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Pandemia leva famílias sírias a casar filhas menores de idade a troco de dinheiro

Face às dificuldades geradas pela pandemia do novo coronavírus, várias famílias sírias estão a casar as suas filhas menores de idade com homens turcos.

A denúncia foi feita por ativistas da ECPAT, uma rede de organizações que luta pelo fim da exploração sexual de crianças, ao jornal britânico The Independent.

Esta prática é vista como medida de último recurso devido às dificuldades económicas que atravessam. Um estudo feito pela ECPAT realça que várias crianças refugiadas na Turquia estão vulneráveis a um casamento forçado, tráfico humano e exploração sexual.

“Ouvimos falar de casos em que famílias sírias estão a vender as suas filhas para casar — formal ou informalmente — com homens turcos. Às vezes, ser uma segunda ou terceira esposa de um homem. Isto é para se livrar delas. Ter menos um prato na mesa“, começou por dizer Ezgi Yaman, secertário-geral da ECPAT Turquia ao The Independent.

As famílias também estão a receber dinheiro para ajudá-las a pagar pela renda da casa. Ouvimos vários casos em que a família não podia pagar a renda ao proprietário, por isso disseram: ‘Nós damos-lhe a nossa filha'”, acrescentou.

Há ainda casos em que o arrendatário casa clandestinamente com a criança síria. Yaman explica que não pode fornecer dados estatísticos, uma vez que isto está acontecer ilicitamente.

“O Governo turco não recolhe dados sobre meninas sírias casadas com homens turcos ou sobre tráfico de crianças. Com a covid-19, tem sido difícil alcançar crianças de famílias sírias. A violência doméstica, a violência sexual e a exploração infantil aumentaram durante o coronavírus por causa do caos e das pessoas terem menos dinheiro, e porque todos estão em casa o tempo todo durante o confinamento”, disse ainda Yaman.

Em janeiro, uma lei foi debatida no Parlamento turco e prevê que homens acusados de ter relações sexuais com menores fiquem com penas suspensas caso casem com as vítimas e a diferença de idades seja inferior a dez anos. Caso venham a ser ratificada, esta lei pode ser preocupante para várias crianças refugiadas.

  ZAP //

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