Partido de Macron impede candidata de concorrer a eleição por usar hijab

Stephane Mahe / EPA

O presidente francês, Emmanuel Macron

O partido do presidente francês Emmanuel Macron impediu uma mulher muçulmana de concorrer como candidata às eleições locais porque tirou uma fotografia para um panfleto de campanha usando um hijab na cabeça.

Sara Zemmahi ficou famosa da noite para o dia em França, embora só esteja a concorrer como candidata substituta para um município de Montpellier.

A sua imagem, usando o hijab, num cartaz para as eleições regionais e departamentais em junho pelo partido do presidente Emmanuel Macron, Le Republique en Marche, abriu uma lacuna na formação e a enésima controvérsia nacional em torno de símbolos religiosos, o secularismo e o separatismo islâmico.

Segundo Le Republique en Marche, a linha do partido era que não deveria haver lugar para a exibição aberta de símbolos religiosos em documentos de campanha eleitoral.

“Esta mulher não será candidata de En Marche“, disse Stanislas Guerini, o secretário-geral do partido, em declarações à rádio RTL.

As questões sobre o panfleto começaram quando Jordan Bardella, o número dois do partido de extrema direita Rassemblement National de Marine Le Pen, publicou no Twitter uma imagem do panfleto com a pergunta: “É assim que se luta contra o separatismo?”

Guerini respondeu diretamente no Twitter, exigindo que o folheto fosse retirado ou Zemmahi perderia o apoio do partido.

A resposta do partido abriu amargas divisões internas. A deputada francesa do En Marche Caroline Janvier escreveu no Twitter: “Indigno. Correr atrás dos votos [da extrema-direita] só permitirá que as suas ideias prevaleçam. Basta.”

A lei francesa não proíbe o uso do hijab ou outros símbolos religiosos em imagens que aparecem em panfletos de campanha.

Porém, segundo o jornal britânico The Independent, isto mostra como o lugar do Islão na sociedade francesa se tornou um assunto delicado antes da votação presidencial do próximo ano, onde o principal desafio para a reeleição de Macron virá da extrema-direita.

Macron, que se orgulhava da composição multicultural e etnicamente diversa do seu partido após a vitória nas eleições de 2017, alertou sobre a crescente ameaça do separatismo islâmico aos valores centrais da França e à unidade da república.

Contudo, os críticos acusaram o presidente de procurar o voto da extrema-direita antes das eleições presidenciais do próximo ano.

Maria Campos, ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. A Candidata na Pessoa da Sra. Sara Zemmahi, quer provar o quê em exibindo-se vestida de Hijab?…… é fácil tirar conclusões !….quer incendiar ainda mais o que já arde !

    • O que ela quer é gradualmente transformar a França num país islâmico e já são milhões lá dentro a infestar a sociedade francesa tudo por culpa de décadas de governações irresponsáveis!

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