PSD treme. Derrota no domingo pode deixar Rio na corda bamba

Miguel A. Lopes / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

São poucos os que acreditam que há condições para uma disputa de liderança no PSD. Ainda assim, um resultado abaixo dos 25% nas eleições deste domingo pode ser “o choque com a realidade”, que pode deixar Rui Rio na corda bamba.

As eleições europeias que se avizinham podem traduzir-se num cenário catastrófico para o PSD. Entre dirigentes sociais-democratas, há quem deixe um aviso: “Se o resultado for abaixo dos 25%, Rui Rio tem de tirar conclusões e pode haver disputa de liderança.”

Há bem pouco tempo, mesmo os socais-democratas mais críticos da liderança de Rio encararam com otimismo a lufada de ar fresco chamada Paulo Rangel, que veio dar ânimo ao partido na disputa das eleições europeias.

Mas a crise dos professores e as sondagens negativas que deixam o PSD de cabisbaixa não deixam dúvidas aos sociais-democratas que falaram com o jornal Público. A derrota do PSD no próximo domingo já é dada como certa – não uma derrota por uma distância de dez pontos do PS, mas uma de menor dimensão.

Ainda assim, são poucos os que admitem que um mau resultado no próximo dia 26 de maio possa abrir uma grave crise no PSD. Para o justificar, admitem que o desfecho do desafio de Luís Montenegro, em janeiro deste ano, comprometeu essa hipótese no momento do pós-europeias.

Um opositor de Rui Rio chegou mesmo a dizer ao Público que, naquele momento, o partido “conformou-se” com a ideia de que o atual líder do PSD terá de disputar as legislativas contra António Costa, apesar de ser “penoso”.

Mas se o resultado das europeias for negativo para o partido, há quem ponha em cima da mesa alternativas e uma delas é Montenegro, antigo líder da bancada parlamentar, que desafiou Rio e é visto como uma das figuras capazes de disputar a liderança. Rangel pode já não entra na equação, uma vez que o resultado negativo de domingo pode fragilizar o candidato.

Mesmo antes da guerra aberta por Luís Montenegro a Rui Rio, o antigo líder da bancada admitiu, em novembro do ano passado, que uma mudança interna de estratégia e de líder depois das europeias seria “difícil”, por haver muito pouco tempo até às legislativas.

Rio tomou o mesmo argumento para descartar qualquer pedido de demissão em caso de maus resultados este domingo. “Acha minimamente sensato, estamos no fim de maio, com eleições em outubro e o verão de permeio? Era um irresponsável, se fizesse isso. Eu não ameaço com demissões por questões de interesse partidário, isso nunca faria”, afirmou o líder social-democrata esta quarta-feira.

No entanto, a falta de tempo para uma mudança de líder no PSD não foi um problema no passado. Entre a demissão de Marcelo Rebelo de Sousa (final de março de 1999), a eleição de Durão Barroso como seu sucessor e a realização de eleições europeias (13 de junho) passaram dois meses e meio – um prazo menos dilatado do que aquele que medeia as eleições do próximo domingo e as legislativas de 6 de outubro, sublinha o diário.

O Público adianta ainda que desde o episódio de Montenegro (do qual Rio saiu vitorioso) que se instalou no partido a ideia de que o líder teria de ser sujeito ao teste das legislativas. No entanto, há também quem defenda que um resultado catastrófico este domingo (abaixo dos 25%) pode ser “o choque com a realidade“.

Em caso de um domingo negro para o PSD, o partido sobrevive a uma crise? É a pergunta que paira no ar.

LM, ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. É urgente que o PSD comece a dar a volta à situação. E isso passa por clarificar, de forma concisa e persistente, que aos portugueses foi deixada uma bancarrota socialista e uma hipoteca do país à Troika, para nos concederem um empréstimo de cerca de 90 mil milhões de euros. A Passos Coelho e ao povo calhou a fava pela desgraça que o partido socialista nos legou. E não esquecer que Costa fez parte dessa desgraça, pois foi ministro da bancarrota.

  2. as alternativas são todas tão boasssss…. NOT!!!

    como a actual, as alternativas ou passaram pelo bilderberg ou são da maçonaria, o que acaba por ir dar ao mesmo.

    obrigadinho mas para andarem a destruir Portugal e a sua soberania já basta os camaradas da esquerda radical e o amigalhaço Costa.

  3. Não é aqui que te safas a fazer comentários de bancarrota, uma vez que as pessoas que cá vêm, são cidadãos minimamente informados e não se deixam levar por demagogos oportunistas, que em virtude das palas que usam laterais aos olhos, só veem numa direção, tornando-se carneiros seguidistas daquilo que os chefes do partido querem que eles digam e façam. Passos Coelho e Paulo Portas, foram das maiores nulidades que nos governaram e não são pessoas de confiança. Parece-me de resto que o PSD não soube aproveitar o excelente líder que neste momento possui, e que dá a ideia de não mais recuperar. É o que dá ter muitos barões dentro do partido, e ter de andar sempre a mudar de líder. Procure controlar o seu recalcamento, e deixe governar quem tem sido exímio nesse papel, ou seja, fundamentalmente António Costa e Mário Centeno.
    Votem bem.

  4. Por algum motivo o PSD sempre que tem algum lider com “dois dedos de testa” trata de fazer tudo e arranjar formas para correr com ele, para depois colocar como lider alguém mais…… digamos “maleável”, que não pense tanto.
    Porque será ??

  5. De facto perder contra um candidato que não soube governar enquanto ministro, não sabe falar, é mais múmia do que a própria múmia, não estou certo tão pouco que o homem esteja vivo… deve dar para tirar muitas conclusões.

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