Pagar para as pessoas se isolarem pode poupar vidas e dinheiro

António Pedro Santos / Lusa

O sucesso de um segundo confinamento no Reino Unido dependerá do cumprimento das medidas de contenção por parte dos cidadãos, do rastreio dos casos positivos e do isolamento dos seus contactos. Mas não só.

Segundo um artigo publicado no Conversation, da autoria dos professores Jonathan Rose e Edward Cartwright, da Universidade de Montfort, mesmo numa altura de confinamento é difícil forçar as pessoas a ficarem em casa caso se sintam bem ou não acreditem ter o vírus, situação que se agrava quando o auto-isolamento tem custos diretos e indiretos.

De acordo com o artigo, o confinamento de março funcionou porque a mensagem “fique em casa” forçou o auto-isolamento da população, exceto para trabalhadores-chave. Desta vez, com as escolas e universidades abertas e muitas empresas em funcionamento, é necessário um método alternativo para encorajar o auto-isolamento, incluindo incentivos financeiros, que se devem manter após o término do confinamento.

No verão, os professores realizaram pesquisas para rastrear o impacto da pandemia, concluindo que a necessidade económica é um fator significativo quando se trata do cumprimento das normas impostas pelo governo. Apenas 9% dos 2.352 entrevistados disseram que violaram as regras por não concordarem com as mesmas, enquanto 10% fizeram-no por motivos pessoais e 30% para ajudar alguém.

As pesquisas revelaram ainda que os trabalhadores-chave eram mais propensos a quebrar as restrições de confinamento, assim como as pessoas afetadas pela pandemia em termos de saúde mental, relacionamentos e carreira. Tudo isso aponta para a necessidade, em vez de preferência ou escolha, como o fator que determina esse comportamento. Os picos do vírus estão também associados a áreas mais desfavorecidas.

Segundo os autores, já existe um programa no Reino Unido para ajudar pessoas em isolamento e apoiar os cidadãos: um pagamento único de 500 libras (cerca de 555 euros) para aquelas com baixos rendimentos, que têm que se isolar mas que não podem trabalhar a partir de casa.

Essa medida, contudo, exclui pessoas com rendimentos médios e com elevados custos mensais  – como hipotecas, creches ou impostos -, bem como os trabalhadores em risco de ficar sem emprego. A realidade, escreveram os autores, é que a única forma de as famílias não se endividarem é se não tiverem cortes nos seus salários.

Não é surpresa, portanto, que apenas 20% das pessoas a quem foi pedido que se isolassem estivessem dispostas a fazê-lo totalmente. O artigo indica ainda que existe uma possibilidade real de as pessoas não usarem a aplicação NHS COVID-19, de forma a evitar o auto-isolamento.

Os autores acreditam que não há soluções fáceis para incentivar o auto-isolamento. Algumas das medidas podiam passar por melhorar o sistema de testes – para aqueles que precisam de se isolar por muito tempo -, aumentar as ajudas aos trabalhadores forçados a ficar em casa e estender os apoios a um maior número de pessoas.

A França e a Bélgica, por exemplo, reduziram o período de isolamento obrigatório de 14 para sete dias. Em muitos países europeus, as baixas médicas são pagas na totalidade, enquanto no Reino Unido são pagas, em média, apenas em 10%.

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