Pablo Hasél não divide cela nem colabora nos trabalhos de limpeza da prisão

Ramon Gabriel / EPA

O rapper espanhol Pablo Hasél

A advogada do rapper espanhol divulgou, no último fim-de-semana, mais detalhes sobre a detenção do seu cliente, que traçou algumas “linhas vermelhas” por estar integrado no coletivo de presos políticos antifascistas.

Em entrevista à estação catalã CMMA, Alejandra Matamoros afirmou que Pablo Hasél foi transferido para o estabelecimento prisional de Ponent, em Lérida, e que já falou com ele, salientando que o músico se mantém “forte, animado e orgulhoso”.

“Neste momento, está sozinho (…) e integrado no coletivo de presos políticos antifascistas, que tem várias linhas vermelhas. Já que estão detidos, exigem condições dignas de vida e, entre elas, está por exemplo a recusa em dividir cela”, explicou.

“Isto porque as celas são minúsculas, as condições são muito más e não sabemos que tipo de recluso é que vão colocar lá”, acrescentou.

A advogada do rapper explicou que, inicialmente, não lhe foi posto qualquer problema relativamente a esta exigência e que, agora, devido àquilo a que chama de “pressões políticas”, disseram-lhe que, se quisesse estar numa cela sozinho, “tinha de colaborar nos trabalhos de limpeza da prisão”.

Tal como os outros presos, Matamoros explicou que o artista limpa a sua cela e os espaços comuns que utiliza, mas recusa-se a realizar tarefas tais como “servir jantares e limpar outros espaços, como o pátio, uma vez que são trabalhos que os outros presos fazem para aceder a benefícios penitenciários”.

“Essa é outra das linhas vermelhas que tem o coletivo de presos políticos. Eles não colaboram, em nenhum caso, com a manutenção da prisão”, disse, recordando que “estes direitos foram conseguidos nos anos 70 e 80, à base de greves de fome muito duras”.

Questionada sobre como é que o rapper reagiu à detenção na Universidade de Lérida, Matamoros disse que foi “uma jornada intensa, de muitas entrevistas, de muitos meios de comunicação, nacionais e internacionais, a cobrirem o assunto”, acrescentando que foi uma “noite bastante tensa”.

A advogada aproveitou ainda para criticar a “grande parte dos meios de comunicação que se está a esmerar muito para intoxicar a razão pela qual Pablo Hasél entrou na prisão”.

“Dizem que não foi por motivos de liberdade de expressão, mas sim porque tinha antecedentes prévios. É totalmente falso. Pode ver-se na sua folha de antecedentes penais. Neste momento, são duas condenações, mas, quando entrou na prisão, estava em causa apenas a condenação de 2014, pelos mesmos motivos, ou seja, por canções e tweets”.

Protestos pela sua libertação continuam

Esta segunda-feira, Barcelona, Girona e Tarragona foram novamente cenário de manifestações em favor da libertação do rapper. Foi o sétimo dia de protestos, que decorreram sem grandes incidentes e também com menor adesão.

Nos anteriores seis dias de mobilizações, os Mossos d’Esquadra e a polícia local prenderam 109 pessoas em manifestações que, nalguns casos, degeneraram em violência, tendo sido contabilizados mais de 100 feridos, 91 deles polícias catalães.

Pablo Hasél, detido na passada terça-feira na Universidade de Lérida, tornou-se um símbolo da liberdade de expressão em Espanha, depois de ter sido condenado a nove meses de prisão por, segundo a acusação, insultar as forças de ordem espanholas, glorificar o terrorismo e injuriar a monarquia.

Os factos pelos quais o rapper foi condenado remontam a 2014 e 2016, quando publicou uma canção no YouTube e dezenas de mensagens no Twitter, acusando as forças de ordem espanholas de tortura e de homicídios.

Posteriormente, um tribunal de Lérida confirmou outra sentença de dois anos e meio para o rapper por ameaçar uma testemunha num julgamento contra a polícia urbana da cidade. O tribunal ainda vai decidir se obriga Hasél a cumprir a nova pena, embora a sentença ainda possa ser objeto de recurso no Supremo Tribunal.

Filipa Mesquita, ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Coragem hasel, é preciso resistir aos opressores. A razao está do teu lado, e deste lado estão milhões a teu lado contra a tirania. Era impensável um pais integrante na dita democracia dos 27, haver um país que tem presos políticos nas suas prisões. Quem diria.

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