À terceira foi de vez: Obrador é o novo presidente do México

Alex Cruz / EPA

Andres Manuel Lopez Obrador, Presidente eleito do México

Andrés Manuel López Obrador, líder do Movimento Regeneração Nacional (MORENA, de esquerda), confirmou o favoritismo e venceu neste domingo as eleições presidenciais no México, com cerca de 53% dos votos – depois de perder duas candidaturas presidenciais, em 2006 e 2012.

Obrador, de 64 anos, prometeu no discurso de vitória que não vai “permitir a corrupção nem a impunidade”, como já tinha feito desde o início da campanha, tendo com grande objetivo travar a violência no país.

“As mudanças serão profundas, mas serão realizadas dentro da ordem estabelecida. Haverá liberdade empresarial, de expressão, de associação e de crenças, disse, acrescentando que “seja quem for o corrupto, será punido, mesmo se for companheiro de luta, funcionário, amigo ou familiar”.

No mandato que vai iniciar, pretende aumentar o salário mínimo, facilitar o acesso à Internet para todos, atribuir bolsas de estudo a estudantes e ainda aumentar a autossuficiência alimentar do país, de acordo com o Jornal de Notícias.

A cerca de 20 pontos de distância ficaram Ricardo Anaya, do conservador Partido Ação Nacional, tendo entre 23% e 27% dos votos, e José Antonio Meade, do governista Partido Revolucionário Institucional, com cerca de 22% a 26% dos votos, segundo a EFE.

José António Meade, candidato à Presidência do México pelo Partido Revolucionário Institucional, que se encontra atualmente no poder, já reconheceu publicamente a derrota e desejou “o maior dos sucesso” a Obrador.

O líder do MORENA sucede a Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI, de centro-direita), levando o país a ser governado pela esquerda depois de anos a ser liderado por regimes de direita e centro-direita.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, e o Presidente da Venuzela, Nicolás Maduro, recorreram às suas contas do Twitter para felicitar o recém eleito Presidente do México.

Trump diz estar “ansioso por trabalhar” com Obrador, acrescentando que há muito a fazer em benefício de ambos os países. Já Maduro, apela à abertura das relações de amizade entre o México e a Venezuela, dizendo que assim triunfará a verdade e a esperança.

Durante a campanha eleitoral, Obrador proferiu palavras duras relativamente ao Presidente norte-americano mas, no seu discurso de vitória, disse pretender manter a relações amigáveis com os EUA, procurando “relações amistosas”.

Esta é uma vitória histórica para a esquerda no México: Obrador é o líder mais à esquerda em mais de 80 anos desde que Lázaro Cárdenas assumiu o poder em 1934, segundo o Expresso.

Obrador foi prefeito da Cidade do México, entre 2000 e 2006, sendo agora eleito na sua terceira tentativa, numa onde o combate à corrupção foi a principal bandeira. Nasceu no Estado sulista de Tabasco e é filho de comerciantes. Estudou Ciências Políticas e Administração Pública na Universidade Nacional Autónoma de México.

Às eleições foram chamadas a votar 89,3 milhões de pessoas numa campanha muito marcada pela violência, na qual morreram dezenas de atores políticos. Agora se inicia uma arrastada transição, já que o eleito só assume o poder em dezembro.

A mais violenta campanha do México

De acordo com um estudo da consultoria de riscos Etellekt, que recolheu o número total de assassinatos, esta é a mais sangrenta campanha eleitoral da história recente do país. A consultoria, citada pela BBC, identificou durante o período de campanha eleitoral o homicídio de 351 servidores de cargos não eletivos, 307 deles das forças de segurança.

A situação “antecipa um sério desafio de segurança para a paz e a governabilidade democrática nas regiões com maior presença de organizações criminosas e notória debilidade institucional”, aponta o relatório da Etellekt.

Na jornada eleitoral mexicana, na qual se disputam mais de 18 mil cargos desde a Presidência da República até às administrações locais, foram assassinados 122 políticos.

Vário candidatos questionados pela agência reconheceram sentir medo durante a campanha, tendo alguns deles assumido contratar seguranças pessoais. A violência nas eleições soma-se ao ambiente vivido diariamente pelos mexicanos que, só em 2017, registaram um novo recorde: 25.339 assassinatos.

  SA, ZAP //

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