Páscoa sangrenta no Sri Lanka matou português, filhos de milionário e celebridade. Alerta para novos atentados

Yuri Kochetov / EPA

Uma rede internacional de terroristas está a ser apontada como culpada pelos ataques terroristas coordenados que foram feitos a Igrejas e a hotéis no Sri Lanka, neste Domingo de Páscoa. Entre os 290 mortos está um português em lua-de-mel, os filhos de um bilionário dinamarquês e uma chef famosa.

As autoridades do Sri Lanka detiveram 24 pessoas no âmbito dos ataques terroristas levados a cabo no Domingo de Páscoa e que mataram 290 pessoas, deixando cerca de 500 feridos.

No ataque terrorista mais letal do país, desde que terminou a guerra civil em 2009, já foram identificados os sete bombistas suicidas que consumaram os ataques. São todos cidadãos do Sri Lanka e elementos do grupo terrorista National Thowfeek Jamaath (NTJ), como informou o Governo cingalês.

As autoridades suspeitam que estes terroristas tinham ligações ao estrangeiro, até porque duvidam que o NTJ, que até agora tinha apenas feito ataques a estátuas budistas, teria capacidade para organizar atentados tão sofisticados e bem coordenados.

“Não acreditamos que estes ataques tenham sido levados a cabo por um grupo de pessoas confinadas a este país”, destaca o porta-voz do Governo, Rajitha Senaratne, citado pela BBC. “Há uma rede internacional sem a qual estes ataques não poderiam ter sido bem sucedidos”, acrescenta este elemento.

Do gabinete do Presidente do Sri Lanka sai a mesma ideia, com a informação de que “os relatórios da Inteligência indicam que organizações terroristas estrangeiras estão por trás dos terroristas locais”, como transcreve a BBC.

As autoridades do país vão solicitar ajuda a outros países para detectar estas supostas ligações a uma rede internacional que tem levado a cabo atentados em países como Paquistão, Malásia e Filipinas.

O primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, fala num “novo tipo de terrorismo”, realçando que o país não tem tido “nenhum movimento separatista nos últimos 10 anos” e que os atentados surgem como “um grande choque”.

Já o ministro da Defesa do Sri Lanka, Ruwan Wijewardene, imputa responsabilidades directas ao “extremismo religioso”.

Entretanto, a polícia está a examinar os relatórios de agências de informação que tinham avisos de possíveis ataques. Dois ministros do Governo fizeram alusão a falhas nos serviços de informação do país.

Surgem acusações às autoridades de que não agiram atempadamente a avisos de possíveis atentados que terão recebido dez dias antes dos ataques.

“Houve um atraso na acção“, lamenta o ministro das Telecomunicações, Harin Fernando, no seu perfil na rede social Twitter, frisando que “é preciso tomar medidas sérias, assim como saber o porquê de esses avisos terem sido ignorados”.

As vítimas dos atentados

A maioria dos 290 mortos do atentado são naturais do Sri Lanka. Uma das primeiras vítimas a ser identificada foi a chef de cozinha Shantha Mayadunne, uma das mais famosa do país que estava com a família no Hotel Sangri La, na capital Colombo, um dos locais que foi alvo dos ataques.

Entre os mortos há cerca de 35 estrangeiros, entre os quais um português de 31 anos que vivia em Viseu e que estava no Sri Lanka a passar a lua-de-mel. A mulher saiu ilesa do atentado.

A imprensa dinamarquesa relata ainda a morte dos três filhos do bilionário Anders Holch Povlsen. O dono da Bestseller, uma marca de roupa, é considerado o homem mais rico da Dinamarca e estava no Sri Lanka de férias com a família.

A BBC conta entre as vítimas mortais cinco cidadãos britânicos, seis indianos, nomeadamente três elementos de um partido político, dois engenheiros turcos, dois chineses, dois australianos, um holandês e um japonês.

Um neto de um deputado do Bangladesh terá também morrido nos ataques.

O secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo frisa, em declarações divulgadas pela imprensa, que também “há vários cidadãos dos EUA entre os mortos“.

Alerta para novos ataques

Nesta segunda-feira de manhã, houve mais uma explosão no Sri Lanka, numa carrinha que se encontrava nas proximidades da igreja de Saint Anthony, em Colombo, uma das que foi alvo dos atentados de domingo. A explosão ocorreu quando a polícia estava a tentar desarmadilhar explosivos no interior do veículo.

As autoridades encontraram ainda mais 87 explosivos na estação de autocarros de Colombo e cerca de 9 dispositivos no Aeroporto próximo da capital.

OS EUA já alertaram que “grupos terroristas continuam a planear possíveis ataques no Sri Lanka”, indicando como potenciais alvos áreas turísticas, centros de transporte, mercados, centros comerciais, instalações governamentais, hotéis, clubes, restaurantes, locais de culto, parques, grandes eventos desportivos e culturais, instituições educacionais e aeroportos.

O Sri Lanka decretou o Estado de Emergência e impôs o recolher obrigatório entre as 8 da noite e as 4 da manhã.

O Cristianismo é uma religião minoritária no país, abrangendo menos de 10% da população de 21,4 milhões de pessoas. A maioria dos habitantes (70%) são budistas, contando-se 12% de hindus e 9.7% de muçulmanos.

O país viveu uma dura guerra civil entre as forças do Governo e os separatistas do grupo Tamil Tigers que vitimou entre 70 mil a 80 mil pessoas, sendo marcada por vários atentados terroristas.

A pacificação que chegou em 2009, com o fim da guerra civil, ajudou o Sri Lanka a tornar-se um destino turístico de peso na Ásia. Estes atentados surgem como um grande golpe para o país que recebeu 2,2 milhões de visitantes em 2017.

SV, ZAP // Lusa

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