Países do norte da Europa são os melhores para as mulheres viverem

Os países do norte da Europa, como a Islândia e a Noruega, são os melhores para as mulheres viverem, registando os menores índices relativamente às desigualdades de género na política, na economia e na sociedade, revela um relatório desenvolvido pelo Fórum Económico Mundial.

O relatório global sobre as diferenças de género, publicado pela primeira vez em 2006, mede as disparidades de género entre os países, tendo em consideração a participação económica, a participação política, o desempenho educacional, a saúde e a sobrevivência. À edição de 2018, foram incluídos o Iraque, a República Democrática do Congo, Omã, a Serra Leoa e o Togo, perfazendo um total de 149 países analisados.

Pelo 10º ano consecutivo, a Islândia lidera o índice, tendo eliminado em 86% as suas lacunas na desigualdade. Sem surpresa em relação às anteriores edições, seguem-se na lista a Noruega, a Suécia e a Finlândia. Portugal, por sua vez, encontra-se na 37.ª posição, atrás da França (12.ª), do Reino Unido (15.ª) e da Espanha (29.ª).

Mas há uma nova entrada no Top 10 deste ano. A Namíbia subiu três lugares, tornando-se o segundo país da África Subsariana nos dez primeiros lugares, depois de Ruanda. No primeiro índice, de 2006, a Namíbia estava em 38.º lugar. Em 2018, melhorou mais de 10%, tendo encerrado mais de 79% das lacunas gerais entre os géneros.

Quanto à saúde e à sobrevivência, desde 2013 as diferenças registadas entre os géneros foram eliminadas no país. O mesmo ocupa o 5.º lugar relativamente à participação política feminina, com um aumento no número de mulheres no parlamento.

 

O relatório sinaliza que uma das histórias de maior sucesso é a de Nicarágua, que ultrapassou o Ruanda para ficar em 5.º lugar no índice global deste ano, subindo da 62.ª posição (em 2006). Pelo sétimo ano consecutivo, tem a menor diferença de género na região da América Latina e do Caribe, tendo eliminado mais de 80% das lacunas.

Os países pior colocados neste ‘ranking’ são o Iémen (que ocupa o última posição), o Paquistão, o Iraque, a Síria (todos na Ásia), a República de Chade e a República Democrática do Congo (ambos em África).

Os resultados globais são, contudo, positivos: dos avaliados em 2017 e 2018, 89 conseguiram, pelo menos, “fechar marginalmente” as lacunas nas desigualdades de género, enquanto 55 regrediram nessa temática.

Os responsáveis alertam, porém, para o facto de o progresso na igualdade de género estar a diminuir. Desde 2006, as lacunas nas desigualdades de género foram reduzidas em 3,6%. Mas em 2018 a redução foi de apenas 0,03%, revelando um “progresso extremamente lento”.

Caso se continue com o atual ritmo de mudança, serão necessários 108 anos para acabar com as lacunas à nível global quanto às questões de género. Esta nova estimativa acrescenta oito anos à de 2017.

“Embora o progresso continue a um ritmo muito lento, o facto de a maioria dos países estar a caminhar para uma maior paridade é encorajador e recompensa os esforços” no desenvolvimento de políticas que permitirão “alcançar o quinto objetivo de desenvolvimento sustentável da ONU: a igualdade de género”, indica o relatório.

O participação da mulher nas diferentes áreas

A disparidade de género ao nível das oportunidades económicas é a que levará mais tempo para ser completamente eliminada: 202 anos. O sexo feminino continua a ser negligenciado no que toca aos cargos de gerência e de altos funcionários, com os dados disponíveis a mostrarem que apenas um terço (34%) dos gestores mundiais são mulheres.

O índice aponta ainda para uma lacuna de género significativa quanto aos profissionais que trabalham em áreas relacionadas com a Inteligência Artificial, com apenas 23% de mulheres num universo dominado por homens (77%).

No que concerne à participação política, são precisos mais 107 anos para serem erradicadas as lacunas nesta área, refletindo o baixo número de mulheres a desempenhar cargos políticos, principalmente como chefes de Estado. Apenas 18% dos ministros são mulheres e, em seis dos 149 países, estas não ocupam postos nos ministérios.

European Parliament / Flickr

A primeira-ministra romena Viorica Dancila

“A maioria das mulheres nos cargos de chefe de Estado foi eleita na última década. Apesar destes desenvolvimentos recentes, há apenas 17 mulheres chefes de Estado ou primeiros-ministros nos 149 países em 2018, incluindo a primeira-ministra da Roménia, que foi eleita este ano”, lê-se no relatório.

A boa notícia, acrescenta o documento, é que a diferença de género para a educação é, em média, de apenas 5%, podendo ser fechada em apenas 14 anos, com base nas tendências atuais. Já as lacunas na saúde e na sobrevivência, cuja média se encontra nos 4%, estão praticamente erradicadas na maioria dos países analisados.

Taísa Pagno, ZAP // World Economic Forum

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1 COMENTÁRIO

  1. e são precisamente os países que comprovam as diferenças entre sexos.

    nestes tais países tão liberais chega-se à conclusão que o sexo feminino escolhe maioritáriamente cursos de letras e o masculino cursos onde as matemáticas predominam.

    o que uma vez mais comprova que não existe diferenças entre um e outro relativamente a ordenados, o que acontece é que os cursos escolhidos maioritáriamente pelo sexo masculino são os que pagam mais.

    full circle!

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