OMS diz que Portugal está a agir da forma correta, mas pede cuidado

unisgeneva / Flickr

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que os números indicam que Portugal está a reagir de forma correta em relação à covid-19, mas alerta para os perigos de levantar o confinamento demasiado rápido.

Numa conferência de imprensa na sede da organização, em Genebra, Michael Ryan, diretor do programa de emergências sanitárias, embora admitindo não estar a par de todos os dados sobre Portugal, disse que os números indicam que o país agiu de forma correta e que “a boa notícia” é que o ritmo de crescimento da doença está estável.

“Creio que agiu de forma racionalmente correta, os números indicam isso”, afirmou. Tal não significa, advertiu, que a epidemia tenha sido estancada.

A epidemiologista Maria Van Kerkhove, responsável máxima na resposta da OMS à covid-19, acrescentou, avisando que não se referia só a Portugal mas também a outros países, que é muito bom a estabilização de casos.

Kerkhove referiu que é preciso continuar a aprender com outros países, como com alguns países asiáticos que estão a encontrar mais casos, para que não se levantem as situações de confinamento muito rapidamente, o que pode levar a um aumento de casos.

Mesmo com os sucessos “temos de continuar muito atentos”, advertiu, acrescentando que, precisamente por haver uma grande parte da população não infetada, “o vírus pode voltar”, pelo que é preciso agir nas medidas de forma “lenta e controlada”.

OMS assegura que não escondeu nada aos EUA

Na semana passada, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a OMS de ter ocultado dados relevantes, no início da epidemia, servindo os interesses da China, tendo decidido suspender o financiamento a esta agência subordinada às Nações Unidas.

Nada foi escondido aos Estados Unidos, desde o primeiro dia”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Lançámos o alerta desde o primeiro dia”.

Michael Ryan disse ainda que a OMS teve a trabalhar consigo 15 representantes do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, na sede em Genebra, a ajudar no plano de resposta à pandemia de covid-19.

Os responsáveis da OMS defenderam a sua estratégia de combate ao surto, dizendo que o facto de os elementos do CDC terem colaborado lhes deu “uma vantagem adicional”, na compreensão do avanço da epidemia, respondendo assim às críticas de que a organização sanitária estava a beneficiar a China.

Não há segredos na OMS. Porque manter informações secretas ou confidenciais é perigoso”, declarou Ghbreyesus, que pediu “solidariedade global”, assegurando que não há razões para “temer a pandemia”.

“Sem unidade nacional e solidariedade global, posso garantir que nos espera o pior. Portanto, evitemos essa tragédia”, disse o diretor-geral da OMS.

O Governo norte-americano também lamentou que a sua decisão de encerramento de fronteiras tenha recebido “forte resistência” da OMS, que, na perspetiva de Washington, “continuou a saudar a estratégia dos líderes chineses”.

Os Estados Unidos acusaram ainda a organização de negligenciar informações sobre uma possível transmissão do novo coronavírus entre humanos, que tinham chegado de Taiwan, no final de dezembro de 2019. Mas os responsáveis da OMS voltaram a negar o recebimento dessas informações de Taiwan, que perdeu o estatuto de observador junto da agência da ONU, desde 2016.

“Taiwan não notificou dados sobre transmissão de humano para humano. Eles apenas nos pediram esclarecimentos, assim como o fizeram outras entidades”, disse Tedros Ghebreyesus, referindo-se a uma mensagem de correio eletrónico enviado à OMS, a 31 de dezembro de 2019.

OMS compara pandemia à “gripe espanhola”

Ghebreyesus referiu-se ainda à pandemia como “o inimigo público número um”, que combina a capacidade de contágio de uma gripe com a letalidade das epidemias de MERS e SARS (síndromes respiratórios agudos provocados igualmente por coronavírus).

É uma “combinação muito perigosa” que está a acontecer, como aconteceu há cem anos (1918/19) e que matou 100 milhões de pessoas, mas agora temos “uma situação diferente”, temos tecnologias e podemos “evitar essa catástrofe” de há cem anos.

O diretor-geral da OMS admitiu que o pior ainda possa estar para vir, mas salientou que é preciso acreditar que é possível lutar contra a doença, que requer, insistiu, solidariedade nacional e mundial. Porque sem isso “será pior”. “Dissemos que o vírus iria surpreender os países mais desenvolvidos, e isso está a acontecer”, acrescentou.

O responsável insistiu igualmente na necessidade de se olhar para as estatísticas vendo os números mas também as pessoas que eles representam, para que a pandemia de covid-19 não se transforme em quadros com números. “Pensem nas vítimas de covid-19 como pessoas e não como números”, pediu.

Tedros Adhanom Ghebreyesus referiu ainda que a OMS está a trabalhar com várias entidades para desenvolver testes à covid-19, e que os dados de estudos serológicos em vários países indicam que uma percentagem muito baixa da população está infetada com o novo coronavírus, inclusivamente em áreas fortemente infetadas.

Maria Van Kerkhove referiu que também há muitos estudos sobre esta matéria e disse que um deles, em pré-publicação, sugere que até 14% da população tenha anticorpos. Mas disse desconhecer que métodos foram usados para esses estudos.

Concordou, no entanto, que há uma percentagem da população infetada mais baixa do que a OMS estimava, o que por outro lado quer dizer que há grande parte da população mundial que ainda se pode infetar.

Kerkhove também disse que há mais de 10 mil sequências de genoma do vírus postas à disposição dos cientistas, o que permite perceber como o vírus se está a modificar, e acrescentou que não há muitas diferenças, “o que é positivo”.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 165 mil mortos e infetou quase 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Ok, OMS.
    Vamos lá, então, juntar-nos uns quantos na AR; mas, os outros, devem ficar confinados em casa como lhes foi indicado.
    – ISTO PARA BEM DE TODOS!!

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