Calor leva gregos às praias. Frio vai continuar em Espanha e Portugal (a culpa é do vórtex polar)

EPA / Efe

Os gregos aproveitaram a onda de calor que o país está a sentir em pleno Inverno para ir à praia, enquanto Portugal e Espanha enfrentam dias gelados. O frio vai continuar por cá na próxima semana e chegará à Grécia. A culpa é do vórtex estratosférico e do aquecimento global.

Os últimos dias trouxeram neve a vários pontos de Portugal Continental, incluindo ao Alentejo. Em Espanha, as tempestades de neve chegaram a paralisar Madrid e outras cidades.

O frio tem sido dominante em vários países europeus. Já a Grécia está a viver uma onda de calor em pleno Inverno como não se via há muitos anos.

Neste fim-de-semana, muitos gregos violaram o confinamento por causa da pandemia de covid-19 e foram até às praias, para aproveitar temperaturas que chegaram aos 24 graus em Atenas. Em ilhas como Creta subiram ainda mais.

O mês de Janeiro está a ser o mais quente dos últimos 50 anos na Grécia, com as temperaturas 15 graus mais altas do que é costume para a época, segundo especialistas de meteorologia do país citados pela agência Reuters.

Contudo, a meio da próxima semana, os gregos devem também ser atingidos pelas temperaturas frias que assolam grande parte da Europa.

O arranque desta semana, em Portugal, também traz temperaturas ainda mais baixas, pelo menos até terça-feira.

Mas o frio vai continuar por mais uma semana, de acordo com o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda.

“Dentro de uma semana estaremos novamente numa situação mais normal”, antecipa Miguel Miranda em declarações à Rádio Renascença.

“Frio está relacionado com o aquecimento do ártico”

Esta situação de frio extremo, com países como Espanha a atingirem recordes de temperaturas negativas, resulta do facto de estar mais calor nos pólos.

“O frio que estamos a sentir aqui está relacionado com o aquecimento do ártico“, nota o presidente do IPMA.

“Quando há um grande aquecimento na estratosfera do ártico, a frente polar vem mais para Sul; ao vir mais para Sul, influencia normalmente os países do Norte da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá. Este ano, veio tão para Sul que atingiu de forma significativa a Península Ibérica e, portanto, temos temperaturas ditas polares no Alentejo, o que é uma situação bastante inusitada”, explica ainda o responsável do IPMA na Renascença.

“Por estranho que pareça, é uma consequência do aquecimento global“, aponta ainda Miguel Miranda.

“O aquecimento global colocou mais água na atmosfera e, portanto, quando as temperaturas são baixas, há mais facilidade em formar chuva – como vimos recentemente na Madeira, por exemplo – e há mais facilidade em produzir neve”, acrescenta este especialista, considerando que “a neve é dada pela conjunção entre haver mais água na atmosfera e as temperaturas estarem muito baixas”.

Miguel Miranda também fala do vórtex polar, notando que há aquele que “está à superfície, nesta chamada troposfera, que dá o tempo dos esquimós” e o que se encontra “na estratosfera, que só existe três ou quatro meses por ano – existe no Outono e acaba tipicamente no princípio da Primavera”.

“O vórtex estratosférico tem um aquecimento súbito, que ocorre em cerca de uma semana e faz com que a direcção do vento nesse vórtex mude de Oeste para Este. E foi isso que aconteceu agora”, analisa ainda o presidente do IPMA.

Madrid virou estação de desportos de Inverno

Madrid continua coberta por um manto espesso de neve que mantém a cidade quase paralisada, para gáudio dos mais jovens que estão a converter a capital de Espanha numa imensa estação de desportos de Inverno.

O grande nevão provocado pela tempestade Filomena de sexta-feira para sábado deixou praticamente todas as vias de comunicação de Madrid intransitáveis aos automóveis, os transportes públicos rodoviário e ferroviário sem funcionar e o aeroporto paralisado.

As ruas e avenidas cobertas por um manto de neve, nalguns locais com mais de 50 cm de espessura, estão a ser invadidas por esquiadores, famílias com trenós e milhares de habitantes que saíram para caminhar, brincar e divertir-se, apesar das recomendações das autoridades para ficarem em casa, por segurança.

As escolas vão estar fechadas nesta segunda-feira e na terça-feira e a presidente da comunidade autónoma de Madrid, Isabel Diaz Ayuso, afirmou que vai ser avaliado no início da semana a possibilidade de vários serviços públicos se manterem encerrados mais alguns dias.

Os sem-abrigo de Madrid foram convidados a abrigar-se durante a última noite em locais previamente estabelecidos em várias estações de metropolitano.

A maior parte das lojas e supermercados continuam fechados, porque os funcionários têm dificuldade em chegar ao trabalho.

A tempestade de neve também dificultou inicialmente o acesso aos hospitais, muito concentrados desde há meses no combate à pandemia de covid-19.

O maior nevão que atingiu Madrid desde 1971 deixou 33 litros de neve por metro quadrado em 24 horas.

Os limpa-neves continuam o seu trabalho incansável para desobstruir as principais vias de comunicação, antes da chegada de temperaturas negativas, que podem ir até aos -10º Celcius, nos próximos dias, que irão provocar que a neve se converta em gelo, mais difícil de limpar.

Susana Valente, ZAP // Lusa

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