OMS desiludida. Faltam pelo menos 90 mil milhões para investigação da vacina

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Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)

O diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou, esta segunda-feira,  estar desiludido com a resposta global no combate à pandemia de covid-19. O responsável disse que faltam pelo menos 90 mil milhões de dólares do investimento total necessário para a investigação de vacinas contra a doença.

Numa conferência de imprensa na sede da OMS, esta segunda-feira, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o acelerador das ferramentas de combate à covid-19 só tem 10% do financiamento.

“Existe um vasto fosso global entre a nossa ambição e os fundos que foram entregues ao acelerador da covid-19”, lamentou o responsável, citado pela rádio TSF.

“Embora estejamos gratos aos países que contribuíram, só temos 10% dos [mais de 100] mil milhões de dólares que serão necessários” só para desenvolver e garantir a distribuição equitativa pelo mundo de vacinas que venham a ser criadas.

“Parece e é muito dinheiro”, mas, mesmo assim, “é pouco em comparação com os 10 biliões de dólares que os países do G20 já investiram em estímulos fiscais para lidar com as consequências da pandemia”.

Tedros Ghebreysus defendeu que é preciso acelerar o financiamento do chamado Acelerador-ACT, uma iniciativa da OMS a que aderiram dezenas de países, incluindo Portugal, para agilizar e partilhar os resultados de investigação de vacinas e terapias para o novo coronavírus.

O diretor-geral da OMS afirmou que os próximos três meses serão cruciais para acelerar a investigação de vacinas para a covid-19.

O diretor-geral da OMS afirmou que há “dezenas de terapias” em análise e que a primeira que provou ter resultados contra casos graves da doença – o anti-inflamatório dexametasona – está a ser produzido em maior escala.

O responsável destacou ainda que medidas “fortes e precisas” tomadas por vários países, do Ruanda à França, são o necessário para conseguir conter surtos da doença.

“Todos os testes e tratamentos para a covid-19 são gratuitos no Ruanda, por isso não há barreiras financeiras que impeçam as pessoas de serem testadas. E quando alguém está positivo, fica isolado e os profissionais de saúde vão a todos os potenciais contactos para os testar”, indicou.

“Em França, o Presidente Macron decretou o uso obrigatório de máscaras em espaços exteriores com muitas pessoas para responder a um aumento de casos”, acrescentou.

Numa altura de regresso às aulas ou preparação do próximo ano letivo em muitos países, é importante garantir que “alunos, pessoal e professores estão seguros”, o que só se consegue controlando a transmissão do novo coronavírus nas comunidades, apontou.

“Os países que tiveram sucesso estão a usar uma abordagem baseada no risco para abrir setores da sociedade, incluindo as escolas”, salientou.

No início de agosto, Ghebreyesus já tinha criticado o “nacionalismo de vacinas” para a covid-19, afirmando que qualquer país terá benefícios económicos e de saúde se o resto do mundo recuperar da pandemia.

“O nacionalismo em relação às vacinas não presta. Não nos ajudará. Quando dizemos que uma vacina deve ser um bem global de saúde pública, não se trata de partilhar por partilhar. Para o mundo poder recuperar mais depressa, tem de recuperar em conjunto”, afirmou.

ZAP // Lusa

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