O último adeus ao príncipe Filipe, duque de Edimburgo

(h) Dave Jenkins / EPA

O funeral do príncipe Filipe, que faleceu há uma semana com 99 anos, esteve em preparação durante 18 anos. O próprio duque de Edimburgo esteve envolvido no seu último adeus, que se realizou este sábado na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.

Este sábado, por volta das 15h00, o Reino Unido cumpriu um minuto de silêncio em homenagem ao príncipe Filipe, no início do seu funeral na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, residência real a oeste de Londres.

Segundo a agência France-Presse, o momento de homenagem ao marido de Isabel II ficou marcado quando o seu caixão foi carregado pelas escadas que conduzem à capela, onde foi sepultado na abóbada real.



O minuto de silêncio decorreu enquanto a família real se reunia para o funeral do príncipe Filipe, que durante mais de sete décadas apoiou Elisabete II e a coroa. Limitada a 30 pessoas devido à pandemia de covid-19, a cerimónia iniciou-se no recinto do Castelo de Windsor, a oeste de Londres, pouco antes das 15h00.

Poucos dias antes de completar 95 anos, a Rainha de Inglaterra despede-se daquele que foi, segundo palavras da própria, a sua “força” e o seu “apoio”, desde a sua coroação, em 1952.

Conhecido pela sua franqueza e humor, o príncipe alcançou uma longevidade recorde na história do país: teria completado 100 anos em 10 de junho.

Coberto com o estandarte pessoal do duque de Edimburgo, com a sua espada, o seu chapéu da Marinha e uma coroa de flores, o caixão foi erguido para ser colocado na parte de trás de um Land Rover verde militar que o próprio príncipe ajudou a construir durante 16 anos.

Liderada por Carlos, o príncipe herdeiro da coroa, e pela sua irmã, a princesa Anne, a procissão – que a Rainha acompanhou no seu Bentley Real -, seguiu o caixão até a Capela de São Jorge, para o serviço religioso.

Na terceira fila do cortejo fúnebre, atrás dos filhos da Rainha e do príncipe Filipe, estavam os seus netos, William e Harry. Entre os dois irmãos, com relações tensas, estava o primo Peter Philips, filho da princesa Anne.

A escolha foi amplamente comentada na imprensa, à procura de qualquer sinal de reconciliação entre os dois filhos do príncipe Carlos.

Esta é a primeira vez, desde saída da monarquia e a partida para o outro lado do Atlântico, que o príncipe Harry encontrou a família real em público. Grávida do segundo filho, a mulher de Harry, Meghan Markle, permaneceu nos Estados Unidos a conselho do médico.

A procissão ocorreu ao som da fanfarra dos Grenadier Guards, da qual Filipe foi coronel por 42 anos, refletindo o passado militar orgulhosamente carregado pelo duque de Edimburgo, que lutou na marinha durante a Segunda Guerra Mundial.

O caixão será colocado no “Royal Vault”, uma cripta onde permanecerá até que a rainha se junte a ele quando morrer.

Apesar de o público ter sido aconselhado a não se reunir fora das residências reais devido à pandemia, Windsor está cheio de curiosos e moradores locais com flores nas mãos. “Depois da cerimónia, deixarei estas flores perto do castelo”, disse Maggy Kalpar à agência France Presse (AFP).

Os detalhes, escolhidos pelo próprio

O príncipe Filipe esteve envolvido em todos os detalhes da sua cerimónia fúnebre. De acordo com o The Telegraph, o Land Rover Defender TD5 130 tinha vindo a ser modificado pelo duque desde 2003 e foi neste veículo que o caixão foi transportado durante a procissão até à Capela de São Jorge.

Foi também Filipe que escolheu os emblemas e insígnias reais em exposição no altar, no interior da Capela. As medalhas e as condecorações atribuídas pelo Reino Unido e pelos países da Commonwealth, assim com o bastão de marechal de campo do duque e as asas da Força Aérea Real são uma referência à herança dinamarquesa e grega do marido da rainha Isabel II.

As escolhas musicais tiveram de ser adaptadas de acordo com as restrições impostas pela pandemia. Assim sendo, as canções, escolhidas pelo duque de Edimburgo, e o hino nacional foram interpretados por um coro composto por apenas quatro pessoas.

The Last Post, tocada pelos corneteiros da Marinha, significa que “o soldado foi para o seu descanso final”. Reveille foi interpretada pelos trompetistas da Cavalaria Pessoal, enquanto Action Stations coube aos corneteiros dos Fuzileiros Reais.

Nos navios de guerra, esta última música simboliza o momento em que todos devem recolher aos postos de batalha, um pedido específico do duque que pode ser solicitado por qualquer pessoa ligada à Marinha Real.

Depois do último adeus, o corpo do príncipe ficará na capela de São Jorge, no Royal Vault, o panteão real. A família real britânica cumprirá depois mais uma semana de luto.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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