Passos diz que sanções revelam desorientação de Bruxelas e cinismo de Costa

José Sena Goulão / Lusa

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho afirma que a decisão de Bruxelas de castigar Lisboa por não cumprir o défice “é incompreensível”, mas acusa o governo de Costa de ter deixado que esse castigo acontecesse “por passividade”.

Em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, o ex-primeiro-ministro afirma que o processo das sanções a Portugal “diz bastante da grande desorientação que existe em Bruxelas face a estas matérias e da prática seguida pelo atual governo”.

“Não entendo o que se está a passar. Não é possível dizer que se está a sancionar o passado, mas que não há sanções se houver medidas que corrijam a trajetória deste ano. Ou a análise é sobre o passado e há multas, ou então o problema é a trajetória que está a ser seguida e não se vai invocar o passado”, lamenta Passos Coelho, responsável pelas contas do Estado no último ano.

O líder do PSD critica o castigo que Bruxelas decidiu aplicar a Lisboa relembrando o esforço estrutural – que “foi dos mais significativos” -, uma alteração na forma de contabilizar o défice e a resolução do Banif.

“O défice de 4,4% deve-se no essencial à resolução de um banco. Sem isso, Portugal não teria tido mais de 3% de défice. Não devia haver sanções“, explica o ex-primeiro-ministro, que acusa o Governo de “nem ter tentado” convencer Bruxelas sobre a injustiça das sanções só para o atacar.

Passos insiste que “o Governo atual tinha obrigação de discutir com a Comissão Europeia” que a alegada falha na correção do défice estrutural terá sido apenas consequência “de uma retificação estatística feita pelo INE, que transformou uma melhoria desse défice estrutural numa degradação do esforço”.

“É incompreensível porque só pode acontecer com a passividade do Governo português. O Governo nem tentou. E aceitou que este fosse o ponto de partida para 2016. A retórica política do Governo é cínica“, acusa.

Passos confessa ainda que não percebe porque há sanções para Portugal e não para França, que passa incólume.

“Portugal foi dos países que mais esforço estrutural fez, muito superior à França. Como é possível dizer que a França fez esforço efetivo quando a nossa foi muito superior? Há qualquer coisa aqui que não é transparente”, desabafa o líder social-democrata.

ZAP

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2 COMENTÁRIOS

  1. Era uma grande alegria para este bom povo se o sr. P. Passos Coelho se calasse.
    será que ainda não compreendeu que está a ser ofuscado pelo CDS??

  2. Passividade teve este cromo quando foi o 1o ministro. Baixou a calça em tudo perante os paises poderosos da UE. Mais grave, até foi mais além a sacrificar o povo português. Queria ser e foi o “bom aluno”. Lambe botas sem vergonha.
    O problema dele é ver que foi comido pelos amiguinhos (alemães, holandeses, etc), e agora empurra as culpas para outros.
    Não vou à bola do Costa mas, com honestidade, temos que dizer que tem batido o pé a esta UE, com mais firmeza do que este parvinho do Passos Coelho.

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