se as circunstâncias constitucionais o permitissem o PSD defenderia a convocação de eleições antecipadas, mas, “uma vez que essa possibilidade está vedada”, cabe nesta fase ao PS “apresentar ao país e ao Presidente da República uma tal alternativa”.

Rodeado pelos vice-presidentes do partido Jorge Moreira da Silva e Marco António Costa, pelo secretário-geral do PSD José Matos Rosa, e pelo líder parlamentar, Luís Montenegro, Pedro Passos Coelho reforçou a ideia: “O PS tem a obrigação política e moral de apresentar uma solução de Governo“.

“É muito importante que o PS exerça essa responsabilidade de forma plena”, afirmou o líder do PSD, que no entanto alertou que “o PS não pode voltar-se para os partidos que derrubou no Parlamento pedindo-lhes ajuda no futuro, mas também não pode, com certeza, acreditar que os partidos mais à esquerda parlamentar que se têm mostrado sempre anti-europeus e anti-atlantistas sejam um suporte para um Governo estável, duradouro e credível que o país precisa”.

PS diz que acordos garantem “boas condições de governabilidade”

Por sua vez, o secretário-geral do PS assegurou que os acordos estabelecidos com BE, PCP e PEV garantem um Governo socialista com “condições de estabilidade na perspetiva da legislatura e boas condições de governabilidade”.

“É a solução necessária para aquilo que se impõe e para poupar ao país um arrastamento de uma situação de incerteza, uma situação de indefinição, que colocaria o país numa situação de crise política desnecessária”, afirmou o líder socialista, António Costa, à saída da audiência com o Presidente de República, que se seguiu à do PSD.

Sublinhando que os acordos estabelecidos entre o PS, o BE, o PCP e o PEV foram negociados com “boa-fé” e “rigor”, António Costa disse que está garantida “a existência de um Governo do PS com apoio maioritário na Assembleia da República, com condições de governar com o programa que está já aprovado [pela Comissão Nacional do PS], com condições de estabilidade na perspetiva da legislatura e boas condições de governabilidade”.

ZAP

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8 COMENTÁRIOS

  1. Lá nisso tem P. Coelho razão:
    – Ao o PS cabe agora apresentar uma alternativa.
    É bom que o faça e que resulte. O país precisa e os portugueses merecem uma alternativa BOA.

    • Anda muita “gente” a discutir o sexo dos anjos porque além da legitimidade que António Costa tem para formar governo, após o acordo com os partidos à sua esquerda, que garante uma maioria de 62% dos votos expressos, convém recordar aos “fanáticos” dos atuais ocupantes do poder que, a maioria demitida até se propôs dar o lugar de vice-PM a António Costa caso este entrasse num governo coligado com PSD/CDS, fórmula que durante 40 anos levou o País à atual situação e a uma abstenção 40%. Entrou-se numa nova era, é a democracia a funcionar o resto, nem merece classificação.

  2. “O PS tem a obrigação política e moral de apresentar uma solução de Governo“. Esta afirmação, leva-nos aperguntar: Então, não tem sido esse o propósito do líder do PS, após os acordos com BE, CDU, PAN, em que garante uma maioria absoluta de apoio a um governo liderado pelo PS? Convém recordar que, nas eleições de 2011 PSD e CDS formaram um governo com maioria absoluta, após o ato eleitoral, tiveram legitimidade semelhante àquela que hoje é corporizada por uma maioria de 62% dos votos expressos por isso, o Sr. Presidente da República só tem que cumprir a Constituição da República e indigitar o Dr. António Costa a formar governo o resto, são ações reacionárias que em nada prestigiam quem as pratica porque são antidemocráticas.

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